A Argentina e seus bodes

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[Certa vez, os funcionários de uma empresa reclamavam das condições de trabalho. Não havia ar condicionado, impressoras pra todos etc. O chefe do setor resolveu colocar 2 bodes no departamento. Foi um auê. Bode cagando pra todo lado, comendo papel, enfim. E eles tinham de cuidar dos animais. Depois de muito mais reclamações, o chefe tirou um bode. O problema diminuiu, mas o cheiro ainda era isuportável. Até que um dia eles chegaram ao trabalho e não tinha mais bode por lá. O que eles fizeram? Foram agradecer o chefe pelo bom ambiente de trabalho sem os animais]

Hoje a Argentina anunciou uma ‘liberação maciça” das licenças de importação para calçados e móveis brasileiros. De quebra, ainda sobretaxou alguns tipos de calçados chineses.

Foi uma alegria só por aqui. O governo desistiu de retaliar os argentinos, disse que entende os vizinhos. O setor calçadista se disse satisfeito com a medida, enfim, tudo certo!

O problema, meus caros, é que o Brasil não ganhou nada com a medida. Pelo contário, ainda se mostrou ‘feliz’ com as medidas protecionistas dos argentinos que tanto afetam nosso comércio bilateral.

É como acontece no Brasil quando tem reajuste salarial dos deputados. Eles querem 10%, mas sabem que não vai dar. O que fazer, então? Pedem 90% de aumento! Aí todo mundo fica doido, é imprensa, blog, Jornal Nacional, enfim. Eles acabam ‘cedendo’ à pressão da sociedade civil e da mídia e aceitam um reajuste de 15%.

No fim das contas, conseguem mais do que querem e ainda todo mundo fica mais ou menos satisfeito. A mídia acha que cumpriu com seu papel, a sociedade acredita que evoluiu e não aceita mais os absurdos do congresso nacional e os políticos estão lá torrando nosso dinheiro pra empregar os namorados das netas.

Foi isso que a Argentina fez. Aumentou a pressão ao empacar os processos de liberação de licenças. Quando aliviou a pressão, todo mundo ficou feliz. O problema, é que o que gerou a controvérsia foi a medida que instituiu as licenças e o protecionismo deles (e não somente a demora na liberação dos documentos). Agora, voltamos a esse mesmo patamar, com a diferença que estão todos satisfeitos.

Enfim. Tiraram os bodes!


Categorias: Américas, Brasil


4 comments
Luciano
Luciano

Alcir, acredito que entramos no mesmo esquema de tolerência brasileira em relação ao PY: a política "sul-sul".A respeito dessa situação dos "hermanos loiros", o que posso fazer é complementar o que a Andrea expôs, dizendo que não só devemos reconhecer os bodes como também evitar que sejam "inseridos".Ainda mais, caso os bodes voltem a beirar nossas negociações, é muito importante a iniciativa contra, com intuito de modificação/protesto, não visando apenas "desempenhar um papel" - que, diga-se de passagem, não tem relevância benéfica à sociedade.No mais... Tailor, torço para que suas suspeitas concluam-se!

Alcir Candido
Alcir Candido

Teilor, eu te entendo, morei em Franca por 3 anos.Acontece que a Argentina se utilizou de um 'método' de negociação muito 'manjado' e o Brasil aceita isso como se a Argentina estivesse nos fazendo um favor. O mais engraçado é que todos protestaram quando a Argentina anunciou que as coisas iam ficar exatamente como estão agora, a diferença é que não teve pressão antes. Não acho que o Brasil tenha de esfolar os outros, pelo contrário, mas estamos adotando uma postura muito 'capachista' sem nenhum resultado concreto.

Adriana Suzart
Adriana Suzart

É meu Caro Alcir,Só nos resta torcermos para que consigamos desenvolver algum tipo de sexto sentido para podermos reconhecer os bodes...Grande abraço!

Teilor
Teilor

Por mais que entenda seus argumentos, não posso deixar de dizer que fico satisfeito com as medidas. Moro em uma cidade onde a economia gira em torno da fabricação de calçados e essas medidas podem aquecer novamente a economia da região.