A única certeza é a incerteza

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A Coreia do Norte anunciou ontem, dia 29 de Fevereiro, o que poderá ser o início de um maior diálogo rumo à transparência nuclear do país. Além de suspender os programas nucleares, propriamente ditos, parar o enriquecimento de urânio e interromper o lançamento de mísseis de longo alcance, os norte-coreanos autorizaram a visita de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no complexo de Yongbyon, onde se situa o principal centro de pesquisas e estudos envolvendo os temas citados acima.

Muito se falava no futuro da Coreia do Norte após a morte do seu líder Kim Jong-Il. Os rumores indicavam que Kim Jong-Un, seu filho mais novo, assumiria o cargo de “eterno presidente” e assim o fez. Na verdade, o Estado norte-coreano sempre manteve um regime fechado e isto dificulta, em vários aspectos, o conhecimento de sua política interna por parte do outros atores internacionais.

A incerteza para com o regime de Jong-Un é tamanha que ainda é cedo prever o quão importante será esta nova medida adotada em comum com as Nações Unidas (ONU) e os diplomatas norte-americanos. Isto é tão verdade que líderes japoneses e sul-coreanos denominaram “primeiro passo” à decisão de findar o programa nuclear do seu vizinho. Mesmo com notícias animadoras sobre uma possível mudança de paradigma da política exterior da Coreia do Norte, devemos manter a incógnita que sempre esteve ao lado do país.

Uma suposta trégua anunciada não toma o lugar de uma história de ameaças, tensões fronteiriças e conflitos diretos. Com o fim da Guerra da Coreia em 1953, houve um cessar-fogo e a criação de uma zona desmilitarizada no Paralelo 38º N, ou seja, teoricamente o embate teve seu final, mas a possibilidade de uma luta armada sobrevive ainda nos tempos atuais.

Em troca, o governo norte-americano enviará cerca de 240 mil toneladas métricas de alimentos, fato que evidencia a carência vivida pela Coreia do Norte em virtude de seu isolacionismo no sistema internacional. É isso, também, que torna o país cada vez mais imprevisível. São novos atores, novos temas e novos tempos. Talvez Jong-Un inaugure uma nova era para os norte-coreanos, todavia, o mais certo é a incerteza que perdura há quase sessenta anos. Todo desenvolvimento nuclear realizado até então permanecerá e o governo norte-coreano não abrirá mão dele.


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