A Otan sexagenária

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A Otan se reuniu entre os dias 3 e 4 em Estrasburgo, França, para celebrar seus 60 anos em um encontro de chefes de Estado do Conselho do Atlântico. Muita pompa e segurança para receber o evento, com direito a (mais) gafes do Berlusconi, cerca de 300 presos em protestos, a nomeação do premiê dinamarquês Anders Fogh Rasmussen para o cargo de secretário-geral, a aprovação de mais 5 mil soldados para o Afeganistão (apoiando a proposta americana, sim, além dos 42 mil já em combate) e a volta da França para a estrutura completa da organização.

Mas o que vale ressaltar aqui são dois pontos: a reaproximação com a Rússia e a expansão das fronteiras na Aliança Atlântica. Como se sabe, Albânia e Croácia tornaram-se oficialmente membros da organização. Os diálogos para acesso ocorrem também com Macedônia, Bósnia Herzegovina, Finlândia, Geórgia , Montenegro, Sérvia e Suécia.

Sobre a Rússia, os líderes destacaram os “benefícios mútuos” que a cooperação com este “grande aliado europeu” traduz. Logo, aprovou-se a decisão de retomar as reuniões do Conselho Otan-Rússia, interrompidas desde agosto pelo conflito na Geórgia. Na época, a Rússia invadiu a Geórgia em nome do separatismo da Ossétia do Sul e comprou uma briga com toda a comunidade internacional, chegando mesmo a ter suas relações com a OTAN quase congeladas.

Enfim, as relações Rússia/Ocidente, que pareciam caminhar para uma distensão após esse período turbulento, voltaram a preocupar, ao que o presidente russo Dmitry Medvedev declarou suas intenções de renovar o armamento russo em resposta à expansão da Otan pelo leste europeu. De fato, a Declaração desse último encontro exibe explicitamente o termo “manter aberta a porta para entrada na Otan”. No mesmo documento, pediram que a Rússia retire suas tropas da Geórgia.

Ocorre que a Rússia não vai fazer isso, assim como não vai aceitar um escudo de defesa antimísseis norte-americano (a não ser que o projeto mude um tanto) e não vai ficar quieta sobre novas adesões ao bloco (sobretudo se uma delas disser respeito à Geórgia).

A questão da extensão da Otan abarca uma intrincada rede de interesses americanos, europeus e russos. O Ocidente crê que tal aumento das fronteiras seja imperativo no que concerne a efetuação do objetivo central de estabelecer paz e segurança na região euro-atlântica. Nesse ínterim, o alargamento seria conduzido cautelosa e paulatinamente, evitando desfazer-se de candidatos ainda desestruturados para a Aliança e suscitar no Kremlin reações extremadas nacionalismo e retaliação. Alargar significa também um aumento exponencial de custos para manter a composição organizacional. E eis que reside outra questão chave: admitir a Geórgia significa aceitar protegê-la em caso de ataque ao seu território. Denota, em última instância, uma provável guerra contra a própria Rússia.

Nesse caso, vale expandir as fronteiras da organização em nome da estabilidade euro-atlântica à custa da própria segurança ou isso já é cutucar a onça de demasiado perto?

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Categorias: Organizações Internacionais


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