Ásia: a região do futuro?

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Um dos principais elementos das Relações Internacionais, desde seus primórdios, é o poder. Não importa a forma – seja econômico, político ou militar – cada agente no Sistema Internacional, essencialmente me refiro a Estados, baseia suas escolhas nos principais pólos de poder. Neste contexto, qualquer estudante em sua vida escolar terá contato com a história de grandes Impérios (unipolaridade), a bipolaridade na Guerra Fria, ou mesmo a ascensão de uma possível ordem multipolar, na qual não haveria centros de poder absolutos.  

Ser o agente mais poderoso em um momento não é garantia de proeminência permanente. Todo o Império que se preze um dia viu sua própria derrocada, por problemas internos ou pelo surgimento de agente com mais recursos e capacidade de gerar influência nos demais. Recém começado o século XX, é amplo o debate sobre um novo foco de poder, a China, e a débâcle do atual país de maior poder, os Estados Unidos. É inegável que nos últimos 30 anos, a Ásia – não somente a China, mas em especial este país – melhorou a qualidade de vida de sua população e atingiu um crescimento econômico constante e dinâmico, quando não acelerado. 

O modelo de desenvolvimento da região foi enfocado em diversificar exportações e prover o mundo com uma imensa quantidade de produtos asiáticos, dos mais diversos. Grandes empresas multinacionais também identificaram uma grande oportunidade na região, estabelecendo bases de seus sistemas produtivos em países que ofereciam incentivos fiscais, legislação ambiental não rigorosa e uma mão-de-obra abundante e barata. Assim, a Ásia conseguiu talhar um novo posicionamento frente ao Sistema Internacional, e ver países como Japão, no final do século XX, mais China e Índia, atualmente, como agentes de decisão internacional, não mais meros expectadores nas instituições internacionais.  

A nova Ásia para as próximas duas décadas, segundo Stephen Roach em um Podcast da consultoria McKinsey, estará muito mais baseado em desenvolvimento a partir de seu mercado interno do que no modelo utilizado nos últimos 30 anos, pautado em exportações. Uma região que produziria mais para seu próprio consumo que para o mundo. Sua grande fortaleza seria justamente os mais de três bilhões de pessoas que vivem na região. Roach ainda lança a possibilidade de formação de uma Pan-Ásia, integração centrada na China como promotora de desenvolvimento regional, com países como Coréia do Sul, Taiwan e Japão desenvolvendo o mercado chinês como prioridade, ante aos Estados Unidos e União Européia. 

O desafio seria mudar a estrutura do foco atual – fortemente externo – para suas próprias fronteiras, levando a uma maior sinergia e consequentemente maior integração regional. Contudo nem tudo são flores. Primeiro, não se pode pensar Ásia unicamente com a China como porta de entrada, a região tem temáticas, prioridades tendências muito além das próprias chinesas. Há disputa territorial entre China e Índia; grande influência ocidental na Coréia do Sul, Vietnã e Japão; uma Índia cada vez mais dinâmica e influente, entre outros. A The Economist, inclusive defende que a disputa da China é antes com a Índia no plano regional do que com os Estados Unidos no plano global. Independente desta questão, a Ásia – ainda mais Índia e China – para ter ainda maior importância nas decisões internacionais, necessita conciliação e cooperação regional primeiro.


Categorias: Ásia e Oceania


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