30 dias mais

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Acabou de ser aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução em favor do prolongamento da UNSMIS (sigla para “UN Supervision Mission in Syria”) por mais 30 dias. Após 16 meses de um conflito armado que já vitimou milhares e milhares de pessoas, o atual plano – mediado por Kofi Annan – parece concentrar grande parte da (talvez não tão grande assim) esperança de resolução do embate. [Leia posts recentes sobre o assunto no blog aqui e aqui.]

Em linhas gerais, a UNSMIS é composta por aproximadamente 300 observadores militares desarmados, responsáveis pelo monitoramento da situação após as dificuldades em relação ao cessar-fogo em abril, bem como cerca de 100 representantes civis para avaliar o aspecto do respeito (?) aos Direitos Humanos no país. Visto que a missão deveria expirar neste sábado, mas as condições no país ainda estão longe do que poderia ser considerado como estabilidade, o Conselho de Segurança esteve reunido durante estes últimos dias para discutir a questão. 

A unanimidade de hoje foi atingida apenas após a reavaliação da proposta vetada ontem por Rússia e China. O projeto vetado pretendia, a grosso modo, prolongar a missão por 45 dias e, especialmente, introduzir sanções contra o regime sírio, autorizando o uso da força caso tropas e armamentos governamentais não fossem retirados das cidades. Considerada “unilateral” por parte dos governos (sempre aliados sírios) chinês e russo, a resolução aprovada hoje é bem mais “light”, prevendo essencialmente a extensão da missão nos moldes atuais por mais um mês. [Leia mais sobre o conflito em geral aqui.]

A retirada da missão está, pois, prevista para ocorrer daqui a 30 dias, seja ela bem ou mal-sucedida em seu mandato. Apesar dos esforços (?) onusianos, a intensidade do conflito tem aumentado exponencialmente nos últimos dias. Agora concentrados também em Damasco, os choques têm se tornado ainda mais violentos e generalizados. Nesta semana, nomes importantes da cúpula de segurança do governo sírio foram vítimas de um ataque suicida na capital (notadamente o chefe da Segurança Nacional, o Vice-Ministro da Defesa e cunhado de Bashir Al-Assad, o Ministro da Defesa, e o ex-Ministro da Defesa), dando fôlego maior à continuação dos conflitos. 

Se 30 dias mais serão suficientes para que a situação no país se normalize? Não, provavelmente não serão, dada a complexidade e peculiaridade do caso sírio. Em que medida a missão da ONU se mostra capaz de impactar efetivamente na busca de uma solução para a situação talvez permaneça, entretanto, uma questão em aberto. Daqui a 30 dias provavelmente novas medidas (paliativas?) ou (re)avaliações acerca do tema serão anunciadas. Enquanto isso, milhares de civis seguem infelizmente somando-se à longa lista de vítimas deste que já pode ser considerado um dos mais trágicos conflitos modernos. 


Categorias: Conflitos, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Política e Política Externa


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Rangel
Rangel

Quem não sabe que o interesse por trás de tudo não é a paz, mas o interesse pessoal, a promoção de pessoas cheias de maldade! Quantos não já perderam a vida por conta da briga por dinheiro...