A próxima vítima

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Caiu mais um ministro. Mas não, não estamos falando do Brasil – a Página é “Internacional”, oras. Na tempestade europeia, é a vez do Primeiro-Minstro da Romênia dar adeus ao governo e se juntar a um seleto grupo de governantes que foi devidamente defenestrado por causa da crise.

O nome da vez é Emil Boc, conservador, que renunciou, além das acusações de autoritarismo junto com o presidente Traian Basescu, pela rejeição popular a medidas de austeridade econômica. O roteiro é bem parecido com o de muitos outros países europeus: na Irlanda, Reino Unido, Portugal, Espanha, Holanda e Dinamarca, foi por meio do voto, enquanto na Itália e na Grécia a coisa foi mais dramática, com renúncia dos líderes pra evitar o pior. Em todos os casos, “crise econômica” era o denominador comum. E persistindo a crise, outros mais podem cair.

Seria interessante fazer esse exercício de previsão. Quem seria o próximo? Começando por Alemanha e França, os mais pujantes, a chance é muito maior para o segundo país. A Alemanha continua firme e forte enquanto a França tem um governo desgastado e que carrega o peso de decisões ruins e escândalos de monsieur Sarkozy – não cai, mas tampouco será reeleito.

Mais para o leste, os países parecem, nesse momento, estar com preocupações mais urgentes, como a onda de frio que já matou mais de 300 pessoas. Isso não impede, por exemplo, que na República Checa haja uma controvérsia que rachou o governo – o país não faz parte da zona do Euro, mas precisa acatar medidas de austeridade para, em alguma hora, aderir à moeda comum. Não é uma queda iminente, mas a luz amarela está acesa.

E nem mesmo nos países onde a coisa parecia resolvida (em termos de queda de governo, claro…) as coisas vão bem. Na Grécia, o governo que entrou há três meses já estoura prazos de negociação e pode cair por causa desse impasse na redução de gastos. Se der errado, (já se fala em algo mais drástico como uma moratória), vai levar meia Europa junto. Mesmo na Islândia, que já mencionei aqui como um caso exemplar de como lidar com a crise, o presidente vai renunciar depois de 16 anos por conta de um impasse na negociação de dívida com bancos holandeses e britânicos.

A grande ironia de tudo isso é que a salvação deve vir de fora. A China tem muito interesse em uma Europa estável, como seu principal mercado de exportação. A Alemanha já fez sua parte, cortejando Beijing para aumentar sua parcela de ajuda nos fundos de resgate europeus, e parece que nas negociações multilaterais a China é a única que deve ter força (leia-se, grana) suficiente para evitar essa matança em série de gabinetes.


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