A volta dos que foram. E saíram, depois tornaram a voltar…

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E olha aí, o bom e velho Zelaya dando as caras novamente. Na semana em que Honduras muito provavelmente vai ser readmitida na OEA, o presidente exilado volta a seu país dando declarações de paz e amor com o atual mandatário, Porfírio Lobo.

Claro que uma coisa tem a ver com a outra. Pra quem não lembra, a crise começou em 2009 quando Zelaya teve a brilhante idéia de contornar a Constituição e pedir um plebiscito para tentar se reeleger. Não deu muito certo, e a oposição teve a não menos constitucional idéia de removê-lo do poder e mandá-lo de mala e cuia pra Costa Rica. Deu no que deu: Zelaya apareceu do nada na Embaixada do Brasil onde se entocou por 120 dias, criou-se um mal-estar entre os que reconheciam ou não o governo golpista (palavra forte para muitos países sul-americanos…) e Honduras saiu da OEA.

Todavia, com a negociação entre as partes, negociada por Venezuela e, principalmente, Colômbia, tudo parece estar em paz. Zelaya foi autorizado a retornar a seu lar, a crise institucional parece contornada e articula-se o consenso na OEA para a readmissão. Paz aparente, claro, com as denúncias de repressão, impunidade e violência contra jovens e camponeses. E há ainda quem reclame do golpe de Estado estar passando impune por meio desse acordo político.

No fim das contas, ganham Zelaya (que retorna), Lobo (que fica no poder até as próximas eleições e pode levar o país de volta à OEA) e, correndo por fora, a Colômbia de Juan M. Santos. O país costurou em grande parte esse acordo, eclipsando a Venezuela e o Brasil (que só se atrapalhou nessa história), demonstra ser um interlocutor viável para a região e que mostra como seu presidente Santos parece ser uma versão tropical do russo Medvedev, saindo da sombra de seu padrinho político de maneira surpreendente.


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