A Calmaria

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Novos ânimos parecem motivar os líderes mundiais num ambiente pós-crise na economia internacional. Como disse Obama em discurso recente proferido ao Congresso sobre o atual Estado da União, “os líderes agiram em tempo, mas a população ainda sente os efeitos da devastação causada pela recessão”. Essa devastação pode ser entendida em outras palavras como o resultado de o estouro de uma bolha especulativa, que como em 1929, teve resultados catastróficos.

Durante todo esse período de crise, iniciada em 2008, uma pergunta pairava nas mentes dos líderes mundiais: O que fazer?

Cada Estado encontrou sua própria maneira de lidar com a crise. O Brasil a viu como uma marolinha e continuou a incentivar o consumo. As soluções encontradas pelo governo estadunidense foram medidas que envolviam pacotes de ajudas a grandes empresas retirados das reservas do governo. De maneira simplificada, resumia-se à idéia de salvar algumas empresas para salvar a economia, injetando dinheiro nas grandes companias e nos bancos.

Aos poucos o cenário caótico de crise parece desaparecer do nosso horizonte. Alguns especialistas afirmam que essa crise foi curta e de grande intensidade, por isso não há necessidade de maiores regulações na economia. Assim, nesse novo momento da economia mundial a dúvida surge novamente, e com ela uma nova pergunta: E agora? O que fazer (de novo)? Chegamos à calmaria?

Os EUA já tem algumas respostas. Além de outras medidas, Obama exigirá o pagamento dessa ajuda financeira de volta para as reservas do governo por parte das empresas, uma vez que a economia está se estabilizando e elas voltaram a crescer novamente. Esse dinheiro arrecado seria investido em novas formas de abrandar os efeitos da crise, como formas de aumentar os empregos.

No plano internacional, questões como essa vieram à tona com força total na edição 2010 do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, onde a dicotomia econômica da regulação contra a liberalização emergiu novamente. Mesmo com opiniões variadas, a maioria dos representantes de grandes Estados e economias, como China e a França, mostraram-se dispostos a um comércio mundial mais regulamentado.

Ânimos renovados acompanhados da inação não são o suficiente para que se impeça novas tempestades como essa. A mensagem do presidente brasileiro no evento foi clara: uma reunião não é o suficiente para uma nova regulamentação da economia mundial. Há a necessidade de um comprometimento internacional mútuo para um novo mercado mundial, ou as grande empresas tenderão a mudar de país a país buscando melhores condições. Se cada Estado buscar uma solução interna somente e aproveitar a recuperação da crise à sua maneira, sem olhar para frente, as consequências podem ser catastróficas.

O ditado parece não ser tão correto agora. Depois da tempestade pode não vir a calmaria. O mais certo ao se tratar de Relações Internacionais seria dizer que depois da tempestade, deve-se BUSCAR a calmaria.


Categorias: Economia, Estados Unidos, Política e Política Externa


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