A volta dos que não foram.

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E o Wikileaks ataca novamente. Fiel a seus princípios e confirmando as “ameaças” feitas há algum tempo, o site liberou uma remessa enorme de documentos diplomáticos secretos dos EUA (Aqui o original e a versão em português). De nada adiantaram os ataques virtuais que almejavam impedir a liberação dos documentos: diversos jornais de todo o mundo já estavam em posse de alguns documentos e revelaram ao mundo uma face pouco conhecida da diplomacia estadunidense. E é apenas o começo, muitos outros serão publicados gradualmente durante a semana, podendo por em choque grande aliados dos EUA.

O conteúdo desses documentos está disponível e sendo discutido à exaustão na mídia, indo de ordens de espionagem, mesmo contra países neutros e funcionários da ONU – incluindo o secretário-geral – até informações pessoais de diversos líderes mundiais. Parece que Lula escapou dessa, mas o Brasil entra nesse samba com informações difusas acerca de prisões em território nacional de acusados de auxílio ao terrorismo, disfarçadas de detenções comuns relacionadas a crimes mais mundanos como o narcotráfico (se bem que são coisas intimamente relacionadas hoje em dia…).

Bom, não é o fim do mundo – ao contrário do outro vazamento, já discutido aqui, esse pode não por em risco direto a vida de combatentes e cidadãos, e boa parte das informações revelam coisas óbvias, mas o vazamento torna um pouco mais dificultosa a tarefa dos diplomatas dos EUA, que vão ter de lidar com esse constrangimento – ainda mais quando se é o país mais influente do mundo e vai ter de dar explicações a MUITA gente. Vejam bem, diplomacia nunca foi algo considerado, por assim dizer, sincero. Basta lembrar da diplomacia européia do século XIX, e suas cláusulas secretas que tanto estrago causaram no começo do século XX. Quem garante que isso ainda não ocorra? A diplomacia vive de aparências, e existem coisas que não se espera sejam trazidas a público. Os documentos cobrem o período de 1966 a 2010, e se mostram alguma coisa pode ser como funciona por dentro a “cabeça” de uma potencia mundial em relação aos demais países. Prepotência? Talvez. Mas quem garante que outros países não façam coisas semelhantes? Se os EUA, bastiões da virtude, espionam e pressionam (ainda mais) por baixo dos panos, o que fariam países como China e Rússia?

Se servem para alguma coisa, além de constranger os EUA, tais documentos podem incentivar aos demais países que evitem essas práticas “desonestas” sob o risco de terem tais informações vazadas no futuro. Claro que não é possível mudar um costume como esse de uma hora pra outra, um exercício de otimismo pouco viável, mas nunca se sabe como a era informacional pode influenciar os Estados nos anos vindouros. E a Wikileaks está aí para tentar mudar isso.


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