Imagem da Semana

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golpe

Após o clima de instabilidade política, protestos e efervescência popular durante os últimos sete meses, no último dia 22, os militares tomaram (novamente) o poder na Tailândia sob o argumento de “restaurar a paz e a ordem pública”. Já é o décimo-segundo golpe desde o fim da monarquia no país, em 1932. Tanques tomaram as ruas de Bangkok e os prédios de governo foram sitiados pelos militares. Na primeira imagem, os fardados declaram a queda do governo atual na televisão, e na segunda um grupo de oposição celebra o evento.

Imagem da semana


Há um ano...

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relogio ha um ano
Há um ano, um dos temas que preenchiam o conteúdo do blog era o anúncio do General Santos Cruz para comandar a brigada de intervenção das forças de paz das Nações Unidas na República Democrática do Congo, a MONUSCO. Em um relato pessoal cativante que vale a pena ser relido (confira a íntegra aqui), vemos o General sob uma perspectiva diferente, do dia-a-dia daquele que há aproximadamente um ano lidera a mais desafiadora missão onusiana da atualidade – em um país cujas duas últimas décadas de guerra já vitimaram aproximadamente 5,5 milhões de pessoas.

O fato de, pela primeira vez desde 1948, os capacetes azuis possuírem autorização para “impor” a paz, ou seja, “dar o primeiro tiro” em prol da resolução do conflito, torna histórica e delicada a missão do General, em um tênue limiar entre uso necessário ou exagerado da força. A derrota do M23, então maior grupo armado do país, em novembro se mostrou como vitória importante de uma batalha que parece longe de chegar ao seu final, contado com um líder brasileiro como protagonista…

Voltando-se para questões internas, outro excelente texto ainda trouxe reflexão sobre a polêmica questão da saúde pública no Brasil, bem como as estratégias e os programas adotados pelo governo nesta área. Às voltas com o “Programa Mais Médicos”, instalou-se, há pouco menos de um ano, enorme polêmica envolvendo a questão de “importação” de médicos. Hoje a avaliação parece positiva, apesar das críticas sempre existentes, no sentido de que o governo demonstrou pulso firme nas medidas em saúde. Méritos e dificuldades à parte, vemos que o programa se tornou um carro-chefe eleitoral do atual governo Dilma….

Postando e relembrando, esse é o “Há um ano…” na nossa Página Internacional!


Categorias: Brasil, Conflitos, Há um ano...


Criando seus demônios

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boko haram

Após o ultraje internacional direcionado ao rapto de centenas de meninas na Nigéria, finalmente o Conselho de Segurança da ONU tomou uma decisão (após a Nigéria relutar por semanas, afinal não pega bem ter que ficar pedindo ajuda internacional…) e baixou sanções contra o grupo Boko Haram, incluindo nebulosos “congelamento de bens e embargo de armas”. Na prática, não parece que o resultado vá ser tão relevante, mas no campo das ideias significa muito – incluindo o grupo na lista de organizações terroristas como Al Qaeda e outros, praticamente dá a chancela da ONU de reconhecer aquilo como um grupo radical e verdadeira ameaça à segurança internacional. Ora, não é justamente o que eles querem?

Existe um famoso e controverso documentário da BBC britânica chamado “The Power of Nightmares”, que em três episódios esmiúça a relação existencial entre os grupos terroristas islâmicos e o movimento neoconservador nos EUA. Um dos dados mais chocantes que se constata nos vídeos é que a famosa Al Qaeda simplesmente não existia até idos de 1998 – havia um grupo de descontentes ligados ao finado Osama bin-Laden, mas sem expressividade ou agenda concreta. Porém, devido a uma série de fatores (e um julgamento fajuto) a mídia e o governo norte-americanos lançaram o termo “Al Qaeda” para designar o grupo, dando-lhe assim um nome e propósito (de fato, bin-Laden nem nome tinha para sua turma e só assumiu de fato o antiamericanismo quando os próprios EUA engoliram essas ideias). O resultado disso tudo é que hoje um grupo de meia dúzia de tresloucados, que se tivessem sido deixados de lado possivelmente nem teriam sobrevivido aos conflitos internos com outros ativistas islâmicos, foram reconhecidos como ameaça pela maior potência do mundo e criaram uma aura de interesse ao seu redor, inspirando muita gente a seguir seus passos. E com isso o grupo é uma ameaça verdadeira nos dias de hoje, como podem constatar os habitantes de Nova Iorque, Londres e Madri.

Longe de dizer que o Boko Haram deva ser ignorado, mas se o exemplo da Al Quaeda ensina alguma coisa é que dar esse “status” a grupos criminosos e terroristas geralmente apenas aumenta seu apelo. Vamos lembrar que definições de terrorismo são variadas, mas um traço comum é o fato de buscar o terror psicológico na população civil, sempre sob ameaça do desconhecido. O grupo nigeriano já tinha na conta milhares de mortes em atentados (que deveriam ser tão chocantes quanto o sequestro das meninas, mas não despertam tanto interesse na mídia…), e estando sob os holofotes da mídia internacional, não vai buscar outra coisa que não seja mais “publicidade” para suas atividades. Basta ver o duplo atentado do dia 21, em que mais de 140 pessoas pereceram. Muito provavelmente, a tendência é que os ataques do grupo aumentem para explorar a imagem criada pelas próprias vítimas. O caminho das sanções é importante para estrangular a captação de recursos dos grupos, mas não é o bastante. E pensando na fragilidade do governo nigeriano com relação a essa crise, infelizmente devemos esperar mais ataques e vítimas nas próximas semanas…


Categorias: África, Conflitos, Organizações Internacionais, Política e Política Externa, Segurança


As eleições do Parlamento Europeu

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PE

Prezados leitores

Hoje, a Página Internacional traz uma novidade. Realizamos uma entrevista com Bruno Theodoro Luciano, mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (IREL-UnB) e fellow em Estudos Europeus da Fundação Konrad Adenauer no Centro de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A entrevista transcrita abaixo tem como tema central as eleições do Parlamento Europeu (PE) da União Europeia (UE) que começaram hoje, dia 22 de maio, e serão finalizadas no próximo domingo, dia 25. Aproximadamente 330 milhões de votantes dos 28 países membros do bloco foram convocados para escolher 751 deputados com mandatos de cinco anos. As eleições representam um novo momento em meio ao cenário de ceticismo na integração europeia e, por isso, a entrevista com Bruno Luciano serve para se compreender um pouco mais do cenário político daquela região. Boa leitura!

Cairo Junqueira (Página Internacional): Já há alguns meses a mídia vem falando sobre as atuais eleições para o Parlamento Europeu (PE). Alguns creditam tal importância ao peso que essa instituição tem na condução das bases legislativas da União Europeia (UE) e, obviamente, na tentativa de dirimir os reflexos advindos da crise de 2008. Como primeiro questionamento, qual o grau de impacto dessas eleições para o futuro do PE e da própria UE? Se possível, comente um pouco sobre o histórico da instituição, bem como sua função e composição atuais.

Bruno Theodoro Luciano: Embora a opinião pública e os cidadãos de modo geral tendam a marginalizar as eleições europeias, como pode ser visto no histórico de decrescente participação eleitoral (o voto não é obrigatório na maioria dos países da UE), o PE e a escolha de seus membros têm um papel essencial dentro do desenvolvimento da UE. Cada dia mais o PE tem se tornado uma instituição relevante na formulação e aprovação das políticas europeias. Houve uma evolução significativa das competências do PE na integração europeia nas últimas décadas. Enquanto em um primeiro momento este órgão foi criado como uma assembleia consultiva no contexto das Comunidades Europeias, com a aprovação do Tratado de Lisboa de 2007, o Parlamento vem se caracterizando como um colegislador no contexto das decisões europeias, responsabilizando-se em pé de igualdade pela aprovação das normas europeias com os Estados-membros da UE, reunidos no Conselho da UE.

Nas eleições de 2014, dois elementos importantes têm favorecido o aumento do impacto do pleito para os cidadãos da UE. Uma delas é o contexto de crise do euro e da própria integração europeia, que tem chamado a atenção da população para as decisões europeias, as quais para bem ou para mal demonstram afetar diretamente a vida dos europeus. O segundo elemento é a indicação dos grupos políticos europeus de candidatos à Presidência da Comissão Europeia, órgão executivo e burocrático da UE. Ambos têm o potencial de politizar e personalizar a disputa eleitoral a nível continental.

CJ (PI): Novamente, debatendo-se a questão da crise de 2008 e as altas taxas de desemprego e dívidas públicas presentes em países como Portugal, Grécia, Itália e Espanha, tem-se algumas previsões de que partidos de extrema-direita podem conseguir várias cadeiras no PE. Isso é possível? Qual seria o impacto para a UE se um número considerado de partidos nacionalistas e anti-imigração obtiver grande apoio dos eleitores?

BTL: Segundo as últimas pesquisas de opinião, os partidos de extrema direita, mas também de extrema esquerda, devem ser os grandes vencedores das eleições europeias em países como Reino Unido, França, Países Baixos e Grécia. Esse contexto de desemprego e de acentuada crise econômica em vários países europeus têm polarizado a disputa política e fortalecido a posição desses partidos, normalmente caracterizados como eurocéticos, por serem contrários ou pessimistas em relação ao processo de integração da Europa. A presença de parlamentares eurocéticos não é novidade na composição do PE, porém seu forte aumento pode produzir algumas mudanças no posicionamento interno dessa instituição. Em um parlamento mais eurocético ou radicalizado o apoio às iniciativas da Comissão Europeia, normalmente voltadas para maior integração e harmonização das políticas públicas no continente (incluindo temas sensíveis como imigração), será muito mais difícil de ser alcançado. Isso exigirá maior coesão e coalizão entre os partidos de centro-esquerda e direita, tradicionalmente os maiores grupos políticos europeus.

CJ (PI): O PE é considerado, por excelência, um forte braço de supranacionalidade na UE e canal de representação dos cidadãos para com o bloco regional. Entretanto, sabe-se que, na prática, existem inúmeros problemas e empecilhos para aprimorar essas funções. As eleições em cada país não ocorrem simultaneamente e acabam coincidindo com eleições nacionais, propriamente ditas. Além do mais, as características políticas dos Estados europeus são muito divergentes. Hoje, pode-se falar em países que alavancam o avanço do PE e outros que retardam seu desenvolvimento? Como é essa relação “estatal-regional”?

BTL: Ainda que existam princípios e data eleitorais próximos entre os países-membros, permanecem diferenças nas tradições eleitorais dos países, mesmo em uma eleição dita “europeia”. Não existe uma regulamentação única para as eleições. Cada Estado é responsável por organizar e realizar as eleições em seu país. Alguns Estados realizam eleições locais ou nacionais em conjunto às europeias. Em outros Estados, como Bélgica, Luxemburgo e Grécia, o voto é obrigatório, enquanto nos demais é facultativo. As listas partidárias e a indicação dos candidatos têm por base as coligações dos partidos nacionais e não europeus. Isso causa uma grande confusão no eleitorado, que vai para as urnas e vota a partir de motivações e preocupações políticas nacionais e não europeias. Embora exista a ideia de que Estados mais ou menos euro-otimistas, ressaltando o fato do histórico euroceticismo britânico e dinamarquês, acredito ser mais interessante observar a pluralidade de opiniões e posicionamentos dentro de cada país da UE, onde é possível encontrar setores mais ou menos favoráveis a integração. Quando um grupo político de posição diversa em relação a UE assume o poder em um Estado-chave na integração (como na França no governo Charles de Gaulle nos anos 1960), isso pode modificar ou suspender o desenvolvimento da UE.

CJ (PI): A última grande mudança institucional na UE ocorreu após a entrada em vigor do Tratado de Lisboa assinado ainda em 2007. O que esse documento trouxe de benéfico ao PE? Houve grandes mudanças se comparado, por exemplo, com o Tratado de Maastricht de 1992 considerado o maior marco normativo do bloco?

BTL: O Tratado de Lisboa avança substantivamente naquilo que era a grande novidade incluída pelo Tratado de Maastricht (Tratado que instituiu a UE): as competências do PE na aprovação legislativa europeia. Nos anos 1990, inaugura-se o procedimento de codecisão na UE. A partir desse processo legislativo, em determinadas matérias o PE pode decidir, alterar ou rejeitar o resultado das iniciativas legislativa da União, a revelia dos governos dos Estados-membros. A partir de Lisboa, esse procedimento passa a ser adotado em cerca de 90% das temáticas europeias, à exceção dos temas de política externa, segurança e defesa. Ele também passa a ser chamado de procedimento legislativo ordinário, indicando que esse modelo tenderá no futuro da integração a ser adotado em todos os assuntos europeus.

CJ (PI): De maneira geral, temos mais noção de como funcionam as corridas eleitorais em determinados países. Aqui no Brasil, por exemplo, vemos prévias apontando a vitória de Dilma Rousseff (PT) ou um possível segundo turno com Aécio Neves (PSDB). Ademais, nos EUA, embora existam vários partidos, normalmente a querela acontece entre republicanos e democratas. Como estão dispostos os partidos europeus para as presentes eleições parlamentares europeias? Existem favoritos?

BTL: Diferentemente dos EUA e do Brasil, países presidencialistas, a Europa tem uma forte tradição política parlamentarista. Os governantes são normalmente os líderes políticos dos partidos políticos com o maior número de votos. Um modelo próximo a esse passa a ser adotado para as eleições do PE a partir de 2014. Os grupos ou partidos políticos europeus (associação de partidos políticos nacionais com afinidades ideológicas) indicam um candidato à presidência da Comissão Europeia. Cinco partidos europeus indicaram candidatos à Comissão. Dois deles, o grupo socialista e o grupo democrata-cristão são os favoritos a conquistar o maior número de cadeiras o PE, liderados respectivamente pelo alemão Martin Schultz e o luxemburguês Jean-Claude Juncker. Espera-se que o candidato do grupo político vencedor assuma a presidência da Comissão, embora essa decisão não caiba às eleições europeias, mas sim aos Estados-membros que podem ou não indicar o candidato vencedor.

CJ (PI): Por fim, uma pergunta que relaciona a UE e o Mercosul. Parece que o acordo de livre comércio entre ambos os blocos está em vias de finalização, conforme indicou a 7ª Cúpula Brasil-União Europeia ocorrida em abril na cidade de Bruxelas, na Bélgica. E, além do mais, o Parlamento do Mercosul (Parlasul) também já foi criado, mas apresenta um nível de operacionalização bem inferior se comparado ao PE. Logo, as eleições parlamentares e o futuro do PE podem influenciar positivamente as relações intra-bloco e servir como relativo modelo ao Parlasul? Tendo em vista o peso político do Brasil no Mercosul, o que o nosso governo deve observar com os recentes pleitos no outro continente?

BTL: O desenvolvimento do PE e as eleições europeias serviram de modelo para a criação de uma estrutura parlamentar no âmbito do Mercosul, o Parlasul, que futuramente terá todos os seus representantes diretamente eleitos (o Paraguai já elegeu seus parlamentares por duas vezes). O resultado e o comportamento dos grupos políticos e dos cidadãos nas eleições europeias podem trazer grandes lições para as futuras eleições no Mercosul. Uma delas é de que, como parte do exercício democrático, será natural partidos ou candidatos céticos ou contrários ao aprofundamento do bloco. Também é importante ressaltar as dificuldades em mobilizar a população para participar ativamente das eleições, embora o voto seja obrigatório no caso mercosulino. O resultado das eleições do PE tem grandes consequências para a conclusão das negociações comerciais Mercosul-UE, já que os acordos de livre comércio devem ser aprovados pelo PE para sua internalização. Um PE mais protecionista e avesso à liberalização comercial prejudicaria, portanto, a assinatura desse acordo birregional negociado desde os anos 1990.

[A Página Internacional aproveita a oportunidade para agradecer a participação do Ms. Bruno Theodoro Luciano e dizer que aceita comentários, sugestões e críticas pelo e-mail [email protected]]


Categorias: Europa, Organizações Internacionais, Podcast, Post Especial


Somos todos humanos

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post racismo

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Se a Declaração Universal dos Direitos do Homem fosse respeitada por todos aqueles a quem ela se refere, certamente não teríamos tantos casos de racismo sendo noticiados na mídia internacional ainda hoje.

Às vésperas do maior evento do futebol mundial, temos visto uma série de manifestações racistas no esporte, gerando debate sobre um tema que não deveria nem mais entrar na pauta, já que distinção alguma existe (ou deveria existir) entre os seres humanos.

O jogador da seleção brasileira Daniel Alves, ao comer uma banana que lhe foi lançada em campo durante o importante torneio de futebol espanhol, provocou uma polêmica reação liderada por Neymar (a partir de uma ação de uma agência de publicidade, vale registrar) em que o lema “#somostodosmacacos” rapidamente causou grande repercussão nas redes sociais.

O que aconteceu com Daniel Alves não representa um caso isolado no esporte, mas, muito pelo contrário, infelizmente – e não apenas no futebol – casos semelhantes têm acontecido com frequência no Brasil e no mundo inteiro.

Fato é que o esporte tem um poder de mobilização talvez muito maior que qualquer outra área, e que racismo não é uma problemática que se restringe às quadras e campos, mas que ainda aflige especialmente os mais vulneráveis espaços da sociedade. Merece, portanto, ser combatido não apenas com frases em redes sociais, mas também e principalmente por ações no dia-a-dia.

Em situação internacional emblemática essa semana, a ministra francesa da Justiça não cantou o “A Marselhesa”, o tradicional hino da França, em cerimônia de comemoração da abolição da escravidão no país. A polêmica se alastrou devido à frase do refrão do hino em que se entoa “nossa terra do sangue impuro se saciará”, em alusão às lutas contra exércitos estrangeiros…

Independentemente da situação, vemos que a questão racial ainda persiste como uma fonte de rancor, violência e distinções na sociedade. Campanhas publicitárias representam apenas estratégias para uma reflexão que precisa ser intrínseca a todas e a cada uma das pessoas para que a raça deixe de se tornar critério, razão ou fundamento de qualquer ação ou discussão. Acima de tudo, somos todos humanos.


Categorias: Brasil, Direitos Humanos, Mídia, Polêmica


Divulgação – I Fórum de Paradiplomacia

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Prezado leitor,

Estão abertas as inscrições para o “I Fórum Universitário de Paradiplomacia” a ser realizado no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, nos dias 22 e 23 de maio de 2014.

Logo abaixo você verá um breve resumo do evento organizado pela Assessoria Especial para Assuntos Internacionais do Governo do Estado de São Paulo, o qual abordará temáticas envolvendo cooperação internacional descentralizada (CID), mobilidade urbana e políticas públicas.

“A emergência da paradiplomacia – as relações internacionais exercidas por governos subnacionais – é um fenômeno que deve ser amplamente discutido por profissionais da área, bem como estudado e compreendido por futuros bacharéis em Relações Internacionais. A possibilidade de atividades internacionais serem promovidas por entes subnacionais confere mais oportunidades aos estados, regiões e cidades para responderem às suas demandas locais.

Tendo isso em vista, a Assessoria Especial para Assuntos Internacionais idealizou o I Fórum Universitário de Paradiplomacia, que acontecerá nos dias 22 e 23 de maio de 2014, no Palácio dos Bandeirantes, com o objetivo de estabelecer um panorama geral da Cooperação Internacional Descentralizada (CID), desde conceitos pertinentes até ações concretizadas, contribuindo para o suporte metodológico da prática e permitindo que estudantes de Relações Internacionais entrem em contato com essa realidade. Além de mesas de debates, é o primeiro evento do tema no mundo com uma simulação de negociações paradiplomáticas, oportunidade para os estudantes vivenciarem essa atuação profissional enquanto ainda estão na graduação.

No dia 22, serão realizadas três mesas de debates, abordando os temas “A Internacionalização dos Entes Subnacionais”, “Aspectos Jurídicos e Potencialidades da CID” e “Os Atores da CID”, e uma apresentação sobre Empreendedorismo e relações internacionais. Terá início a simulação com estudantes de dez universidades de São Paulo. O tema da simulação é “Mobilidade Urbana”, no contexto do projeto “2014, Ano Île-de-France – São Paulo para o Desenvolvimento Urbano Sustentável”, iniciativa estabelecida pelo Protocolo de Intenções assinado pelo Estado de São Paulo e pela região Île-de-France em 13 de dezembro de 2013. Os estudantes atuarão como representantes de três entidades de cada região: Por São Paulo, Assessoria Especial para Assuntos Internacionais, Emplasa e Secretaria de Transportes Metropolitanos, e por Île-de-France, Unité des Affaires Internationales et Européennes, Institut d’Aménagement et d’Urbanism e Syndicat des Transports d’Île-de-France.

No dia 23, a simulação terá continuidade e os grupos deverão elaborar um projeto com propostas para melhorar a mobilidade urbana em São Paulo. Em seguida, o Assessor Especial para Assuntos Internacionais do Governo do Estado de São Paulo, Rodrigo Tavares, fará uma apresentação sobre as novas tendências nas Relações Internacionais e convidará para um bate-papo o diplomata Ministro Laudemar Aguiar, Chefe da Coordenadoria de Relações Internacionais da Prefeitura do Rio de Janeiro.

O I Fórum Universitário de Paradiplomacia é uma ideia inédita que busca criar espaço para discussão de novos temas nas relações internacionais entre profissionais, acadêmicos e estudantes, apresentar potencialidades no mercado de trabalho, estimular o networking e promover a troca de experiências e a produção e difusão de conhecimentos”.

Para maiores informações, visite a página web do evento: www.facebook.com/forumparadiplomacia

Participe!

[A Página Internacional aproveita para destacar que é aberta à divulgação de eventos em qualquer área correlata às Relações Internacionais. Acreditamos que o contato entre estudantes de diversas áreas é muito relevante para que possamos crescer como uma comunidade de interessados nos temas internacionais. Para dúvidas, posts, parcerias ou qualquer outro tema que acharem relevante, enviem um e-mail para [email protected]].


Categorias: Post Especial


E a história se repete…

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Ban ki-moon Sudao do Sul

Há algumas décadas, imagino que não seria utópico pensar que, no ano de 2014, as ideias de genocídio e crimes contra a humanidade constituiriam marcas de um passado distante, refletindo expectativas em relação a um novo contexto internacional em que tais situações não mais seriam identificadas ou, se identificadas, facilmente combatidas.

Como tragédia ou farsa, já ouvíamos de Marx que a história se repete e, infelizmente, é o que vemos hoje acontecendo no Sudão do Sul. Este que é o mais novo país do mundo, cuja independência do Sudão ocorreu em julho de 2011 e configurou a esperança de solução para uma guerra civil duradoura em que sudaneses, ao sul e ao norte, sofreram aos milhões, tornando-se refugiados ou vítimas fatais de um conflito do qual não escolheram fazer parte.

Com uma geografia privilegiada em relação a reservas de petróleo, esse benefício se tornou a maior fonte de recursos (95% da economia do país) e, ao mesmo tempo, de hostilidades na região. Unindo esse elemento econômico às tensões étnicas que insistem em assolar o continente africano como um todo, mas hoje especialmente o Sudão do Sul, vimos um país nascer, porém já iniciar sua história com massacres e mortes. Despreparo de um país recém-criado em lidar com a situação? Corrupção política? Escasso apoio da comunidade internacional? Talvez todos esses elementos juntos ou nenhum deles sejam capazes de explicar a situação. [Reveja post de 2012 no blog a esse respeito aqui.]

Em um contexto como tal, fato é que nem o Sudão nem o Sudão do Sul puderam ainda vislumbrar o conceito de estabilidade nos últimos anos. Desde dezembro de 2013, contudo, uma situação cada vez mais crítica se alastra no Sudão do Sul sem que alcance os noticiários internacionais, em repetição de história já antes contada, como em Ruanda, há exatos vinte anos.

Tudo (re)começou no final do ano passado quando o ex- vice-presidente Riek Machar foi acusado pelo presidente Salva Kiir de uma tentativa de golpe de Estado, refletindo uma crise política enraizada em diferenças étnicas. O presidente Kiir é da etnia Dinka, predominante no país, enquanto Machar pertence à etnia Lou Nuer. [Mais informações aqui.] Desde 2011, conflitos étnicos têm sido constantes entre as comunidades, exacerbando-se nos últimos cinco meses e levando as Nações Unidas a alertarem a respeito da possibilidade de genocídio no país, além dos inúmeros crimes contra a humanidade cometidos por ambas as partes em conflito.

Segundo informações da ONU, 716.500 pessoas foram deslocadas no interior do Sudão do Sul desde dezembro, e 166.900 tornaram-se refugiadas em países vizinhos, mesmo com a presença de uma Missão da ONU no país (UNMISS). Números expressivos que levaram Ban Ki-moon (foto) e John Kerry (sempre ele) a mediarem um “Acordo para reduzir a crise no Sudão do Sul” na sexta-feira, com o compromisso de Kiir e Machar em assumirem um cessar-fogo que permitisse o apoio humanitário às vítimas.

Menos de dois dias depois de o acordo ter sido saudado internacionalmente, já foram registrados novos conflitos na cidade de Bentiu, estratégica pela produção de petróleo, e as partes se culpam mutuamente pelo reinício das hostilidades e pelo fiasco no diálogo.

À beira de uma epidemia de fome que pode vitimar 50 mil crianças (!) em um horizonte de poucos meses e se tornar uma das mais graves crises no continente africano em comparação com as últimas décadas, dizer que a situação demanda uma ação urgente é pouco. Entretanto, a perversa mistura de motivações e interesses políticos, econômicos e étnicos traduz uma situação de instabilidade em que a comunidade internacional se faz incrédula, ao mesmo tempo que impotente/indiferente diante de tamanha violência que se repete na região…


Categorias: África, Assistência Humanitária, Conflitos, Política e Política Externa


Explicar o inexplicável

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O que significa o rapto de mais de 200 meninas de uma escola na Nigéria? E dizemos rapto no seu sentido verdadeiro, de abdução com fim libidinoso, e não como se diz equivocadamente por aí quando se referem a sequestros.

Provas de que a humanidade não merece o ar que respira existem aos montes no noticiário internacional, mas a notícia dessa semana despertou uma repulsa poucas vezes vista anteriormente. Países com EUA e China, que tecnicamente não têm nada a ver com o assunto (pelo menos, de maneira direta) estão ajudando o governo da Nigéria com informações de inteligência e imagens de satélites. Então existe comoção. É algo inadmissível. Mas o que significa?

Será que representa a opressão feminina em uma sociedade machista? Especialmente na África e na Ásia persistem padrões mais claros de patriarcalismo. Não que isso não aconteça do lado de cá do Atlântico, mas por aquelas bandas a coisa é escancarada. E o anúncio do líder do grupo responsável pelo rapto de que as meninas serão vendidas como esposas para líderes e ricaços nos países vizinhos fortalece essa mensagem. Mas na Nigéria os problemas são mais profundos. Os alvos não são apenas mulheres – há relatos de escolas atacadas, em que todas as vítimas massacradas eram meninos. A opressão de gênero parece ser mais uma consequência de uma estrutura maior.

Seria religião o problema? O tema tem sua cota de responsabilidade pelo sangue derramado no país, mas o radicalismo de grupos como o Boko Haram é rejeitado pela grande maioria dos muçulmanos mundo afora. Não chega a ser representativo de um conflito sectário maior, como o que está rolando na República Centro-Africana.

Será então que o problema é a falência do governo? Notícias do dia mostram haver evidências de que o governo sabia da iminência dos ataques mas não conseguiu de organizar a tempo. E protestos por uma atitude mais eficiente do governo no resgate foram respondidos à maneira dos ditadores truculentos, com a prisão de líderes manifestantes sob a acusação de estarem patrocinando a instabilidade do Estado. E não vamos esquecer da pobreza, que é a fonte de recrutas para esses grupos, bem como possivelmente a fonte da maioria dos males do mundo.

Crianças que buscam educação, para superar a pobreza e as deficiências de um Estado ausente. Grupos radicais que agem à revelia do mesmo e destroem potencialidades em cada uma dessas vítimas. A questão é a busca pela educação, e o problema se constrói como se isso fosse algo errado! O que choca nessa caso é justamente a proximidade da situação. Pode-se contestar o meio como isso é feito, mas os programas de inclusão no Brasil, por exemplo, servem para tentar evitar esse tipo de “erosão” social. Pode ser que nem todos que leem estas linhas estejam em fuga de suas casas, amontoados em caminhões e dividindo espaço com cadáveres como na RCA (onde, por sinal, a coisa está MUITO pior que na Nigéria), mas a maioria conhece a história de alguém esforçado, que trabalha e faz algum curso noturno para ter um diploma técnico para tentar um padrão de vida melhor. É uma situação mais próxima, e por isso ainda mais revoltante que qualquer relato de combates ou mortes. Sem contar o lado da violência e humilhação de gênero, que causa asco na sociedade (ou deveria, haja visto a repercussão daquela famosa pesquisa equivocada do IPEA como vimos há pouco tempo). O rapto dessas meninas na Nigéria tem muito significado, mas principalmente, nos mostra a aparente impotência e incredulidade contra a ignorância que parece ser a única característica verdadeiramente comum no gênero humano, além da violência, seja com raptos na Nigéria, linchamentos no Brasil, ou atirando bananas na Espanha.


Categorias: África, Assistência Humanitária, Direitos Humanos


Post Especial: Página Internacional premiada no Top Blog

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Na sexta-feira, 25 de abril, a Página Internacional foi novamente congratulada pelo Prêmio Top Blog, sendo considerada o segundo melhor blog pessoal de Política da internet brasileira no decorrer do ano de 2013. O prêmio, uma espécie de “Oscar” dos blogueiros no país, reuniu a nata dos usuários dessa ferramenta de comunicação nas mais diversas categorias, desde jornalistas, profissionais e especialistas em áreas como política e moda, até donos de páginas de humor e entretenimento.

Participante assíduo da cerimônia final em que só são convidados os 3 melhores blogs de cada categoria, a Página recebeu a indicação como mais um passo conquistado na trilha de sucesso que acompanha a sua história. A segunda colocação no júri acadêmico, que leva em conta a qualidade do conteúdo publicado, é mais uma prova do amadurecimento do projeto em si e dos colaboradores, que no último ano apresentaram artigos de grande importância e qualidade no campo da Política.

Em uma premiação recheada de figurões da política nacional, com a presença de blogs oficiais como da presidente Dilma Rousseff e do senador Álvaro Dias, os concorrentes da categoria em que nos inserimos, a segunda colocação demonstra que pudemos estar lado a lado em qualidade em comparação a projetos melhores financiados e estruturados, sem dever nada a ninguém. Essa posição enche-nos de orgulho, pois conquistamos tal lugar respeitando a máxima do blog, de sermos um espaço independente, de informação e debate de temas da Política Internacional, sempre com a qualidade exclusiva dos espaços de comunicação livres das amarras partidárias e financeiras tão comuns da mídia em nosso país.

Em um momento como esse, o que sobram são agradecimentos, que devem ser primeiramente dados aos membros mais antigos do blog, que tem se dedicado a ele com afinco, mesmo quando o amor pela escrita compete com as obrigações dos projetos paralelos que permeiam as vidas de cada colaborador. Posso dizer que eles são hoje a base que mantém em pé o nosso espaço.

Também e sobretudo, é o momento de reconhecermos que nenhuma realização que conquistamos até aqui seria possível sem o apoio do leitor da Página, o verdadeiro combustível para que ela chegasse aos recém completados 5 anos de idade, agora novamente premiada como um blog de excelência dentro da blogosfera nacional. Queremos agradecer a todos que nos seguiram até aqui e afirmar que esperamos dar continuidade ao trabalho sério, que foi exclusivamente o nosso guia até aqui. Muito obrigado!


Categorias: Post Especial


Imagem da Semana

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senna
E a imagem dessa semana não poderia deixar de ser também uma homenagem ao ícone Ayrton Senna, cuja trágica morte há exatos 20 anos ainda parece um acontecimento bastante recente na mente dos brasileiros e dos fãs mundiais do automobilismo.

Exemplo de esportista e cidadão, a fatalidade que levou sua vida no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola (Itália), ainda é lembrada com tristeza e consternação, tendo ocorrido no auge de uma carreira já vitoriosa, mundialmente (re)conhecida, mas ainda bastante promissora, com seus apenas 34 anos de idade.

Na curva Tamburello do circuito italiano, foi realizada uma grande homenagem na última quinta-feira, 1º de maio, no horário exato de sua batida em 1994 (foto). Senna tem sido lembrado em inúmeras ocasiões e de formas diversas pelos seus admiradores no mundo inteiro, especialmente esse ano. Reconhecido como um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1, ele foi (e é) responsável por levar as cores do Brasil a todos os cantos do mundo e inspirar multidões há 20 anos (e ainda hoje).