Agora eles querem, né??

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Depois de um longo histórico de troca de farpas iniciado na ocasião da invasão da Geórgia pelos russos, em 2008, o secretário-geral da OTAN agora quer estreitar laços com a Rússia. Apesar das divergências, Rasmussen acredita no diálogo franco entre as partes “para reduzir as tensões na Europa e as ameaças comuns de confronto”.

Uma camada de gelo repousa nas relações dos ex-inimigos de guerra fria. A título de curiosidade, o site do fórum de discussões entre OTAN e Rússia (Nato-Russia Council) está desatualizado desde julho de 2008. Aranhas de várias espécies já teceram suas teias e se instalaram nos cantinhos do portal.

Até pouco tempo atrás, a Rússia estava se armando em resposta à expansão da OTAN para a Geórgia e Ucrânia. Ora, se o processo de entrada desse primeiro país na Aliança for concluído, pelos tratados da organização, atos belicosos contra a Geórgia serão extendidos aos demais integrantes. Alguém consegue imaginar um bom fim para uma guerra entre Rússia, de um lado, e Estados Unidos e Europa, do outro?

O argumento de Rasmussen dessa vez é que integrantes da aliança serão convidados a visitar Moscou e escutar a visão do Kremlin sobre como a OTAN deveria se desenvolver estrategicamente no longo prazo. A Aliança quer colaboração sobre Afeganistão, terrorismo e pirataria, e uma proposta de nova arquitetura de segurança para a Europa.

E qual é o interesse por detrás dessa súbita demonstração de ‘amizade’? Eu destacaria alguns pontos: Irã, Coréia do Norte e Ásia Central. Nessa semana, houve pressão por parte de Israel para taxativamente afirmar que o Irã vai explodir o mundo em muito breve, sim. Ásia Central, um formigueiro de petróleo, pobreza e fanatismo: mistura explosiva. Coréia do Norte (nem precisa comentar nada…). Apesar do declínio, o apoio da Rússia é estratégico para controlar melhor o que se passa nessas áreas tumultuadas.

Resta saber a que preço a Rússia vai cobrar.


Categorias: Organizações Internacionais


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