A Ilha de Lost

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No destaque, a Ilha de Chipre. Fonte: GoogleMaps

Até semana passada muito pouco se comentava sobre uma pequena ilha situada no Mar Mediterrâneo logo ao sul da Turquia. Além disso, quase ninguém sabe que tal ilha também faz parte da União Europeia e da Zona do Euro. Evidentemente, estou falando de Chipre, país que talvez venha a ser o primeiro a deixar a moeda única e a declarar falência econômica em meio a mais de sessenta anos de integração no continente, tendo como marcos iniciais os anos da década de 1950, nos quais o Tratado de Roma deu inicio à Comunidade Econômica Europeia (CEE). 

A Crise do Euro já é sabida há tempos. Mas ninguém esperava uma mudança de planos nesta altura do campeonato. Espanha, Portugal, Itália, Grécia e outros países já haviam testemunhado dias difíceis com altas taxas de desemprego e falta de prosperidade econômica. A maré baixou, mas veio outra tormenta, uma tormenta cipriota. Neste momento tanto o Eurogrupo quanto o Banco Central Europeu (BCE) estão pressionando os líderes do país a adotarem uma medida econômica para amenizar o pedido de 10 bilhões de euros dos cofres europeus.

O grande problema é dual. Primeiro, quem perde com isso é a população do Chipre, pois os credores do país (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e BCE) só darão o resgate financeiro apresentado no parágrafo acima caso Nicósia, capital e maior cidade cipriota, contribua com 7 bilhões de euros, dos quais grande parcela proveria de taxação sobre depósitos bancários. Resumo da questão: o contribuinte teria uma parcela razoável de seus depósitos tomada por impostos. E, segundo, era muito conhecido, mas pouco divulgado que Chipre é um verdadeiro paraíso fiscal! O país gira em torno de depósitos financeiros externos e a Rússia detém 40% deste montante. Para quem esperava uma ajuda dos russos, nada foi feito.

Banco do Chipre. Fonte: zerohedge.com

Bancos foram fechados e vários protestos foram realizados em frente ao Parlamento do Chipre. O Banco Popular, por exemplo, possuía rumores de que viria à falência e fecharia dentro de poucas horas. Já imaginou o desespero dos correntistas? Soa como algo surreal. Pois bem, agora a “Ilha de Lost” já é bastante conhecida. De um lado, resta acreditar que os governos estejam realmente preocupados não somente com o rumo da integração econômica, mas também com o bem-estar da população cipriota. Do outro, isso é mais um desafio para a União Europeia. Ela tem que mostrar a que veio e chegar a um resultado plausível o mais rápido possível para uma economia que representa apenas 0,2% de toda receita do bloco

PS: Na matéria da Revista Época-Negócios intitulada “O que está acontecendo no Chipre?” tem-se um resumo de fácil compreensão para entender a frágil situação econômica do país. Após Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda, ele é o quinto a pedir ajuda financeira à UE.


Categorias: Economia, Europa


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