Balanço geral

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E agora, Piñera? O show acabou, os mineiros foram resgatados e o Chile está em festa. Um dos maiores eventos de televisão ao vivo da história, que superou até mesmo a posse de Obama. Uma super operação com dispêndio de aproximadamente 22 milhões. Operação essa que chegou a ser comparada com a chegada do homem à lua. A capsula usada no resgate dos mineiros também rendeu certo sentimento de nostalgia para muitos, sendo comparada a Apollo 13. Um total de 70 dias confinados e um salvamento que mudou a história do Chile.

Agora, o acampamento Esperança, onde ficaram as famílias dos mineiros, é lentamente varrido. A mina no deserto do Atacama tampada, com as inscrições: “não retire essa tampa sem pensar na ação e no planejamento do trabalho realizado”. Um simbolismo inquestionável.

Quando as cortinas se fecham, surge o tempo para reflexão. Como um grande teórico das Relações Internacionais uma vez disse, tempos de crise demandam reflexão profunda. E a demanda por uma operação dessa magnitude retrata certo caráter de uma crise das condições de trabalho nas minas e dos direitos dos mineradores, não só no Chile, mas mundo afora.

Considerado, por muitos, um dos trabalhos mais perigosos do mundo, sujeito a desabamentos, deslizamentos e insalubridade, a mineração ainda não dispõe de todos os recursos de segurança laborial necessários para que seja executada com êxito e, de forma a não afetar o bem-estar dos trabalhadores. É extremamente necessária ao Chile que dispõe de grande concentração de minas de cobre e que cujas exportações dependem grandemente da matéria-prima.

Os eventos transcendem o deserto do Atacama e transformam-se em palavras condensadas em um recado muito claro a todos os países. É preciso rever as condições de trabalho das minas, tanto externas, quanto internas e mistas. E agora, Piñera? Como fica? Haverá um passo a frente, ou a crise apenas representará um ápice de um ciclo vicioso a se repetir por muitos e muitos anos ainda?

Em um balanço geral desses eventos pode-se ver um país com nacionalismo arraigado, um presidente que cresceu em popularidade, promessas de melhores condições de trabalho e cooperação internacional em tecnologia de segurança laborial. Agora, o problema é saber se, após a poeira baixar, as cortinas fecharem e o show acabar, realmente as condições serão revistas.


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