A Volta de Zelaya (parte III)

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[Galera, é com muito orgulho que apresento o primeiro post do nosso colaborador fantasma Rafael Teixera Braz! Depois de muito tempo ele aparece por aqui! Mais sobre Honduras? Clique aqui]

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E cá estamos novamente no terceiro episódio de “A volta de Zelaya (parte III)”. Pois é senhores, Manuel Zelaya está de volta ao território hondurenho e dessa vez se encontra ilhado na embaixada brasileira de Tegucigalpa, no entanto a situação não é estável como já poderíamos esperar.

Segundo o Chanceler brasileiro Celso Amorin, o Brasil não tem nenhuma ligação com a volta do Presidente Hondurenho que chegou ao território do país por conta própria, e que após isso, pediu uma espécie de “asilo” ou mais parecido como um “refúgio” na embaixada brasileira onde se encontra até agora. Com essa jogada ousada por parte do presidente deposto as movimentações podem esquentar no país, pois afinal o intuito de Zelaya aparentemente é movimentar e motivar as massas que estão ao seu favor a organizar algum tipo de reação como forma de pressionar o governo a negociar uma retirada.

Estratégia ousada, no entanto, precisamos vê-la mais a fundo. Assim que chegou a Tegucigalpa e se “refugiou” na embaixada brasileira, cerca de 4.000 apoiadores de Zelaya se reuniram em frente á embaixada para divulgar seu apoio, porém pouco tempo depois, houve uma repressão bastante intensa desses manifestantes por parte da polícia que os “combateram” a cassetadas. O que começou com uma estratégia de levantar a população contra o governo de fato, terminou com uma contra-estratégia de forçar a embaixada a entregar Zelaya à justiça hondurenha, realizando um “cerco” do local e apontando diversos alto-falantes para a embaixada com o hino de Honduras tocado de uma forma bastante estridente, de forma a pressionar psicologicamente seus funcionários.

Contudo, entre esse jogo de pressão para cá e para lá, o governo brasileiro reitera o apoio ao presidente deposto ao mesmo tempo em que espera pela conclusão da situação por meio de uma negociação pacífica. No entanto, a situação se mantém complicada a medida que um ataque à embaixada brasileira seria um ataque ao território brasileiro e a partir daí, não preciso dar detalhes. Depois de recorrer ao governo Norte-Americano e ao secretário geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) para pedir a segurança das pessoas que trabalham na embaixada brasileira, o governo brasileiro através do presidente Lula pediu para que Zelaya não fizesse nada que desse pretexto aos “líderes do golpe de Estado” a invadir a embaixada brasileira.

O clima de tensão é bastante intenso, o governo interino de Honduras alegou que vai responsabilizar o Brasil por qualquer violência que ocorra mediante a situação. No entanto, cabe a nós pensar qual seria a chance de que uma real invasão ocorresse na embaixada e isso me leva a crer que é bastante improvável. O Brasil é reconhecidamente um país pacífico em termos internacionais, sempre favorável à resolução de conflitos por meio da negociação, além disso, a sociedade internacional já afirmou seu apoio contra o golpe dado e reiterou sua posição favorável à volta de Zelaya ao governo. Qualquer ataque à embaixada brasileira seria no mínimo um tanto impensado por parte do governo interino. É importante lembrar que o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial também suspenderam a ajuda a Honduras como forma de protesto ao golpe.

O governo de Micheletti se encontra ilhado em meio ao cenário mundial. Uma atitude impensada agora poderia levar realmente ao afogamento do governo interino, e pensando por outro lado, não é que o Zelaya conseguiu o que queria? Após três tentativas de retorno à Honduras, consegue finalmente adentrar ao território e ainda atrai a atenção de todos para a situação, obrigando todos os envolvidos agora (inclusive o Brasil) a buscar uma resolução.
Como toda boa novela, a cada capítulo um novo personagem aparece com uma nova problemática que se liga a história principal. Não percam o próximo capítulo… essa novela está dando o que falar…


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