A educação em 2012

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As políticas públicas de um país são base para comparar seus resultados em determinado período histórico. Porém, olhar para indicadores nacionais somente não basta. Assim, cresce o interesse por estudos conduzidos por organizações internacionais que ofereçam um parâmetro para entender o posicionamento do país em relação aos demais. Para a educação não é diferente. A OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) conduz estudosquantitativos para todos os níveis educacionais. Os indicadores obtidos e as conclusões apresentadas ajudam a construir e revisar as políticas adotadas, pautadas essencialmente no desempenho passado.

No último estudo Um olhar sobre a educação, a porcentagem de jovens que concluiu o ensino terciário é moderadamente superior à geração de nossos pais. Destaca-se, neste sentido, o avanço de países como: Coréia do Sul, Japão, França e Irlanda. Os países da OCDE, na faixa etária de 25-34 anos, aproximaram-se dos 40% de conclusão dos estudos superiores. A geração de 55-64 anos tem um índice pouco superior a 20%. Os países do G-20, considerando a mesma comparação, avançaram menos. Com relação aos estudos secundários, ultrapassamos a marca de 80% da população com diploma nos 25 países da OCDE com melhores resultados.

Em direção oposta, surgem alguns países. Tanto os Estados Unidos quanto Israel, por exemplo, não avançaram, apesar de continuarem com resultados melhores que a média. O Brasil novamente aparece como destaque negativo, ultrapassando a barreira dos 10% para a conclusão do ensino superior, 3 vezes menor que o resultado médio dos países do G-20. Pior que o Brasil, entre os emergentes, somente a China. É curioso notar que os países em crise, especialmente Espanha e Irlanda, mais que dobraram seus resultados para os estudos terciários. Um país que enfrenta 51,5% de jovens desempregados, como a Espanha, aliado a queda da evasão escolar, tende a ver o problema se intensificar. 

Há aí um paradoxo. Não seria a educação o principal indicador do capital humano de um país? De certa forma, os resultados educacionais indicam as habilidades e o potencial existentes em uma determinada população, não? O PISA, assim como o “Um olhar sobre a educação”, fornece importantes ferramentas para entender a eficácia das políticas adotadas e para definir prioridades. Como explicar então países que têm bons índices educacionais e economias em crise? Apesar da dúvida, ainda existe uma certeza: melhor investir em educação do que deixar de fazê-lo. Mantidas as tendências atuais, a população brasileira com diploma universitário seguirá crescendo em nível inferior aos países da OCDE, nosso índice próximo de 50% para a educação secundária tampouco constrói um cenário favorável no curto prazo.

A educação, em tal contexto, pode ainda criar outro problema. Jovens buscam a educação superior como forma de atender a demanda do mercado por profissionais com melhor capacitação e formação, ao passo em que os formados de alguns países enfrentam dificuldades para se colocar no mercado. No Brasil é diferente, a carência de profissionais acaba formando um quadro favorável para os que concluem o ensino superior. Mais do que isto, faltam profissionais. Desta forma, quem vai sustentar o crescimento dos emergentes? Justamente os que sustentaram o crescimento global na última crise são aqueles que precisam incrementar a capacitação de seus jovens. Falta de um lado do globo enquanto sobra de outro. Resta saber se o “novo mundo” vai sustentarseu crescimento por intermédio do “velho mundo”, ou se resolverá desigualdades e desequilíbrios internos para crescer de forma sustentada.  


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