Às mulheres

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“Sentir, amar, sofrer, devotar-se, será sempre o texto da vida das mulheres.” Embora o romancista francês Honoré de Balzac tenha escrito essas palavras no século XIX, elas ecoam pelos confins das eras. Verbos carregados pela mulher de ontem para se tornar a mulher de hoje, o ser mais belo entre o homem e anjo, à Balzac. Nosso calendário reconhece a sua importância no mundo, endereçando-lhe um dia específico. Dia que é comemorado há um século.

No Egito Antigo, segundo a lenda, Ísis atravessou todo o território egípcio para encontrar os catorze pedaços do corpo de seu marido, Osíris, e então revivê-lo. Surgiu, assim, o ritual de mumificação. No período medieval, as bruxas foram arbitrariamente lançadas ao fogo da Inquisição por conhecerem o que a Igreja desconhecia. Foi preciso Joana D’Arc levantar a espada, numa guerra extra-centenária, para devolver o orgulho ao povo francês. Nos bastidores da Guerra do Paraguai, as mães e esposas acompanharam o movimento de seus filhos e maridos, servindo de enfermeiras ou até de combatentes. A paz, em tempos atuais, prestou homenagem às guerreiras políticas Shirin Ebadi e Suu Kyi. Exemplos que não param demonstram que os corações femininos nunca se renderam à luta e seguiram com a esperança.

A humanidade, historicamente, marchou sobre as mulheres e não ao lado delas. Fez do homem a figura perpetuante da espécie, quando a vida, na verdade, nasce no ventre feminino. A desigualdade gênero é marca característica da evolução humana e, ainda hoje, à busca por igualdade é objetivo permanente do mundo. Tal busca pode ser ilustrada com o terceiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, “Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres”, ou com a criação do ONU Mulheres, presidido pela ex-presidente chilena Michelle Bachelet.

É certo que houve avanços significativos na condição das mulheres. Há cem anos, como lembra Bachelet, apenas em dois países as mulheres votavam, sendo hoje um direito quase universal. (vejam a mensagem e o vídeo) Em 67 países, as leis obrigam a remuneração igual entre os gêneros e, em 127, é assegurada a licença maternidade. Porém, na política, entre os líderes dos 192 países, há apenas 12 mulheres. Isso para não falar das dimensões social, cultural e econômica, como as genitálias amputadas na África ou o apedrejamento islâmico. Mulheres e crianças são também as vítimas mais afetadas pelas guerras e pelos fluxos de refugiados.

Em um século, ultrapassou-se o peso da história, mas esta continua em gestação. As mulheres não desistirão de escrevê-la da maneira justa, de modo que as epopeias nunca esqueçam o seu heroísmo. Suas misérias e batalhas. Nos brados de “Pão e paz” das mulheres russas, a data nasceu. Finalmente, veio o reconhecimento para quem teve a perseverança de atravessar o Egito ou empunhar as armas, na mais pura expressão de seu sentimento, amor, sofrimento e devoção. Na mais pura demonstração do ser entre o celestial e o terreno, cujos olhos não contêm o brilho da alma e as mãos trazem as marcas de quem acreditou na luta. Vocês merecem um dia especial e a igualdade, pelo que fizeram, fazem e farão.

A vocês, mulheres, prestamos hoje esta homenagem. Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher!


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2 comments
Raphael Lima
Raphael Lima

Faço minhas as palavras da Bianca.Uma homenagem muito bonita!Um abraço,

Bianca Fadel
Bianca Fadel

Linda homenagem, Giovanni! Parabéns pelo post! =)Beijos!