Admirável mundo novo

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Caros leitores, bem-vindos ao admirável mundo novo contemporâneo. Porém, não se iludam. Não estamos falando do best-seller de Aldous Huxley, escrito em 1931. Não falamos de uma sociedade totalitária a nível global, mas nada nos impede de visualizarmos totalitarismos locais. Totalitarismos loucos e sedentos por uma glória absurda. Ordem? Que ordem? Só mesmo como aspiração, como um elemento histórico das relações internacionais não aplicável ao atual contexto. Paz, felicidade e satisfação dos desejos? Apenas enquanto a guerra se convalida como o esporte dos reis, enquanto se comanda a máquina do mundo. Somos todos selvagens.

Ontem, em conversa com o Alcir, eu expressei minha rebeldia: só dá Coréia do Norte na mídia. Já estou cansado de ficar falando de uma múmia caquética comandando espetáculos pirotécnicos. De um ditador despojado do dom de viver que prefere que seu próprio povo feneça enquanto sua vida se esvai. Deixemos registrado: o governo norte-coreano resolveu invalidar o armísticio que tinha com a Coréia do Sul, o qual vigorava desde o término da guerra de 1953. Olha, eu sinceramente nunca vi, em toda a história, uma empreitada militar sem a perspectiva de abastecimento resultar em sucesso. É fato que a Coréia do Norte detém o terceiro maior exército do planeta, assim como é verídico que o país depende de ajuda financeira externa e de energia e alimentos.

Depois ainda dizem que a Coréia do Norte é socialista. Ah, é verdade! O país socializou as loucuras e os anseios de um ditador. Socialismo agora é assim, basta socializar, não importa o quê, e a felicidade é forjada.

Eu, particularmente, estou de acordo com a opinião do governo norte-americano: a chance de um conflito militar é remota. Há a iminência, mas se restar um mínimo de juízo na cabeça mofada de Kim Jong-il, tudo não passará de um incidente diplomático. E é bom o senhor se comportar direitinho, senão a comunidade internacional realmente vai começar a pegar pesado com a China, a maior aliada norte-coreana.

E agora, Pequim? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Pequim? Opa, errei, era José. Peço desculpas ao Drummond, mas não pude resistir à tentação de parafraseá-lo. Até quando a China vai se manter firme no seu pau de sebo? Ou poderá se utilizar deste episódio para contrapor uma maior presença norte-americana na região e, assim, ir se consolidando cada vez mais como uma potência hegemônica? Aliás, uma coisa interessante para se notar é que os testes nucleares da Coréia do Norte tiveram efeitos na política interna chinesa, provocando divergências entre o Partido Comunista e a Chancelaria.

Peguemos um avião e voemos para a América Latina. Já expressei minha rebeldia. Chega! Vocês viram que agora a Venezuela e a Bolívia estão sendo acusadas de fornecerem urânio para o Irã? Daqui a pouco o Chavez também vai resolver seguir o exemplo iraniano, vai enriquecer urânio para dar energia à sua eterna presidência.

E o Brasil que agora tem foco terrorista, dá para acreditar? Se o blog tem um colaborador fantasma, o Brasil tem o “libanês K”. Eu já disse e agora repito: o terrorismo é um ótimo negócio. Nunca vi dar tanta mídia uma tema como esse. Agora vamos ser rotulados como um reduto da Al Qaeda. Como eu gostaria de ver um avião caindo em pleno Congresso Nacional.

É, meus amigos, nós temos visto “coisas estranhas” nestes últimos tempos. Desde trágicas a cômicas, o que faz deste mundo um mundo admirável. Totalitário para uns, feliz para poucos e sem ordem alguma. Cada vez mais escrevemos a obra de Huxley com linhas tortas.

Boa noite, pessoal! Vou tomar o meu soma.


Categorias: Américas, Ásia e Oceania, Brasil, Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


3 comments
Giovanni Okado
Giovanni Okado

É muito bom ouvir elogios de duas pessoas como vocês, Bianca e Alcir.Não nos esqueçamos que a Coréia do Norte continua com suas aventuras e lançou um míssil de curto alcance desta última vez. As instituições internacionais estão cada vez mais desacreditadas mesmo. Nestas horas, vemos o quanto o realismo pulula o imaginário da comunidade internacional.Abraços.

Bianca Fadel
Bianca Fadel

Giovanni como sempre com belos posts! [2]Realmente, é interessante perceber a implicação da situação da Coréia do Norte em relação à Ásia, especialmente a China. Certamente a mídia muito ainda discutirá (ou alardeará) a respeito, mas é fato que, infelizmente, a comunidade internacional em pouco pode influenciar a tomada de decisões do governo norte-coreano. A interdependência e as instituições existem, mas talvez compartilhemos muito mais os riscos em situações de crise do que algum tipo de influência nas decisões soberanas...Até mais ! =)

Alcir Candido
Alcir Candido

Giovanni como sempre com belos posts!só falta mesmo a figura quase mitológica do Rafael Braz aparecer!