Antes tarde do que nunca ou hipocrisia compulsória?

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Os Estados Unidos pediram desculpas à Guatemala. O motivo? Somente alguns experimentos científicos com sífilis entre os guatemaltecos. Nada demais, né? Só foram quase 700 pessoas infectadas com a doença. Entre os quais presos e mulheres com doenças mentais. Nada que um pedido de desculpas 64 anos após as pesquisas não resolva…

Os pedidos de perdão parecem mesmo é prática comum nas Relações Internacionais. Vira e mexe os jornais publicam que algum Estado pede desculpa por alguma coisa do passado. “Japão pede perdão aos idosos“; “Estados Unidos pedem desculpas pela escravidão“; “Papa pede perdão por abusos“; “Argentina pede perdão aos judeus“; “Brasil pede perdão a estudantes perseguidos“; “Papa pede perdão ao povo chinês“; “Uribe pede perdão por erros” e por aí vai…

Até o Darwin recebeu pedidos de desculpas… E a Guatemala, hoje perdoando, também já pediu perdão.

Mas o que motiva um Estado a pedir perdão? O sentimento legítimo de algum governante em se redimir? Pouco provável.

Alguns diriam que seria algo como “hipocrisia compulsória”. Hipocrisia por serem as desculpas falsas. Compulsória por só ocorrer por determinada pressão de setores sociais, mídia ou até mesmo pelas relações de poder.

Nos casos de pedofilia na Igreja isso pode até fazer sentido. Mas que tipo de pressão a Guatemala faria sobre os Estados Unidos? E a mídia de lá, estaria preocupada com os guatemaltecos em meio à crise econômica? Será que houve mesmo, neste caso, a tal hipocrisia compulsória?

Mas, em sendo o pedido de fato legítimo, bastaria um pronunciamento da Secretária de Estado? Porque não alguma indenização ou apoio em algo específico? E, se esse apoio viesse, quem garantiria que não estaria ligado a algum interesse que não tem nada a ver com o pedido de desculpas?

Situação complicada. Em geral, de fato, pedidos de perdão são mesmo uma resposta a alguma pressão específica. Em alguns casos, contudo, é mais difícil de entender…

O fato é: todos nós já pedimos desculpas, seja por um motivo ou por outro. Agora é esperar o que os Estados Unidos querem com essas desculpas à Guatemala.


Categorias: Assistência Humanitária, Direitos Humanos, Estados Unidos, Política e Política Externa


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