Amigos, amigos…

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E Lula conseguiu frutos na sua viagem ao Irã. Por mais que a visita fosse de caráter comercial, o Brasil conseguiu costurar um novíssimo acordo com a Turquia e o Irã pra tentar dar fim ao impasse do programa nuclear iraniano. Novíssimo? Ora, trocando em miúdos não é o mesmo que fora ofertado pelos países da União Européia e os EUA no ano passado e solenemente defenestrado pelo presidente Ahmadinejad? Qual a novidade então?


Aparentemente, é uma vitoria da diplomacia do “bom senso” e cordialidade do Lula paz e amor. Vejam países centrais, é possível negociar e evitar o vexame das sanções! Esse é o mesmo sentimento que motiva a Turquia em buscar esse acordo. Certamente os dois países demonstram capacidade notória de evitar conflitos através de negociação, idéia original do Conselho de Segurança. Por que não, deveriam ser alçados ao cargo de membros permanentes! Que plano engenhoso. Agora os países centrais vão ter que dar o braço a torcer.

Obviamente, o Irã está sorrindo de uma orelha à outra. Aproveitando da busca de proeminência do Brasil e da confiabilidade da Turquia como membro da OTAN, procrastinam a tomada de decisões no CS com esse apoio de membros não-permanentes sem precisar temer uma reação mais agressiva de EUA, e principalmente de Israel. Pode-se imaginar o que se passa pela cabeça de outros chanceleres e líderes favoráveis às sanções, uma dúvida perene – “o Irã não cederá…mas vai que o Lula consegue?”.

Esse é o ponto: quase ninguém estava levando fé no acordo; mesmo a Rússia, que tem uma certa simpatia pela idéia, não acreditava muito no sucesso da empreitada. Agora que o tal acordo saiu, pouca coisa muda, pois o Irã teima em sua intransigência. Não adianta Ahmadinejad esperar cooperação enquanto continua a enriquecer o urânio e esconde seu potencial verdadeiro (há muito mais que os 1200 kg do acordo…), jogando no lixo todo o esforço de negociação e apenas aborrece o time das sanções. Países da União Européia e EUA vêem com desconfiança, rejeição ou ironia o documento.

O pior é que o Brasil se ilude com uma suposta imagem de player arrojado. O encantamento inicial de Obama com o país gradualmente se transforma em perplexidade, visto que o Brasil anda atraindo para si, quando não a imagem de descrédito ou de pura tolice (como infere Isarel), ainda mais desconfiança. Lembrem da recusa brasileira quanto aos termos do protocolo adicional do TNP, ainda mais em ano de revisão. Não é à toa que tenha gente que comece a temer o Brasil como apontado anteriormente. Me aproveitando do adágio popular, com amigos assim…


Categorias: Brasil, Estados Unidos, Organizações Internacionais, Oriente Médio e Mundo Islâmico


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