Agora é oficial

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Agora é oficial: após dois meses de espera, Peña Neto foi declarado presidente eleito do México pelo Tribunal Eleitoral de seu país, que validou as (tão questionadas) eleições presidenciais realizadas no dia 1º de julho.

Toda a discussão gira em torno do fato de que, após 12 anos de governo de oposição, Enrique Peña Neto representa a volta ao poder do Partido Revolucionário Institucional (PRI), tradicionalmente envolto em denúncias constantes de clientelismo e corrupção. Uma volta ao poder repaginada às custas do perfil de um político jovem e atraente, mas com o mesmo teor ideológico que marcou mais de sete décadas de governo (1929-2000). [Veja post já publicado no blog a respeito aqui.]

Trata-se do velho-novo, ou novo-velho, que assombra a política mexicana e volta em meio a um misto de polêmica, indiferença e decepção. Polêmica por se tratar de mais uma eleição conturbada no México (o que não é novidade por lá, infelizmente), marcada por denúncias de compras de votos e manipulação de resultados. Indiferença de boa parte da população que sucumbe às práticas clientelistas em um sistema de compra de votos que não poderia/deveria ainda ser possível nos dias de hoje, evidenciando uma sociedade carente de consciência política, mas principalmente de recursos básicos e acesso à educação. E decepção no que se refere à esperança de transparência nos processos democráticos nessa que é uma das grandes economias e populações do mundo, de tamanha importância em sua região e vizinha estratégica dos grandes “irmãos do norte”. [Muitos vídeos se encontram disponíveis na internet com sérias denúncias de fraudes eleitorais, veja um deles aqui.]

Andrés Manuel López Obrador, o candidato da oposição que amarga uma segunda derrota consecutiva, insiste em questionar a decisão oficial do Tribunal Eleitoral, incitando seus simpatizantes a continuarem os protestos. Protestos que também estão sendo realizados pelo aclamado movimento estudantil “Yo soy 132” – o qual, apesar de se declarar apartidário, se opõe abertamente ao retorno do PRI (e de tudo o que o partido simboliza) ao poder.

Enfim, muitas discussões ainda devem rodear este assunto nos cenários nacional mexicano e internacional até que a cerimônia de posse se concretize, tal como prevista, em dezembro próximo. A eleição de Peña Neto para o governo do México no período 2012-2018 pode até ser “oficial”, mas, diante dos fatos, ainda restam sérias dúvidas em relação à sua legitimidade… 


Categorias: Américas, Polêmica, Política e Política Externa


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