Ameaça silenciosa (ou silenciada?)

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A China: esse gigante econômico e político que vem desafiando, cada vez mais intensamente, a supremacia ocidental nas relações internacionais. Um país ainda envolto em muita obscuridade, onde muito do que acontece internamente não recebe atenção internacional, e vice-versa. A questão do tráfico de crianças chinesas pode certamente entrar nesta análise.

Questão delicada, a qual constitui hoje uma das maiores ameaças silenciosas (ou silenciadas?) aos cidadãos comuns deste gigante país oriental. As cifras são incertas em relação à quantidade de crianças vítimas deste tráfico humano: diz-se que o número pode oscilar entre 10 mil e várias dezenas de milhares (!) por ano. E, ao contrário do que seria esperado, o problema só parece aumentar…

Segundo os dados oficiais do governo (confiáveis?), em 2011 foram encontrados mais de 8 mil crianças traficadas. Recentemente, o governo também anunciou a prisão de mais de 800 pessoas acusadas de tráfico de crianças. Ainda, uma proposta governamental para restringir as regras no processo de adoção de crianças (mais aqui) foi apresentada com o mesmo intuito de combater essa onda de tráfico humano.

Entretanto, segundo informe sobre tráfico humano deste ano publicado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, a China não cumpre totalmente os requisitos mínimos para a eliminação do tráfico humano, tampouco dando provas de que esforços neste sentido estão sendo empreendidos.

Fato é que a gravidade do problema ainda é clara. O governo apenas divulga dados oficiais com números de crianças resgatadas (e não sequestradas), e as organizações internacionais em geral tampouco têm se mobilizado para exigir detalhes a respeito de um tema assim tão delicado envolvendo a poderosa China. Daí se percebe que esta ameaça considerada como “silenciosa”, na verdade também tem sido “silenciada” por todos os que teriam condições de oferecer maior atenção ao tema.

As principais razões para o tráfico de crianças na China podem ser elencadas como as seguintes: para se vender a famílias que não têm filhos; para casamentos arranjados; para prostituição; e para o trabalho forçado. A polêmica política de um filho por casal existente nesse populoso país também pode ser considerada um fator impulsionador para o chamado “negócio com bebês”, os quais são “comercializados” mesmo internacionalmente.

Segundo a imprensa chinesa, o preço (!!!) estimado de uma menina varia de 3.700 a 6.200 euros, enquanto um menino custa em torno de 8.700 a 10.000 euros. Estimar o preço de uma vida humana parece parte de um próspero negócio chinês, em que a crueldade de se tirar uma inocente criança de sua rotina para inseri-la neste tráfico, bem como o eterno sofrimento dos pais, não são elementos considerados.

A esperança de encontrar estas crianças perdidas certamente não deixa de existir durante toda a vida dos pais. Contudo, a realidade mostra que, cada vez mais, este gravíssimo problema vem sendo silenciado por todas as instâncias que efetivamente poderiam contribuir para esse processo… 


Categorias: Ásia e Oceania, Polêmica


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