A corrupção bate à porta do rei

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Não bastasse o caso Bárcenas, tratado no blog pelo Cairo há dois meses, um outro escândalo de corrupção abate a Espanha. Deste vez, contudo, atinge o centro da monarquia do país. O genro do rei, marido de sua filha Cristina Federica de Borbón y Grecia, está sob investigação por denúncias de desvio de dinheiro público e tráfico de influência.  

Na história recente da família real espanhola, a filha do rei Juan Carlos será a primeira a testemunhar em um processo judicial. A justiça espanhola afirma ter encontrado evidências que Cristina tinha conhecimento das irregularidades conduzidas por seu marido. Ele e seu sócio teriam, de acordo com as acusações, desviado 6 milhões de euros por meio do Instituto Nóos, uma entidade sem fins lucrativos.   

As acusações mancham a imagem dos membros da monarquia e ameaçam corroer a popularidade do rei. Por enquanto, não há perspectiva que ele transmita o trono para o primeiro da linha de sucessão. O caso ganha proporções na medida em que a situação econômica espanhola está longe de ser das melhores. Mais um exemplo de investigação que diminui a confiança nas instituições do país.  

O ex-jogador de handebol e genro do rei, Iñaki Urdangarin, ganhou os noticiários. De início, as denúncias não pareciam imputar participação da infanta Cristina. A casa real passou a excluí-lo dos eventos oficiais e limitar sua visibilidade. A justiça é para todos, esta foi a resposta do monarca. Sem privilégios, a sétima na linha de sucessão, terá de comparecer perante o juiz do caso no dia 27 de abril.  

Seja por ingenuidade ou cumplicidade, a infanta responderá ao processo e enfrentará rumores de supostas pressões pela abdicação de seus direitos dinásticos. Afastá-la de eventos e de obrigações oficiais, em caso de condenação, não parece que será suficiente. Uma família real que já foi vista como modelo, talvez em contraste com a dos britânicos, viu a casa – ou castelo – cair.  


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