And the Oscar goes to…

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Para Rob Cohen, “o cinema possibilita o contar histórias diferentes por mais que o tema seja o mesmo: flagrar o movimento do homem rumo à redenção. Há sempre uma alegoria por trás da história.” Neste sentido, pode-se enxergar o impacto do filme ‘Guerra ao Terror’ (assista ao trailer oficial aqui), na medida em que traduz uma história fictícia – porém baseada em situações reais vividas na conjuntura internacional dos últimos anos – devidamente adaptada para o sucesso cinematográfico.

Sucesso este que pode ser traduzido pelos muitos prêmios já recebidos e, é claro, pela constatação das nove indicações ao Oscar de 2010, incluindo melhor filme, direção e roteiro original. Com a proximidade da maior premiação internacional da indústria do cinema (que acontecerá no próximo domingo), a diretora do longa, Kathryn Bigelow, pode se ver em face de uma conquista inédita para uma mulher pelo sucesso da história de um esquadrão voluntário de soldados anti-bombas norte-americanos em missão no Iraque.

Premiações à parte, fato é que a indústria cultural, em que o cinema se destaca enormemente, se mostra como uma esfera analítica cada vez mais importante no âmbito das Relações Internacionais. Refletir acerca dos impactos da veiculação de informações no mundo, especialmente na área de entretenimento, tem sido notável para a compreensão da amplitude do poder cultural sobre a formação de opiniões, discussões e mesmo consensos.

Neste sentido, tal como várias críticas cinematográficas apontam, o ponto de vista do filme ‘Guerra ao Terror’ é predominantemente norte-americano, de forma que caracteriza a vida (e as dificuldades) dos soldados em missão no Iraque, sem que o ponto de vista iraquiano seja contemplado de igual modo – uma ótima análise sobre o filme pode ser acessada aqui.

[Apenas a título de consideração, o nome original do filme, ‘The Hurt Locker’, significa “grande sofrimento”, já expressando a visão presente no desenrolar das ações. Aliás, teve até sargento “da vida real” processando os produtores por acreditar que a história do personagem principal – o comandante do batalhão, um sargento “viciado” na missão da guerra – coincide com a sua…]

É inegável que a discussão sobre os aspectos e conseqüências da factual Guerra ao Terror deve perdurar por algum tempo e ser explorada ainda de formas diferentes (e possivelmente parciais) pela indústria cultural. Resta saber, pois, se a famosa frase do Oscar de 2010 confirmará o aparente favoritismo do presente projeto hollywoodiano relacionado a esta questão.


Categorias: Cultura, Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


3 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

Bom, eu não assisti nem ao filme 'Avatar' nem ao 'Guerra ao Terror' para opinar com um pouco mais de propriedade, mas pelo que li a respeito deste último, certamente não se trata do ponto de vista do "fraco/oprimido/invadido".Na minha opinião, segue no prêmio a política tácita (ou nem tanto) de coroar as obras cinematográficas cujo teor das mensagens mais agrada ao projeto cultural de Hollywood...

Álvaro Panazzolo Neto
Álvaro Panazzolo Neto

Eu torcia mais pelo Star Trek... Piadas à parte, dizem que, curiosamente, o tal Avatar (que eu ainda não vi) tem uma crítica mais construtiva à Guerra no Iraque, pois seria o ponto de vista do "fraco/oprimido/invadido". Mas não confirmo isso...

Bianca Fadel
Bianca Fadel

E não é que o favoritismo foi confirmado mesmo ?! =P(...)