A economia global em 2014

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Todo começo de ano é assim. Economistas e diversos especialistas, baseando-se em dados do ano que passou, tentam formular cenários e previsões para o desenvolvimento (ou a falta dele) econômico do ano que se inicia. Assim, a priori, escrever um texto aqui no blog sobre o tema talvez pareça trivial e corriqueiro. Mas 2014 poderá reservar algumas mudanças e surpresas para a economia como um todo. 

A primeira grande pergunta é se neste ano os governos vão manter ou aumentar ainda mais o controle sobre as economias nacionais. É a pedra do sapato da presidente Dilma Rousseff e do ministro Guido Mantega, por exemplo, pois nosso país não vem mostrando disposição em fomentar os investimentos internacionais. De fato, a crise gerada em 2008 trouxe uma série de modificações que foram vistas principalmente na Europa com as propostas de austeridade, sobretudo por parte da Alemanha e da França. Entretanto, mesmo “amenizando” os riscos, o Brasil e outros emergentes permanecem denotando um velho dilema econômico: o Estado deve intervir majoritariamente ou não na economia? 

Por falar em emergentes, a segunda grande questão toma corpo quando da indagação sobre o crescimento econômico de países como China, Índia, Brasil, Indonésia, Turquia e África do Sul no próximo ano. Tais países crescerão? Sim, mas com uma taxa de aproximadamente 5% em 2014. Obviamente, continuar expandindo as economias é algo positivo, mas o saldo não chegará aos índices observados em anos recentes. Os chineses que já apresentaram crescimento de até 12% do Produto Interno Bruto (PIB), reduziram essa margem para 7,8% em 2012 e diminuirão em 2014 conforme exposto acima. 

E a zona do Euro? Essa é uma pergunta que tende a ser não muito animadora, pois Alemanha e França, dois motores econômicos da Europa, apresentarão uma variação de PIB não muito diferente de 2013. A recuperação da moeda já pode ser observada. Todavia, continua frágil e essa característica se manterá no ano que se inicia. De novidade, a Grécia assumiu a presidência semestral da União Europeia e demandará maiores debates sobre crescimento, união bancária e emprego. Fato um tanto quanto simbólico, diga-se de passagem, mas nada melhor do que um pouco de manobra política para valorizar preceitos econômicos. 

Outra indagação está presente em um ator importante e muito conhecido no passado: o Japão. Marcado por quinze anos de deflação, o país apresentou em 2013 um aumento de 30% no preço dos imóveis e de 50% no índice Nikkei. Sua indústria vem crescendo, acompanhada pelo PIB. Boa novidade para eles, mas nada que o retire do atual status de “primo pequeno” da China em termos econômicos. 

Em meio a tantas dúvidas e perguntas, somente os Estados Unidos aparecem como parcial certeza. Com as recentes descobertas energéticas em seu território – principalmente o gás de xisto – o país começa o ano com excelentes chances de crescer economicamente para balancear a maré de falhas de política externa evidenciadas no ano passado. 

Teremos um 2014 marcado por dúvidas e questionamentos. Países avançados e emergentes, zona do euro, maré asiática e outras tantas designações terão que se reajustar. Afinal, o que está em jogo não são somente números, mas sim pessoas e populações que precisam de boas políticas governamentais. Claramente, não nos esqueçamos de que hoje existem variados atores internacionais capazes de influenciar diretamente os rumos da economia global. Contudo, grande parcela das diretrizes, feliz ou infelizmente, está nas mãos dos governos nacionais. E isso é uma afirmação, não um questionamento.


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