A tal da Tortura

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Senador Leahy, de Vermont acaba de requisitar uma comissão da verdade (“comission of truth”) para lidar com as acusações de tortura que os EUA recebem diariamente. Diz que nada danificou mais a imagem dos EUA do que o mundo saber que eles “cruzam a fronteira da lei e do poder executivo” para obter informações. Mas só os EUA fazem isso? E até que ponto isso é errado?

Em relação a primeira pergunta, é bem difícil que nenhum país tenha utilizado de meios “não-ortodoxos” para obter informação, exceto é claro, na Disneylândia e no Hopi Hari. Afinal, em situações com baixo tempo de resposta + alto risco é a tendência do ser humano ir alem dos limites de sua moral para garantir a sobrevivência, além da justificativa normalmente empregada “machucar um para salvar vários”. Não estou querendo justificar Abu Ghraib e Guantánamo (longe disso, esses locais são aberrações), mas nós aqui no Brasil não estamos ou acreditamos estar sob ameaça de forças além-mar. Nós aqui no Brasil torturamos sim, não só para obter informações (de forma não oficial, claro), mas para moldar oficiais (quem conhece a formação de militares do Brasil deve concordar com isso).

“Ah! Então é correto torturar?”. 26% dos brasileiros dizem que se fossem policiais torturariam criminosos para obter informações (IBOPE – Mar/08). “Tropa de Elite” foi um grande sucesso, chegando a ser mais sado-masoquista que 24 horas. Ambas obras de ficção que tem heróis fãs da violência com suspeitos.

“Então a tortura ser relativamente legitimada pela população deveria torná-la melhor vista por seus opositores?” Nunca. Obviamente existem limites para essa prática e situações, de certa forma bem definidas, de quando ela deve ser usada, como em casos de extrema urgência ou quando os meios de negociação formais falharem. E apenas em crimes graves que envolvam perdas iminentes de vidas, e assim vai.

Melhor parar por aqui senão podem acusar este que vos fala de apologia à violência ou algo assim. Mas pelo menos pensem se não estão sendo hipócritas antes de tudo.


Categorias: Estados Unidos, Política e Política Externa


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