A (Des)Igualdade Econômica entre Gêneros

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Regularmente, o Fórum Econômico Mundial cumpre um papel importante para a compreensão da desigualdade de gênero. O Relatório Global de Desigualdade entre Gêneros (Global Gender Gap) é um dos maiores termômetros das desigualdades econômicas persistentes entre homens e mulheres de 135 nações diferentes.

 

Ferramenta importante para pesquisadores qualificados, o relatório também pode servir como uma consistente base para o entendimento da situação atual de desigualdade de gênero para interessados no tema. Os seus resultados, embora anuais, retratam parte e do desenvolvimento dos direitos da mulher e sua inserção no mercado de trabalho no século XX.

 

Como exemplo, podemos ver que os países melhores classificados, com a menor presença de desigualdades, são os escandinavos. Nesses locais, as leis jurídicas que garantiram a igualdade civil e politica entre homens e mulheres datam do início do século passado. A Suécia, por exemplo, tem em sua Constituição a igualdade entre sexos desde 1905. A Islândia é o maior exemplo de sociedade igualitária desse tipo, sendo o único país do mundo em que o índice registra uma igualdade completa entre homens e mulheres.

 

Entre os bons exemplo de construção de uma sociedade mais justa estão os mercados mais desenvolvidos do mundo. Segundo especialistas, países com maior desenvolvimento econômico aparentaram ter o maior desenvolvimento rumo à igualdade. Os economistas dizem que a procura pelas melhores mentes,  independente de particularidades preconceituosas, é o combustível dessa evolução nesses locais.

 

Entretanto, o resultado do último relatório não é tão otimista. A diminuição da desigualdade desacelerou nos últimos anos. Em cinco anos, houve apenas uma evolução de 10% na redução da desigualdade mundial. Enquanto isso, ao redor do mundo a diferença entre homens e mulheres ainda beira a casa dos 60%.

 

No Brasil, a desigualdade sofreu uma grande diminuição em menos de dois anos. O país saltou 20 posições no ranking, passando a ser a nação número 62 em igualdade de gênero, entre 135 países. Tudo isso garantido pela inserção de diversas mulheres em cargos de poder no governo Federal desde a eleição de uma presidente mulher.

 

Mas devemos ficar alertas ao comemorarmos alguns números. Se a nova política formação de ministérios inciada por Dilma tem o poder de indicar um certo empoderamento feminino no país, ele também mostra a fragilidade das medições utilizadas pelo Fórum e a sua metodologia. Afinal, a desigualdade de gêneros não pode ser apenas medida por fatores econômicos e a conjuntura politica de um país.

 

A formação e os costumes de uma sociedade devem também pesar para esse tipo de análise. O nosso país é campeão mundial em exploração sexual e prostituição infantil. Infelizmente, esse tipo de crime contra a mulher, muitas vezes respaldado pela sociedade, não entram nesse cálculo. Metodologias estritamente economicistas por vezes impedem a visão de algumas más práticas sociais, tais como o machismo elevado ou a cultura do estupro, presente em diversas nações.

 

Mesmo assim, não podemos deixar de pontuar que há situações ainda muito piores que a brasileira, em que a mulher ainda se encontra fora da educação formal, do mercado de trabalho e muitas vezes da vida pública e da política. Em outros locais, como o Marrocos, pode sofrer uma dupla punição em um país em que o homem é livre para ter relações sexuais com qualquer mulher, muitas vezes á força, enquanto elas podem ser condenadas à morte por sexo fora do casamento, mesmo em casos de estupro.

 

Os indicadores de desigualdade econômica apontam para um mundo menos desigual no futuro, mesmo que essa mudança esteja desacelerando. Ainda mostram que as primeiras sociedades estão chegando a igualdade plena, antes presente apenas nos sonhos de alguns. Entretanto, devemos esperar que, como o Fórum Econômico já o fez, organizações de estudos sociais insiram em suas pautas a realização de pesquisas tão completas quanto é a da situação de desigualdade econômica de gênero,  além da economia somente, mas também de ordem jurídica e social.

 

Infelizmente, o espaço possível de uma postagem não seria suficiente para cobrir todos os dados formados por esse estudo tão interessante. Aos que se interessarem mais profundamente pelo assunto, segue o estudo completo e a classificação dos países de acordo com a igualdade de gênero presentes em cada um.

 

Estudo completo: The Global Gender Gap Report. (Clique no nome da pesquisa).

 

Classificação geral das nações: Ranking de igualdade de Gêneros.  (Clique no nome do ranking).

 


Categorias: Cultura, Economia