Autoria russa

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“No dia 13 de abril de 1943, o mundo foi surpreendido pela denúncia de mais uma dentre tantas atrocidades cometidas no curso da Segunda Guerra Mundial. As rádios e jornais alemães, sob o incentivo de Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do Reich, informavam que, nas proximidades da cidade russa de Smolensk, haviam sido descobertas inúmeras valas comuns, onde haviam sido sepultado milhares de oficiais poloneses executados em massa pelos soviéticos. Imediatamente após a divulgação da notícia, os soviéticos negaram qualquer participação no propalado massacre, alegando que os oficiais poloneses estavam vivos quando da invasão alemã e que, caso tenham sido assassinados, cabia aos alemães toda e qualquer responsabilidade. O que aconteceu realmente com os oficiais poloneses enterrados nas valas de Katyn? Foram mortos pelos alemães ou pelos russos?”.

O excerto acima, de autoria de Sérgio Oliveira, foi reproduzido integralmente por contextualizar exatamente um questionamento histórico a ser respondido no presente post: nesta sexta, a Rússia atribuiu a Stalin a responsabilidade pelo massacre de Katyn, reconhecendo assim oficialmente sua autoria.

O massacre de Katyn foi o assassinato de aproximadamente 22 mil cidadãos poloneses na floresta de Katyn (na Rússia) em 1940, auge da Segunda Grande Guerra. Esta execução em massa apenas evidencia os horrores da guerra que vitimou uma quantidade enorme de indivíduos – tanto militares como civis –, configurando uma situação em que crimes deste porte foram recorrentes.

De acordo com arquivos secretos da União Soviética (governada por Stalin por 30 anos – 1924 -54), foi divulgado hoje que existem provas concretas de que este terrível massacre foi ordenado por russos, respondendo-se, desta forma, definitivamente à paradigmática questão apresentada inicialmente. Trata-se de uma dura condenação aos crimes stalinistas, demonstrando uma postura diferenciada por parte da Rússia.

Vale ressaltar que tal postura está diretamente relacionada à intenção de melhorar as relações entre Rússia e Polônia, especialmente após o desastre aéreo ocorrido no início deste ano que vitimou o presidente polonês e mais de 90 autoridades do país que justamente se dirigiam a terras russas para visitar o Memorial de Katyn (post sobre o assunto aqui).

Tal como proferiu o juiz norte-americano no Tribunal de Nuremberg destinado a investigar este assunto, “os crimes são crimes, seja quem for que os tenha cometido”. Contudo, a busca pela verdade deve pautar a valorização da proteção aos Direitos Humanos, de forma a evitar que a impunidade predomine – em questões domésticas ou internacionais. E esta atitude russa certamente representa um importante avanço neste sentido.

[Aos interessados no tema, existe um filme sobre este massacre, intitulado “Katyn” (foto), o qual foi lançado em 2007.]


Categorias: Conflitos, Defesa, Paz, Segurança


4 comments
Mário Machado
Mário Machado

Lamentável ainda existirem stalinistas. Mais trágico ainda que essas criaturas ainda ficam a negar que o massacre ocorreu.Hoje há uma matéria no francês le monde sobre isso. Lembrei desse texto e vim comentar.Abs,

Anonymous
Anonymous

Bianca.Sempre interessante seus textos. Na obscuridade dos regimes e das guerras,aconteceram e, ainda, acontecem fatos deploráveis. E , infelizmente, pelo ser, que se diz humano.Parabéns e um forte abraço,Harley

Bianca Fadel
Bianca Fadel

Obrigada por nos acompanhar, Glauber!Um abraço!