Barganha Estadunidense

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De volta ao trabalho, a secretária de Estado norte-americano Hillary Clinton já coloca novamente as manguinhas de fora. Em tom bastante assertivo, declarou que o prazo de diálogo com o Irã está chegando ao fim.

“Benevolente” como sempre, o EUA está dando uma última chance ao Irã de se integrar às regras do Sistema Internacional, consensuadas entre os Estados, mas elaboradas, em grande parte, pela “super”potência do norte. E adverte: “O Irã não tem o direito de desenvolver tecnologia nuclear para fins militares e nós estamos determinados a impedi-lo de fazer isso, mas esse país tem o direito à energia nuclear para fins civis”. Interessante, como o EUA ainda se vê como polícia e juiz do mundo, cargo que se auto-outorgou e que é capaz de realizar, como já tivemos provas em outros episódios recentes.

Mas pensemos no outro lado, e já adianto que não pretendo tomar partido de nenhum. O Irã, já há algum tempo, conhece o isolacionismo do Ocidente e parece se virar bem como está. Acredito que uma maior interação com a sociedade internacional poderia trazer benefícios ao país, mas não me parece que a intensificação de contatos seja essencial para a sobrevivência do Estado iraniano.

Assim, ao que tudo indica, a oferta norte-americana para a abertura de diálogo deverá vir em tom mais atrativo do que o tom indulgente (“esse país tem o direito à energia nuclear para fins civis”), e ao mesmo tempo intimidador (“O Irã não tem o direito de desenvolver tecnologia nuclear para fins militares”) como o usado pela secretária de Estado do EUA. Caso contrário, as perspectivas de negociação serão vazias e o impasse permanecerá.


Categorias: Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


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