A volta dos que não foram

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Putin: mais feliz do que nunca…

Ex-diretor da KGB (Serviço Secreto Soviético), ex-diretor de políticas externas do governo de Boris Iéltisin, ex-presidente da Rússia (2000-2008) e atualmente Primeiro Ministro russo. Influente, ativo politicamente, em boa forma e de pouca expressão emocional, Vladimir Putin é o tipo de político que não larga o osso.

O atual Premier russo participou nessa sexta de um programa de talk show em Moscou, respondeu perguntas dos telespectadores e se demonstrou bastante preocupado com a situação da população russa. Ao ser questionado sobre a possibilidade de se candidatar para as eleições em 2012, respondeu: Eu vou pensar nisso.

Vladimir Putin governou a Rússia com “mãos de ferro”, endureceu o relacionamento com países vizinhos, reformou a política interna do país e colocou em questão o regime democrático que afirmava governar o país.

Sua gestão como presidente foi marcada pela forte repressão aos rebeldes chechenos, que terminou no ataque terrorista a escola de Beslan (com a morte de 186 crianças); limitou a liberdade de imprensa impondo uma censura que controlava os meios de informação dentro do país (coincidência ou não, durante seu termo, 13 jornalistas ‘morreram’ em circunstâncias um tanto duvidosas – deixo ao leitor a interpretação desse fato); expulsou diversas ONGs Internacionais de Direitos Humanos do país, como a Anistia Internacional, sobre a alegação de que haviam perdido a licença para atuarem no país.

Ainda sim, o presidente teve sua reeleição para o segundo mandato (2004-2008) com cerca de 70% de aprovação entre os eleitores. Teve pontos fortes em seu governo, como a recuperação da economia russa, em crise profunda desde o final da guerra fria, permitindo um crescimento que chegou aos 10% anuais; colocou a reforma do sistema de saúde russo como prioridade em seu segundo mandato; foi um dos países que se opuseram à invasão do Iraque em 2003 perante o Conselho de Segurança da ONU; determinou o apoio russo ao Irã na produção de energia nuclear com fins pacíficos, fez uma visita ao país em 2007, o que mostrou um posicionamento frente aos interesses norte-americanos.

Após sua presidência, por impossibilidade de reeleição pela terceira vez, Putin apoiou seu aliado Dmitri Medvedev, que por sua vez nomeou-o para sua atual posição de primeiro ministro. Durante o atual governo, o ex-presidente se mostrou extremamente influente e ativo na política, levando muitos a questionar a autonomia de decisões de Medvedev. Quando o atual presidente reformou o tempo de mandato de 4 anos para 6 anos, logo no início de sua gestão, críticos viram uma manobra política arquitetada por Putin para se assegurar por maior tempo no poder.


Experiente politicamente, influente na sociedade russa, poderoso e intimidador, Vladimir Putin é o típico político maquiavélico, aquele que sabe muito bem aproveitar seus recursos disponíveis para atingir seus fins e, mais do que nunca, aprendeu desde cedo que é melhor ser temido por todos que amado por muitos.


Categorias: Política e Política Externa


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