And the Oscar goes to…Chávez?

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Não, objetivo do post não é tratar da premiação do Oscar desse ano que já fora há algumas semanas. Tratamos de uma premiação assaz singular, a um líder também singular e por feitos em um campo ainda mais singular. Talvez esse seja um adjetivo adequado para tratar do prêmio dado ao presidente venezuelano, Hugo Chávez por suas contribuições à liberdade de imprensa. Um episódio que parece ser distante da realidade atual, tanto do país sede do prêmio quanto do chefe de Estado que o recebeu. Como se ambos tentassem garantir ao grande escritor e jornalista argentino, Rodolfo Walsh, uma caneta para traçar novos caminhos nas páginas da história sul-americana.

Se singularidade for um adjetivo adequado para o ocorrido, somos capazes de ver, até sem um grande esforço, algumas incongruências e incoerências no evento. Comecemos pelo prêmio e pelo vencedor. Essa é uma homenagem de telecomunicações garantida sempre a destaques ou àqueles com feitos memoráveis no campo. E não podemos dizer que entupir as cadeias nacionais com discursos presidenciais ou mover redes televisivas para a TV sejam formas muito claras de liberdades.

Ora, outra incoerência é o fato de o prêmio ser garantido a Chávez na Argentina, um país que atualmente não é um grande exemplo da liberdade de imprensa. Apesar de ser concedido por uma universidade, a Faculdade de Jornalismo e Ciência da Comunicação (UNLP), e não pelo governo, o simples fato de ocorrer em território argentino é representativo. É bom lembrar que no domingo, o jornal O Clarín (principal crítico do governo) não circulou no país por uma manifestação do sindicato dos caminhoneiros na garagem do jornal.

Como no Brasil, na Argentina, os sindicatos são ligados ao governo e os líderes sindicais são funcionários públicos como quaisquer outros. O que sugere alguns questionamentos sobre se eles tinham o aval do governo para agir dessa forma. Bom, as dúvidas a parte sobre a participação de Cristina Kirchner apenas aumentam essa incongruência.

Bom, todos sabemos que seria muito difícil para uma personalidade como o líder venezuelano não causar uma polêmica sequer em seu giro pela América do Sul. Pode ser que Chávez talvez merecesse mais. Poderia muito bem ganhar um Oscar por sua atuação nesse filme, passado em um território onde a imprensa não está lá com muita bola e no qual o prêmio com o nome de um questionador de censuras e autoritarismos é dado a um líder que pratica, no mínimo, um desses dos dois delitos. É de se pensar…


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