3600 segundos às escuras

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1 hora = 60 minutos = 3600 segundos. Neste sábado, das 20h30 às 21h30, este será o período equivalente à “Hora do Planeta”, manifestação contra o aquecimento global. Pode parecer pouco tempo, mas o movimento é exatamente caracterizado por sua importância simbólica em que se destaca a conscientização internacional a respeito da temática do Meio Ambiente.

A iniciativa surgiu durante as discussões do Fórum Social Mundial de Nairóbi no ano de 2007 (mais informações aqui) e, tal como as mudanças climáticas e os desastres ambientais, tem crescido a cada ano desde então. Trata-se de um apelo ambiental mundial de grande expressão coordenado atualmente pela ONG WWF que, este ano, congrega mais de 120 países em prol do mesmo objetivo: apagar as luzes durante os 3600 segundos estipulados.

Milhares de ícones internacionais permaneceram no breu neste intervalo de tempo, dentre os quais podem ser destacados, por exemplo, a Torre Eiffel em Paris, o Palácio de Buckingham em Londres, e o Cristo Redentor no Rio de Janeiro. A mobilização abrange, pois, os três setores da sociedade: governos, empresas e organizações não-governamentais se mostram, cada qual a seu modo, dispostos a colaborar com a iniciativa cuja relevância é consensualmente reconhecida.

A crítica, contudo, encontra-se na superficialidade do chamado “marketing verde” em que a mobilização se torna o centro das atenções sem que sejam promovidas medidas efetivas de combate ao aquecimento global. Não se pode negar o fiasco da Cúpula de Copenhague em 2009, momento no qual a sociedade internacional se viu diante da falta de resoluções por parte dos países envolvidos (Posts anteriores do sobre o assunto podem ser acessados aqui, bem como um ótimo artigo se encontra aqui). E deve-se reconhecer que as expectativas para a continuidade das discussões também não são as mais otimistas…

Entretanto, o impacto de um ato do porte da “Hora do Planeta” não pode ser desconsiderado/deslegitimado. Visualizar a preocupação mundial nesta área demonstra que a busca por meios globais de amenização do aquecimento global deve perdurar, especialmente na medida em que tantos desastres ambientais têm assolado o mundo nos últimos tempos. E perceber que a sociedade civil opta por permanecer, simbolicamente, às escuras por 60 minutos neste sábado, deixa claro que o esforço neste sentido deve crescer a cada dia.


Categorias: Meio Ambiente


2 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

Efetivamente, esperemos que as novas gerações (em que acredito que nós mesmos já nos enquadramos) possam se utilizar de fóruns internacionais para a busca efetiva de mudanças no sistema.Apenas dessa forma o reconhecido "marketing verde" poderá perceber enfrentamento e, quem sabe, se auto-deslegitimar...

Maria Teresa Braga Bizarria
Maria Teresa Braga Bizarria

De fato, é visível a relevância de um ato capaz de mobilizar os famosos três setores da sociedade. Contudo, a crítica ao "marketing verde" tem boas fundamentações quando se pensa em um sistema que se apropria facilmente das formas de resistência para obter lucros, infelizmente!Entretanto, o trabalho constante (e crescente) para a mobilização da sociedade no concernente às questões ambientais deve se manter e enfrentar, além do próprio problema em si, as críticas céticas quanto às possibilidades de mudança e de conscientização.Aos poucos, quem sabe, as novas gerações não serão capazes de enxergar tal situação sob uma nova ótica e se valerão de encontros como a COP 15, para transformar fóruns multilaterais em ambientes mais práticos e menos retóricos.