As reais imagens de Sochi

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Sochi Simbolo

Na última sexta-feira houve a abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Sochi 2014, na Rússia. O que apareceu na televisão foi eloquente, bonito e alegre como normalmente são todas aberturas de grandes eventos. A delegação de doze atletas brasileiros foi saudada como carinho, a delegação estadunidense entrou ovacionada parecendo esquecer-se do boicote ocorrido em ocasião passada e a delegação russa fechou tudo com o “espetáculo de encher os olhos”.

Até aí tudo bem. No máximo divulgou-se que houve uma falha na abertura dos anéis olímpicos, porque o último deles permaneceu fechado e, adivinhem, representa o continente americano. Talvez tenha sido até proposital para as teorias da conspiração dizerem que o suposto erro representa os velhos tempos de Guerra Fria com o embate entre Estados Unidos e União Soviética.

Brincadeiras à parte, vamos às reais imagens de Sochi:

1) Corrupção

Somente uma parcela mínima da mídia divulgou que a olimpíada russa custou mais que o dobro da Copa de 2014 e Rio 2016 juntas, somando um valor não-oficial de 50 bilhões de dólares! Isso, inclusive, foi postado no texto “Imagem é tudo” aqui na Página Internacional. Segundo dados da ONG Fundação Anti-Corrupção, esse montante representa de 1,5 a 2,5 a mais do que o normal se comparado com outras olimpíadas de inverno. Em Pequim (2008) foram gastos 43 bilhões de dólares, em Vancouver (2007) 7 bilhões, em Londres (2012) aproximadamente 14 bilhões e no Rio de Janeiro (2016) estima-se um total de gastos/investimentos nessa ordem também de 14 bilhões de dólares.

2) Preconceito contra homossexuais

Em janeiro, o presidente russo, Vladimir Putin, disse publicamente que os visitantes gays que desejavam ir aos jogos de Sochi não deveriam temer o país, mas que os mesmos precisavam “deixar as crianças sozinhas”. Dias atrás a ONG Human Right Watch (HRW) publicou um vídeo em que são mostrados diversos ataques a gays e lésbicas no país. As imagens são revoltantes e diversas organizações acusam o governo conservador russo de perseguir os homossexuais e não investigar seriamente os ataques feitos contra os mesmos. Essa questão vai muito além das olimpíadas, mas até mesmo Thomaz Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou na abertura que os jogos são “festival de esportes que abraça a diversidade humana e sua grandiosidade”.

3) Exclusão social

Em matéria intitulada “Sochi tem o ouro. Vila ignorada tem a poeira”, o New York Times trouxe a notícia do total descaso do governo para com regiões vizinhas de Sochi, citando o caso do vilarejo de Akhshtyr, o qual é situado entre dois complexos esportivos dos jogos. Lá não há combustível, a qualidade da água é horrível e não existem estradas de escoamento ou que permitam a saída tranquila e viável dos moradores. As imagens podem ser encontradas no link da notícia e revelam o outro lado de Sochi, literalmente.

Cidade Sochi

Obviamente, a abertura dos jogos é legal de assistir e os esportes ganham uma nova roupagem nessas épocas. Entretanto, muito mais do que isso, é preciso atentar-se e aludir algumas questões que ficam “embaixo do tapete”. Era para eu ter escrito o texto da “Imagem da Semana” aqui na Página Internacional, mas acabei escrevendo sobre as reais imagens de Sochi que não aparecem na TV. Corrupção, preconceito e exclusão social são algumas delas.


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