As FARC, a Colômbia e um problema sem fim…

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[Pessoal, este é o primeiro post oficial do nosso novo colaborador, Cairo Junqueira! Porém, por motivos técnicos, hoje postaremos em seu lugar. Confiram esse polêmico debate!]


Tensas relações, falta de diálogo e inquietação social são velhas preocupações vividas pelos colombianos em relação às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Embora a grande mídia não tenha divulgado muitas notícias recentes sobre estes fatos, o grupo continua agindo constantemente no território e coloca em questão a eficiência das políticas adotadas pelos últimos governos acerca da segurança nacional.


Num primeiro momento, é importante dizer que a Colômbia é, e sempre foi, um país de contrastes. Durante as últimas décadas, tem apresentado os maiores índices de violência da região sul-americana, mas detém forte estabilidade econômica e política, haja vista que é a quarta economia da América Latina, estando atrás somente do Brasil, da Argentina e do México, e possui dois grandes partidos políticos que dominam o cenário nacional: o Liberal e o Conservador.

As FARC surgiram na década de 1960, mais precisamente em 1964, período em que também nasceram outras organizações contrárias à Frente Nacional (FN), a qual representava a alternância de poder dos dois partidos mencionados acima. Além das FARC, o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o M-19 tinham como objetivo a oposição ao Estado colombiano. Posteriormente, a década de 1980 representou a mais convulsionada do país devido à irrupção do narcotráfico e, a partir de 1990, uma série de medidas governamentais tentou colocar fim ao chamado “caos social” colombiano.

Os presidentes César Gaviria (1990-1994) e Ernesto Pizano (1994-1998) apostaram na resolução pacífica com as guerrilhas, mas fracassaram. Consequentemente, começaram a surgir as organizações paramilitares, as quais são associações civis, armadas e sem vínculo com as forças militares nacionais. Com Andrés Pastrana (1998-2002), a experiência de desmilitarização também falhou e coube ao seu sucessor, Álvaro Uribe (2002-2010), a tentativa de minimizar os problemas do país.

Mesmo assim, no governo de Pastrana foi colocado em prática o Plano Colômbia, componente exclusivo para a luta contra o narcotráfico e os grupos armados. Baseando-se em inversão social, desenvolvimento alternativo e fortalecimento militar, o governo tinha como objetivo reduzir a produção de cocaína no país, mesmo que, para isso, precisasse fortemente do auxílio norte-americano. Para alguns especialistas, o plano fracassou na luta contra as drogas, contudo obteve sucesso no combate às forças contrainsurgentes.

Somente na década de 2000, com Uribe, entrou em cena a “segurança democrática”, uma politica central de governo para tentar recuperar o controle territorial, debilitar os grupos irregulares e assegurar o controle de liberdades à população. Sumariamente, caracterizou-se como uma medida para fortalecer e aumentar a presença do Estado em todo o território nacional.

Foi este o legado deixado ao atual presidente, Juan Manuel Santos, como tentativa de dar maior suporte ao tão mencionado, nas Relações Internacionais, monopólio legítimo da força do Estado. Os desafios de Santos para com a Colômbia são inúmeros: resolução do conflito armado, consolidação do Estado de Direito, estabelecimento de uma maior conexão entre o governo central e os governos regionais, reavaliação das medidas antidrogas etc.

O cerne da questão é que as demandas colombianas, no que tange à ação de forças “antigovernamentais”, com destaque para as FARC, estão sendo resolvidas de forma parcial. O problema sem fim que mencionei no título vai muito além de medidas estatais para combater grupos revolucionários e paramilitares. A “segurança democrática” leva em consideração, também, uma maior participação popular e um maior diálogo entre esta e o governo. É isso que falta na Colômbia, mas deixemos para um futuro (talvez) não muito distante.


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