66 anos depois…

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Há 66 anos, o mundo vivia um dos momentos mais paradigmáticos do século passado: os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. Estes encerraram, por assim dizer, a II Grande Guerra e demonstraram tristemente ao mundo o poder bélico estadunidense. Tristemente porque essa demonstração ocorreu à custa de aproximadas 200 mil mortes – em sua maioria de civis – e esse acontecimento foi hoje novamente relembrado pelo povo japonês.

A imagem acima, eternizada contemporaneamente, torna visível a magnitude do impacto da bomba nuclear sobre Nagasaki, ocorrida há exatos 66 anos. Vale lembrar que essas ocasiões foram as primeiras (e únicas) em que bombardeios atômicos foram utilizados em conflitos internacionais. A proporção dos ataques foi tão grande e tão intensa que, durante décadas, as consequências da radiação foram sentidas pelo país. Ainda hoje os termos “Hiroshima e Nagasaki” são frequentes quando o assunto discutido envolve guerra e paz, e os meios utilizados durante aquela para se alcançar esta.

Há dois anos, quando questionados sobre os bombardeios atômicos em pesquisa nacional, a maioria dos norte-americanos se mostrou favorável à decisão de Truman. Não restam dúvidas de que os anos passam, mas o sentimento nacionalista extremado (e muitas vezes inconsequente) estadunidense permanece.

Hoje, ao relembrar o impacto dos bombardeios e o recente desastre na usina nuclear de Fukushima, o prefeito de Nagasaki lançou o seguinte questionamento: “Por que esta nação que tem lutado durante tanto tempo pelas vítimas da bomba, uma vez mais vive com temor à radiação?”. Novamente a polêmica sobre as vantagens e desvantagens da utilização da energia nuclear vem à tona, e deve ser destacado o discurso sobre a necessidade de redução da dependência japonesa no que se refere à energia nuclear, nos dizeres do próprio Primeiro-Ministro do Japão.

Reviver a história é necessário e relembrar as vítimas destes ataques fulminantes ao Japão é natural e importante para que, diante dos desafios globais, os riscos de utilização da energia nuclear (especialmente em termos bélicos) estejam sempre vivos em nossas memórias. O que se deve evitar é repetir os mesmos erros e as mesmas perspectivas unilaterais de análise internacional para que, 66 anos depois, efetivamente tenhamos todos evoluído a partir das experiências históricas, quaisquer que tenham sido estas…


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