Avançando para o Passado

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O Alcir continua sem internet, por isso estou publicando seu post.

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[Em primeiro lugar, peço desculpas pela ausência nos últimos dias. Estou sem internet desde sexta-feira (isso porque a telefônica está em ação…) e sem previsão de tê-la de volta. Agradeço, mesmo que tardiamente, a todos os nossos leitores e colaboradores pelo apoio no Top Blog! Sábado que vem o Ivan e eu estaremos na cerimônia de premiação]

Muito se tem discutido sobre o Pré sal e os possíveis marcos regulatórios do governo. O que não se tem dito, no entanto, é que o objetivo real do Estado brasileiro é voltar ao domínio do setor petroquímico. E o pré-sal é apenas uma pequena parte dessa estratégia.


O que mais se tem dito na mídia é o tal direito que a Petrobrás terá de explorar todos os novos blocos do pré sal daqui pra frente sozinha ou em joint ventures com outras empresas, que serão obrigadas a oferecer 30% no mínimo para a estatal brasileira.


No entanto, outro fato tem me chamado atenção. Hoje, o setor petroquímico brasileiro de primeira geração – aquele que, após o refino do petróleo, faz os produtos básicos, como Eteno e Propeno, que serão utilizados por toda indústria química – é “dividido” entre duas empresas: a Braskem e a Quattor.


A primeira é a terceira petroquímica das américas, formada pelos grupos Odebrecht (32%) e pela Petrobrás (31%) entre outros. No ano passado, teve uma receita líquida de US$ 9,1 bi.


A Quattor, por sua vez, é o resultado da união de outras quatro principais empresas (Riopol, Unipar, Suzano Petroquímica e PQU). É também uma gigante que faturou US$ 9 bi no ano passado. Mas que, no entanto, passa por dificuldades em virtude de dívidas que contraiu. Seu capital é composto por 60% de participação da Unipar e mais 40% da Petrobrás.


A Quattor reestruturou o setor petroquímico do país e “tirou” das mãos da Petrobrás seu monopólio indireto, tempos após a estatal ter perdido o monopólio da exploração. Foi uma promessa do governo ao setor privado brasileiro de que não haveria mais monopólio estatal no setor do petróleoque não se trata somente de extração e refino.


No entanto, a Quattor não está bem das pernas, e a proposta que está sendo arquitetada é que a Braskem a compre (ou se una a ela), com participação da Petrobrás, o que daria novamente à Estatal o monopólio indireto do setor, já que somente a Braskem estaria no mercado, com controle dividido entre o grupo Odebrecht e a estatal.


No entanto, essa é uma questão ideológica. O Estado participa ativamente da economia, e neste caso específico de um setor altamente estratégico ou deixa a tarefa para o setor privado?


O que eu sei, é que até a abertura do setor petroquímico no Brasil, a Petrobrás era um grande cabide de empregos do governo e do PMDB em especial. A concorrência e a abertura de capital fez com aumentasse sua produtividade, transparência e se tornasse uma das maiores empresas do mundo. Isso sem contar os benefícios ao consumidor final e para as indústrias.


Inclusive, após a abertura do setor, nossa indústria química cresceu como nunca, inclusive a Petrobrás.


O governo brasileiro não tem o que temer. Voltar aos tempos do monopólio do petróleo é um retrocesso sem tamanho. São evidentes as intenções do governo de calar o debate em torno das propostas em regime de urgência para regulamentação do présal e as tentativas de retomar o controle do petróleo com discursos nacionalistas inflamados.


Além do mais, é sabido que nem a Petrobrás nem nenhuma empresa no mundo sozinha tem os recursos suficientes para explorar o pré sal. Esse tipo de atitude contribui para afastar possíveis parceiros.


Creio que o maniqueísmo não nos leve a lugar nenhum. Essa mania de se falar que o privado é demoníado e o estatal é angelical. O norte é imperialista, o sul é dominado. Os estrangeiros são aproveitadores, os brasileiros, coitados. Já se foi o tempo dessa conversa e os avanços que o Brasil tem tido ocorrem em parceria com estrangeiros, países do norte, do sul, brasileiros, enfim…


Sobre essa mania do nosso governo, veja o um dos primeiros e atualíssimos posts deste blog.


Não é preciso fechar o Brasil, tampouco entregar TUDO aos estrangeiros. O que se precisa, e o governo não quer, é que o assunto seja discutido.


Categorias: Brasil, Economia, Política e Política Externa


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