A França, vai que vai.

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Da última vez em que um socialista estava na presidência da França, o Brasil ainda era tetracampeão de futebol e Barack Obama era um desconhecido candidato a senador de Illinois. Mas após 17 anos, sendo 7 deles cheios de extravagâncias com Sarkozy, o presidente eleito da França, Hollande, mais uma vez é de esquerda, e diz que seguirá a cartilha do seu antecessor (e mentor político), François Miterrand. 

Como o tema é quente, nos próximos dias vai se falar de tudo, de como essa mudança vai afetar as esferas interna e externa da política francesa de um modo bastante duro, à diferença completa entre os indivíduos. Bom, Sarkozy realmente vai ficar marcado pelos escândalos, exposição midiática, problemas com imigrantes, ter dado uma de Bush e orquestrado uma invasão a um país que meses antes o estava financiando, e ter enfrentado a crise europeia de um modo eficaz, mas que rendeu uma impopularidade tremenda. A eleição de Hollande, antes de tudo, é muito mais pela mudança em si, com os franceses fartos do espetáculo burlesco que foi a presidência de Sarkozy, do que pelas ideias defendidas pelo novo presidente. 

A grife é socialista, mas Hollande é muito mais um homem de centro-esquerda, aquele modelo europeu manjado, disposto a fazer algumas concessões liberais (como regularizar a eutanásia e o casamento homossexual), mas com muito peso do Estado. E é justamente essa a preocupação maior dos economistas mais ortodoxos – a França está puxando, junto com a Alemanha, o plano de austeridade pra recuperar os países da zona do Euro, e Hollande já confirmou que vai chutar o balde e aumentar os gastos do governo pra aquecer a economia. Se for parar pra pensar, lembra um pouco o que o Brasil fez lá nos idos de 2009, e é uma opção, mas que como está indo totalmente contra o plano atual, deve estar deixando Angela Merkel com os cabelos em pé, pensando na articulação que vai ter que fazer com esse novo negociador. E a Alemanha já se mostra totalmente contra esse tipo de medida… 

Muitos países europeus estão passando por eleições nesse ano, e a soma de insatisfação com crise vai causar muita instabilidade no cenário do continente. A mudança de rumo da França potencializa esse cenário de convulsão econômica. Basicamente, quem está em problemas, como a Grécia vai ver o caso da França, e se perguntar: “se eles, que estão me mandando ser austeros, não estão fazendo isso, por que diabos eu deveria?”. A depender do que rolar disso tudo, quem pode estar com os dias contados é o próprio Euro. 

E isso pra ficar apenas na questão econômica. Internamente, a pressão fez com que temas espinhosos comoa regulação de imigrantes entrasse em pauta, e cedo ou tarde Hollande vai ter que mexer nesse vespeiro. O fato é que ele parece uma incógnita – que rumo vai tomar, já se sabe, mas as consequências, não. Mas que vai mudar, isso vai.


Categorias: Europa, Política e Política Externa


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