A (luta pela) conquista de direitos

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Segundo o poeta francês Balzac, “A igualdade pode ser um direito, mas não há poder sobre a Terra capaz de a tornar um fato”. Será? Talvez o poder do diálogo e da luta social possa surtir efeitos – ainda que lentamente e a partir de muitos (e articulados) esforços. Mais um passo foi dado na Arábia Saudita no que se refere à igualdade de gênero: trata-se da importante conquista do voto e da elegibilidade feminina nas eleições municipais, a partir de 2015.

Em uma era de movimentos contra os regimes autoritários no Oriente Médio, a famosa “Primavera árabe”, esta recente conquista das mulheres árabes merece destaque, já que se trata de um direito básico e essencial à consolidação de sua participação na tomada de decisões (e na construção destas) em sua sociedade.

Vale lembrar que a rica e conservadora Arábia Saudita é uma monarquia absolutista, de forma que o rei concentra os poderes de chefe de Estado e de governo. Nesta semana estão sendo realizadas, apenas pela segunda vez na história, as únicas eleições existentes no país, para cargos municipais. Ainda sem a participação das mulheres, a falta de confiança nos órgãos públicos por parte da população marca o tom dessas eleições. Muito ainda precisa mudar para que o regime possa ser considerado efetivamente participativo…

A luta para que as mulheres sejam incluídas no sistema político (e tenham seus direitos básicos respeitados) não é de hoje, e as críticas à intolerância religiosa têm alcançado novos patamares nos últimos tempos, dada a facilidade de contato e de disseminação de ideias/propostas/revoltas/movimentos proporcionada pela internet, especialmente por meio das redes sociais (veja aqui post no blog a respeito do movimento pelo direito das mulheres a dirigir, também na Arábia Saudita). A pressão dos cidadãos árabes têm sido responsável por um incremento considerável em seus direitos: igualdade e democracia buscadas a cada dia!

É verídico afirmar que a igualdade (ainda) não é fato consolidado em nossos tempos, mas não seria excessivamente pessimista pensar que esta situação é irreversível? Para que se possa enxergar resultados práticos, é preciso que a mobilização social seja constante, diária, cotidiana… cada sociedade enfrenta seus próprios desafios na busca pela igualdade, nos mais diversos âmbitos. E, bom, será que estamos fazendo também a nossa parte?


Categorias: Assistência Humanitária, Cultura, Direitos Humanos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


1 comments
Anonymous
Anonymous

Bianca Fadel,Muito interessante seu texto.A BUSCA DA IGUALDADE É SINAL DE NOVOS TEMPOS.Parabéns.Harley