Banho de Sangue

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Lugar em crise nesse mundo (infelizmente) é o que não falta. África, Ásia Central, Oriente Médio, enfim, os casos são incontáveis. Mas tem outro lugar por aí que anda numa crise profunda: Bem vindos ao Sri Lanka.

O país é pequeno, 66 mil metros quadrados (só o estado de São Paulo tem 250 mil). Já foi devastado pelo tsunami, tem uma economia precária baseada na exploração de produtos primários como grafite e borracha, embora seu IDH seja 0,742 (surpresa pra mim!).

A crise se dá, como na África e em muitos outros lugares do mundo por uma razão simples: grupos rebeldes separatistas. Embora essa conotação possa dar a impressão de que sejam ‘maus’, considero como ‘rebelde’ qualquer grupo que esteja contra o governo central de um país, mesmo que estejam com a razão. Portanto, não é para mim um termo pejorativo.

Os Tigres da Libertação da Pátria Tâmil são o último separatista que sobrou no país. Estavam no nordeste do país até que ontem o governo central desferiu um ataque que matou 380 civis, entre os quais 100 crianças, segundo a ONU, que denunciou o ataque como um “banho de sangue” (veja aqui e aqui).

Aí o negócio virou um embróglio. O governo acusa os rebeldes pelo que houve. Os rebeldes acusam o governo. A ONU entrou na briga, mas pode fazer, como a gente sabe muito bem, pouco. Fez as acusações mas depende do Conselho de Segurança pra fazer qualquer tipo de intervenção (que normalmente também não dão muito certo).

E também tem organizões internacionais no meio. A Human Rights Watch também fez denúncias de ações violentas por parte do Estado.

Aí vem a pergunta: você, caro cidadão, o que faria, se estivesse no comando do país? Não que eles tenham feito a coisa certa, mas o Estado hoje está sem muito o que fazer frente aos novos desafios que enfrenta.

Veja o caso do terrorismo: inimigos invisíveis que se misturam à população. Não é possível que se diferencie o inimigo do cidadão comum. Aliás, seu inimigo não tem fronteiras definidas, exército, não segue regimes internacionais sobre atos de guerra, enfim… E aí? Como combatê-los?

Os tâmis hoje no Sri Lanka se resumem a um grupo não muito grande que vive numa faixa litorânea de 4 metros quadrados. Mas há um grupo que se usa de atos terroristas para reivindicar a separação de parte do território do país. E esse grupo ataca pessoas inocentes. Se você estivesse lá, poderia um belo dia ser uma vítima. Ou, se estivesse por lá a turismo, poderia ter a mesma sorte…

Uma vez que a única forma de atacá-los (já que se misturam à população civil) é matando outros civis, o que fazer? Deixar que matem mais civis ou acabar com o problema?

E a diplomacia, funciona com esses grupos? O diplomata representa seu Estado frente à outros Estados. Para o terrorismo não há Estado, embaixada, representações diplomáticas. A diplomacia se fará com quem? Com quem se negocia? Você confia em alguém que coloca uma bomba na casa de um desconhecido?

Mais uma vez, não estou me colocando a favor da ação do Sri Lanka, que evidentemente foi desproporcional. Mas antes de fazermos qualquer tipo de julgamento, é bom termos em mente que as coisas no mundo não são mais as mesmas de 50 anos atrás…

Vejam o caso do Paquistão (veja o link abaixo): o taleban está simplesmente tomando conta do território (o governo até já cedeu partes para o grupo terrorista). Essa semana eles anunciaram que mataram 700 terroristas. A ONU diz que civis morreram no meio. Os EUA acusam o Paquistão de não dar conta do recado e não conter os extremistas.

Os EUA, por sua vez, metidos em duas guerras e não dão conta de nenhuma delas. Inclusive a do Afeganistão, que faz fronteira com o Paquistão, e que serve de base para os militantes do taleban… A situação é tão caótica que mexe com o psicológico dos soldados. Hoje, um deles começou a atirar e matou cinco colegas…

E aí?

Aliás, leia aqui o Post “Monopólio do uso legítimo da força” em que detalhamos melhor o que está acontecendo usando o exemplo do Paquistão.

Gostaria de saber a opinião de vocês sobre o assunto!


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