Arte regenerada

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Em 19 de julho de 1937 foi inaugurada pelo Partido Nacional Socialista alemão em Munique uma exposição chamada “Entartete Kunst”, Arte Degenerada. O objetivo de Hitler, no auge do Partido: disseminar a aversão pela arte moderna, indigna de apreciação e confiscada dos grandes museus do país. Os autores dessa impiedosa arte? Os mestres Henri Matisse, Pablo Picasso, Marc Chagall, bem como os pintores alemães Emil Nolde, Franz Marc, Max Beckmann e Max Liebermann, dentre tantos outros.

Todos tinham em comum traços modernos que não se adequavam à “arte oficial” do Terceiro Reich e que, portanto, deveriam ser retirados de circulação no meio artístico, em um temível esforço nazista de “purificação” até mesmo dos ambientes artísticos, sob os mais controversos argumentos.

Quase 80 anos depois, revelou-se que foram encontrados na mesma cidade de Munique cerca de 1.500 obras daqueles grandes mestres confiscadas à época, esquecidas no apartamento do filho de um colecionador que as teria adquirido após o confisco nazista. Segundo as fontes, o pai de Cornelius Gurlitt teria sido encarregado por Goebbels, ministro da Propaganda no regime de Hitler, de vender para outros países as pinturas enquadradas no quesito de “arte degenerada”.

Avaliada em aproximadamente um bilhão de euros (!!!), a descoberta revela, por um lado, que o tempo histórico para a superação total das Grandes Guerras não deve ser subestimado: conflitos de tais proporções apresentam consequências inimagináveis e que devem ser sentidas por gerações até que seus resquícios façam parte apenas dos livros de história.

Por outro lado, vale destacar justamente a importância da arte como forma de expressão poderosa, capaz de influenciar multidões e desde sempre determinante no que se refere à comunicação de posicionamentos e ideais. Neste sentido, é interessante perceber que, tantos anos depois, os artistas perseguidos pelos nazistas possuem tamanho reconhecimento histórico enquanto aqueles que obedeceram forçosamente às regras estéticas do Partido caíram junto àqueles que defendiam seus princípios.

Materialização da liberdade, a verdadeira arte revela-se, pois, regenerada, cada dia mais viva… 


Categorias: Europa, Mídia


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