O dilema de Obama

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O Protocolo de Genebra, o primeiro documento que trata do uso de armas químicas, foi acordado há mais de 80 anos. Desde então, o mundo parecia caminhar para uma progressiva eliminação do seu uso. Por outro lado, a Cruz Vermelha, na celebração dos 80 anos do tratado internacional, apontava o aumento do número de agentes potencialmente perigosos e a ampliação dos atores com acesso a esse tipo de recurso como elementos que amplificavam os riscos existentes.   

Entre as lembranças que ajudaram a fortalecer o repúdio a esses armamentos estão: o uso na Guerra do Vietnã pelos Estados Unidos e os ataques de Saddam Hussein aos curdos. Na sequência do Protocolo de Genebra, foi-se além com a celebração de convenções complementares relativas às armas químicas e armas biológicas. Como exemplo do efeito devastador, ainda em 2012 os norte-americanos continuavam esforços de descontaminação no Vietnã, décadas depois dos ataques com um mistura de herbicidas (o agente laranja). 

Pois bem, mas por que estas armas são tão tenebrosas? Nesta semana um professor francês, ex-membro da organização Médicos sem Fronteiras, elucidou a questão. Perguntado sobre a diferença entre armas químicas e convencionais, respondeu que as últimas são empregadas para a conquista de pontos estratégicos e o uso é flagrante, enquanto as primeiras têm como objetivo aterrorizar a população e não se percebe de imediato qual a origem do ataque. Isto talvez valide, por exemplo, relatos que médicos que prestaram socorro aos bairros de Damasco atingidos tenham igualmente sido contaminados, muitos sem saber.  

Com estas imagens em mente, somadas ao cômputo de vítimas do mais recente evento (mais de 1000, segundo John Kerry), Obama medita sobre eventuais caminhos possíveis. A sombra da intervenção sob pretextos falsos no Iraque implicou certa cautela e oposição da população. Daquela vez, havia a “coalition of the willing”, com uma importante participação britânica. Agora, os britânicos estão fora. Hollande, presidente francês, inicialmente falou em punir Assad e já apresenta sinais de arrefecer os ânimos. Sobrou para o Obama, agora sem coalizão internacional, mas com indícios mais sólidos que o pretexto para intervir é válido. 

O Brasil segue com seu posicionamento de que a solução para a questão da Síria deveria surgir de negociações. Causa estranheza para muitos, mas em questão de Direitos Humanos a diplomacia brasileira defende que soluções devem vir do âmbito multilateral. África do Sul também se manifestou contrária a uma ação militar. O Conselho de Segurança da ONU não chega a um acordo, o Irã ameaça retaliar, Israel se prepara para um transbordamento do conflito para suas fronteiras, enquanto a opinião pública norte-americana é contra a punição militar à Síria. Assim, Obama ficou em uma situação desconfortável, afinal deixaram todos os riscos com ele.  

Caso o plano seja levado adiante, mesmo circunscrito à punição pelo uso de armas químicas por Assad e sem tropas americanas no terreno, será que passará sem resposta da Síria? Outra questão, estabelece-se então a linha do tipo de armamento que não se deve utilizar, mas como fica a crise humanitária? O objetivo não parece ser destituir Assad, a comunidade internacional continuará assistindo de longe a continuidade da guerra? Por fim, recuar igualmente seria temerário, especialmente depois de discursos inflamados em defesa de uma eventual resposta pautada em princípios humanitários. Em todos os cenários, o ônus cairá no colo do Obama. Ele traçou a linha vermelha, ele viu a repetição de ataques desafiando o limite que estabelecera e provavelmente atacará sozinho (sem coalizão e sem anuência das Nações Unidas). 

Update: Obama decidiu atacar. Contudo, quer a autorização do Congresso. No final das contas, ele quer dividiro ônus com alguém. Nada mais justo, considerando os exemplos recentes de crises decorrentes de ações internacionais.  


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O caminho para a destruição

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Desde 1994 a ONU tem um trauma. A falta de capacidade em evitar o genocídio em Ruanda e o modo como o mundo todo descobriu aquele massacre feito na base do facão é sempre a primeira justificativa quando se pensa em alguma resposta mais dura a crises humanitárias. Hoje, vemos a Síria em guerra civil e evidência lamentável do uso de armas químicas. A chamada “opinião pública” mundial clama por ação, e parece que Reino Unido, França e possivelmente os EUA estariam buscando uma resposta conjunta que pode sim render uma ação armada. 

Existe muita ironia em tudo isso. Basta lembrar a intervenção na Líbia. A ONU aprovou uma zona de exclusão aérea (por muito menos que o uso de armas químicas), o conflito se acirrou e hoje o país não tem governo. O resultado da intervenção, no fim das contas, é contestado e muita gente culpa os países ocidentais pelo aumento substancial das mortes e instabilidade que dura até hoje no país. 

O caso da Síria é bem diferente, em quase todos os sentidos, a favor e contra a intervenção. A favor, existem evidências do uso de armas químicas (a questão é saber exatamente de que lado), um sangrento prolongamento das hostilidades e, principalmente, o recurso ao conceito da “responsabilidade de proteger” (que a ONU trouxe lá no meio dos anos 2000 e visa justamente evitar esses genocídios), que já tem efeitos práticos na missão da ONU no Congo (que hoje tem um “braço armado” capaz de revidar às ameaças contra a população, coisa inédita). Contra, é claro, temos um elemento político. China e Rússia são totalmente contra uma intervenção de qualquer natureza, por diversos motivos – e alguns são bem pragmáticos, como o fato de não se saber exatamente ainda qual dos lados usou as armas, e defender a permanência de Assad por simplesmente não ser possível prever como seria instalado um novo governo caso ele seja derrubado, ou como isso afetaria a estabilidade da região. Há também a crítica dos “interesses escusos” das potências (que já vimos na Líbia), em que a defesa dos direitos humanos vira uma desculpa para o bom e velho imperialismo versão século XXI. E vozes na própria ONU ainda defendem que o caminho das negociações seria ainda a melhor opção. 

O Reino Unido vai levar o caso ao Conselho de Segurança, pedindo ações rígidas, mas qualquer medida nesse tom será barrada por Rússia e/ou China. Esse “travamento” na ONU vai acabar levando à ação unilateral, seja individualmente, seja por meio da OTAN, ou coisa do tipo. A movimentação já existe, com navios e porta-aviões de prontidão na região, e as evidências dos ataques químicos acabam sendo um marco do “ponto sem retorno”. Algum dos lados do conflito fez algo abominável para a sociedade internacional, e na visão das democracias ocidentais uma ação precisa ser tomada. Mas o quê vai ser feito? Uma invasão com tropas e tudo mais? Uma zona de exclusão aérea? Bloqueio naval? Qualquer opção vai render um banho de sangue para os dois lados e potencialmente tornar ainda mais letal o conflito. E não significa necessariamente que a intervenção vá ter sucesso. 

De qualquer jeito a reação será negativa. Em caso de intervenção, mesmo que milagrosamente dê certo e acabe com o conflito, vai haver protestos contra imperialismo, denúncia de interesses escusos e possivelmente desestabilização da região como um todo (o Irã pode fazer alguma bobagem, retaliação sino-russa, e por aí vai). Caso nada seja feito, mais uma vez a ONU perderá credibilidade por não ter evitado uma tragédia. A única solução que evitaria qualquer desfecho negativo seria a pacificação pela negociação, mas levando em conta quem está lutando, e o ponto a que chegaram as coisas, esse caminho é agora um sonho.


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Cegueira não tem fim

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Em todos os lugares, de tempos em tempos um tema qualquer polariza a discussão sobre os caminhos adotados pela política nacional. Grupos se concentram em lados opostos, à esquerda e à direita, liberais e social-democratas, conservadores ou progressistas. Apresentam caminhos diferente para a solução de problemas em comum. Desses embates surgem propostas e posições que irão definir o futuro das decisões políticas importantes. Na saúde, nos transportes, na educação, nos direitos das minorias etc.

Mas a polarização tem um efeito colateral. Dela, surgem grupos que mais parecem caricaturas. Logo, começam a colocar ideias por vezes esdrúxulas, em outros momentos perigosas. E assim formulam as mais absurdas respostas para a realidade e os problemas sociais. Qual a política de emprego? “Expulsar os imigrantes, metralhar os patrões.” Qual a solução para a violência? “Execuções em praça pública, condenações sem julgamentos”.  

Nos dias atuais, ao menos no processo decisório, as caricaturas quase nunca aparecem. Não aparecem por que já perderam o embate da discussão, não foram levadas suficientemente a sério pela maioria. E cada dia são menos levadas. As caricaturas sempre ficam em segundo plano, longe do centro debate. Exceto no Brasil. Aqui, há uma recente tendência que a caricatura apareça mais que o bom senso em grande parte das vezes. E com uma recorrência que deveria nos assustar.

Como eu poderia provar essa afirmação? Com o assunto do momento: a vinda de médicos estrangeiros ao Brasil, por meio de um programa federal de “cooperação internacional”, em que se abrem vagas para estrangeiros trabalharem no Sistema Único de Saúde. Uma decisão que tem gerado bastante polêmica. Vamos compreendê-la melhor.

Tudo começou quando Alexandre Padilha, então ministro da saúde sem grande destaque, foi alçado pelo ex-presidente Lula como uma dos nomes futuros de seu partido. Padilha supostamente sairia do ministério rumo à disputa para algum cargo executivo, de preferência o governo do Estado de São Paulo. Mas ele precisava de uma propaganda positiva. Mas como fazer a propaganda de um homem que gerencia a mais criticada área pela população? Aqui no Brasil é possível. Basta criar uma “marca”.

As marcas servem para cobrir gestões medíocres ou instáveis. A partir delas é que criou-se a ideia de um ministro que é “pai do Real” ou de uma suposta “mãe do PAC”. Se personaliza tudo. Quem se interessa por política interna sabe que aqui a propaganda política não morre órfã. Padilha, que não era pai de nada, resolveu ser pai do Programa Mais Médicos.

Foi um ano de negociações, sempre com muitos empecilhos e criticas, em que o ministro buscou transformar seu filho em realidade. Até que ocorreram as manifestações de junho. Na ânsia de dar resposta satisfatória ao povo, a presidente decidiu tomar um série de medidas de melhoria em várias áreas, inclusive na saúde.

Anunciou então 50 bilhões de reais em investimentos, mais de 12 mil novas vagas de graduação em medicina nas universidades públicas federais e a vinda de milhares de médicos estrangeiros. Notem, a medida da vinda de médicos estrangeiros foi anunciada como a principal delas. Óbvio, 12 mil vagas nas universidades e 50 bilhões em investimentos valem menos politicamente do que ser pai de algum projeto.  

A partir daí houve a polarização, tão comum nas democracias. Parte dos médicos acusavam a medida de populista. Outros defendiam investimentos além de novas contratações, ou a melhoria das condições de trabalho nas cidades pobres, para que surgissem vagas mais atraentes. Outros argumentavam que o aumento de formandos por si só solucionaria o problema da falta de médicos, não precisando de medidas emergenciais. O assunto seguia interessante. A vinda dos médicos estrangeiros era mais um bom debate no efervescente momento dos protestos. Aos poucos os médicos foram perdendo espaço. Pesquisas mostravam que o apoio ao plano do governo saíra de 7% de desvantagem para os contrários à medida, para 8% de vantagem.

Pouco a pouco, os contrários a vinda dos médicos foram mudando de argumentação. Foram criando uma polêmica atrás de outra. Primeiro, contestaram a competência dos postulantes às vagas. Depois do sistema Revalida. Até que surgiu o anuncio da vinda em massa de médicos cubanos.

O problema é que pega mal a palavra Cuba aqui no Brasil. Inclusive, essa é uma palavra que parece mal-assombrada no país. Toda vez que entra em cena temos a percepção do ressurgimento de muitos esqueletos há muito enterrados. Esqueletos ideológicos. Não demorou muito para pessoas começarem a criar um suposto plano de infiltração de terroristas de jaleco, disfarçados para impor uma certa revolução vermelha.

Em qualquer país tais suposições não freariam o plano,  nem ganhariam repercussão. Mas aqui as caricaturas, por vezes, pesam mais que o bom senso. Os jornais passaram a noticiar a vinda de médicos como um embate ideológico sobre o apoio ou não à ditadura cubana. Houve quem ousasse tecer um plano para o governo brasileiro “financiar” a ditadura cubana, sabe-se lá por qual motivo.

E daí surgiram anomalias cada vez maiores. Um diretor regional de medicina dizendo que chamaria a policia aos estrangeiros e, pasmem, não socorreria erros médicos dos mesmos. Em uma ordem, o médico rasga o juramento que fez ainda na universidade, e diante da posição que ocupa, não mede esforços em fazer política com vidas.

Mas o assalto dos absurdos continuou. “Médicos cubanos são mercadorias, estão despreparados”, “a medicina cubana esta superada”. Até que surgiu a noticia de que seriam “quase escravos”, trabalhariam por 30% do salário. O restante seria entregue ao governo cubano. Enfim uma discussão valida. Afinal, seria correto essa forma de remuneração? 


Voltamos a boa discussão por um momento. Até que os médicos cubanos chegaram, afirmando amores ao Brasil. Dizendo que trabalhariam até de graça, que concordavam com a forma de pagamento. Seria o fim da polêmica de que os cubanos seriam escravos prestes a fugir do domínio do regime. Como combater o apoio dos próprios cubanos a suas contratações?

O resultado é o da foto acima. Uma dúzia de médicos recepcionando estrangeiros da forma mais vergonhosa possível. Criando uma espécie de corredor polonês, vaiando, ofendendo, pedindo a saída deles do país. Se houvesse um retrato do preconceito em exposição em uma galeria de arte, seria o acima. O que levaram tais médicos a se comportarem dessa forma? Diria eu, que o resultado do triunfo da mediocridade sobre o bom senso.

A caricatura vence o bom senso no Brasil por muitas vezes. Quando li que os médicos cearenses ofendiam os cubanos os chamando de “escravos”, já sabia do que se tratava: uma velha ação muito comum no Brasil. Imaginem que a mulher apanha do marido. Dias depois ela volta a viver com ele e apanha novamente. A partir de então se criminaliza a vitima, e o marido está livre para futuras surras. Algo do tipo “Os cubanos são escravos. Mas apoiam o modelo do seu governo? Então merecem a senzala.” A senzala, o corredor polonês, a xenofobia de perto. O brasileiro leva muito a sério o raciocínio binário.

Após o fato ocorrido, uma jornalista ainda colocou em uma rede social uma comparação entre a aparência de médicas cubanas e das empregadas domésticas. Em uma só frase foi racista, preconceituosa e um bocado ignorante. No fim ainda se esquece que os cubanos vieram exatamente para atender gente humilde, que ela mesmo humilha. Em sua “defesa” aos mais pobres, ainda afirma: “coitado desse povo, ser tratado por essa gente!” Coitado mesmo, que depende da decisão e ação de uma suposta elite, que tão facilmente cai no limbo do pensamento medíocre. A caricatura perfeita do preconceito, da xenofobia, do corporativismo e da intolerância. 

Esse debate surpreende pelo baixo nível até a quem já está acostumado as discussões sobre política em nosso país. E isso é de impressionar! O limbo intelectual tomou conta do centro do debate. Já não é a primeira vez que isso ocorre, seria otimismo demais dizer que será a última. E para quem se interessa pela melhoria do país, resta se contentar com opiniões desse tipo pipocando por todos os lados. Poderíamos até mudar a letra daquela velha música, para mostrar o que as vezes sentimos nesses momentos: “Cegueira não tem fim. Paciência, sim!”


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10 anos depois

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Na última segunda-feira, dia 19 de agosto, comemorou-se o Dia Mundial da Ação Humanitária, em homenagem àqueles que dedicam suas vidas ao trabalho humanitário nas mais diversas situações de necessidade no mundo, recordando especialmente os trabalhadores que perderam (e ainda perdem) suas vidas no trabalho.

A data foi criada pelas Nações Unidas no ano de 2008, relembrando o triste atentado de 19 de agosto de 2003 em Bagdá, no Iraque, durante o qual 22 funcionários da ONU faleceram e mais de 150 ficaram feridos. Neste dia o Brasil e o mundo lamentaram a morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, então chefe da missão no Iraque, funcionário de grande reconhecimento e possivelmente cotado para assumir o Secretariado-Geral desta organização à época (interessante documentário sobre sua vida e legado disponível aqui).

10 anos depois, vemos que as condições de trabalho humanitário no mundo têm se tornado cada vez mais difíceis, com crises que impressionam pela quantidade de vítimas, pela dificuldade de acesso da ajuda e, frequentemente, pela imobilidade internacional diante dos grandes interesses político-econômicos em jogo. Uma Síria especialmente preocupante nos provoca hoje reflexão sobre as condições de trabalho humanitário no mundo. Quantos Sérgios anônimos não perdem a vida diariamente na realização de seu trabalho? Quanto ainda deve ser feito para garantir a proteção daqueles que escolheram a proteção dos mais vulneráveis como opção de vida?

Incertezas ainda rondam o atentado ao Iraque em 2003 (leia aqui artigo de Carolina Larriera, companheira de Sérgio Vieira de Mello também presente no momento do atentado) e aceitar esse contexto político de interesses obscuros talvez seja uma das tarefas mais difíceis para qualquer pessoa envolvida com cooperação humanitária. Os ideais se veem confrontados com uma realidade muito menos gentil, mas diante da qual não se pode deixar de acreditar na possibilidade de fazer a diferença em sociedades afetadas pelas mazelas de conflitos armados e desastres socioambientais.

Que este marco de 10 anos desde o atentado em 2003 possa de alguma forma nos lembrar do que já passou, nos fazer questionar o que ainda não está claro, nos inspirar pelo exemplo de tantos – mas especialmente de Sérgio Vieira de Mello – e nos mostrar que os caminhos a seguir ainda estão sendo traçados e que devem respeitar sempre os princípios humanitários para aqueles que sofrem e também para aqueles que trabalham para minimizar este sofrimento.

[Em meio às homenagens ao Dia Mundial da Ação Humanitária, a campanha anual da ONU tem como conceito “transformar palavras em ações”, incentivando as pessoas a completarem a frase “O mundo precisa de mais…” para que as palavras sejam financiadas pela iniciativa privada em prol das ações humanitárias que estão se desenvolvendo hoje no mundo. Veja mais aqui e participe aqui.] 


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50 anos – I have a dream

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Nesta semana, completa-se o marco de 50 anos do discurso de Martin Luther King para cerca de 200 mil pessoas no Memorial Lincoln, em Washington. O discurso foi um dos marcos da luta contra as leis de segregação (Jim Crow Laws) que vigoraram até meados da década de 1960 nos Estados Unidos. Junto com outras figuras simbólicas, como Rosa Parks e James Meredith, ajudou a desafiar a segregação e projetar uma sociedade mais justa no país.

King foi laureado com o prêmio Nobel da Paz em 1965, antes de ser assassinado em 1968. Curiosamente, no dia anterior a sua morte fez outro discurso marcante, o “I´ve been to the mountaintop” (Estive no topo da montanha, em tradução livre). Sua obra ensejou um legado reverenciado e celebrado mundo afora. Em 1983, o presidente Reagan estabeleceu um feriado nacional em sua homenagem.


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O retrato da indolência

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Fonte: New York Times


Ou negligência, se preferirem. Há tempos que o conflito na Síria vem levantando novos debates a respeito da morte incansável de milhares de civis. Muitos são os problemas apontados: uso excessivo de força por parte do governo de Al-Assad, falta de comprometimento das grandes potências, indiferença por parte da comunidade internacional, violação de direitos humanos e de tratados internacionais. Existem, ainda, indícios sobre o uso discriminado de armas químicas, conforme já apontei em outro texto aqui na Página Internacional. 

Sobre esse último ponto, um grande mistério vem rondando os noticiários esta semana. Em um vídeo divulgado pelo jornal “The New York Times” em matéria intitulada “Images of Death in Syria, but No Proof of Chemical Attack”, são vistos centenas de civis (crianças e adultos) sendo atendidas por conta de um suposto ataque químico perto da cidade de Damasco. Entretanto, as pessoas que auxiliam nos atendimentos não usam nenhum tipo de proteção. O ministro sírio al-Zu’bi disse que as imagens foram planejadas… 

Faltam provas, mas nem tanto. Sabe-se que o conflito interno na Síria já alcançou patamares inimaginados anteriormente. Obviamente que as mortes são as piores consequências, só que o principal problema é saber como os sírios reagirão a essa maré de má sorte. Falta o básico, falta qualidade de vida. A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que existe cerca de um milhão de crianças refugiadas por causa dos combates. E isso tende a aumentar. 

Por falar em ONU, a organização vem mostrando sua fraqueza. Sempre fui uma pessoa que tem a seguinte opinião sobre os capacetes azuis: “Ruim com eles, pior sem eles”. Suas ações são louváveis em inúmeros eventos históricos e sua voz no cenário internacional é vital. Mas não podemos deixar de notar que sua presença na Síria deixa a desejar. Somente agora que a ONU pediu autorização ao governo sírio para investigar os ataques com armas químicas. 

Vai e vai rápido! Ban Ki-moon é uma excelente figura e conquistou seu espaço no cargo máximo. Tem grandes problemas nas mãos e um deles é a Síria. Não podemos culpa-lo por tudo. Boa porcentagem dessa “indolência” no país é decorrente da falta de vontade política das grandes potências. A França propôs o uso da força para combater os ataques químicos, Alemanha e Estados Unidos ficam com o rabo entre as pernas e passam a bola para a Rússia, “acusada” de enviar armas para Al-Assad e por aí vai. 

E o que fará, agora, Mister Obama? Conforme atestado por matéria da BBC, há um ano o presidente disse que, caso fossem utilizadas armas químicas na Síria, os Estados Unidos recalculariam sua posição. Será que os norte-americanos vão para o front de guerra? Difícil, heim! Iraque e Afeganistão mandam lembranças. 

O estágio atual da Síria é insustentável e, se assim permanecer, não continuaremos a colocar a culpa somente em autoridades nacionais. Falta força política da ONU e, mais impactante ainda, força de vontade das grandes potências. Se “indolência” é um termo feio e pesado, podemos colocar como sinônimo a “preguiça”. Obama e companhia dormem no ponto.


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A "punição exemplar"

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Antigamente, se via muito a aplicação da chamada “punição exemplar”. Execuções horrendas, como esquartejamentos, serviam justamente para confirmar o poder de quem manda na ordem do momento (seja um governo, democrático ou não, seja um tirano) e colocar medo naqueles que estariam envolvidos para evitar a recorrência dos atos que levaram à punição. Basicamente, a mesma ideia do encarceramento, mas de um jeito horripilante e com muito mais impacto. É diferente do “bode expiatório”, quando colocamos toda a culpa em um certo indivíduo para livrar a cara de outros.

Pois bem, como hoje em dia não pega muito bem desmembrar gente em público (apesar da tradição da pena de morte em alguns lugares persistir), ou quando a situação escapa de “dentro” do Estado, o jeito encontrado para alcançar aqueles dois objetivos se tornaram bem mais sutis. Estamos vendo um pouco disso nos casos recente de vazamento de informações internacionais. O mais quente é o do brasileiro David Miranda, detido pela polícia britânica durante sua passagem pelo aeroporto de Londres por cerca de nove horas em decorrência de artigos no mínimo questionáveis da lei antiterrorismo do país. Durante esse período, para não ser preso, o brasileiro teve de responder questões pessoais, entregar senhas e teve seus pertences confiscados. O que isso tem a ver com terrorismo? Miranda é parceiro de Glenn Greenwald, o jornalista que jogou na mídia a bomba das revelações de Edward Snowden, e aqui as coisas começam a ficar estranhas. 

O governo britânico justifica que a detenção foi feita com base legal e no interesse dos cidadãos britânicos, de que os dados nos pertences poderiam comprometer a segurança nacional. Mas é muito suspeito que justamente ele tenha sido “sorteado” para essa busca. Há um claro interesse por trás desse ato, simbolismo, mas o difícil é saber de quem partiu. A CIA? Os EUA? Serviços de inteligência? Aqui já estamos na área das conspirações, mas parece claro que temos um fenômeno recorrente. Pensem nas nebulosas acusações de abuso sexual contra Julian Assange que fizeram dele morador permanente da embaixada do Equador em Londres. Ou o jogo de gato e rato de Snowden com a inteligência dos EUA e sua demonização na mídia de lá. Ou a papagaiada do avião de Evo. São casos em que, se os governos não têm meios de agir diretamente contra os que atingiram seus interesses, ocorrem ataques “indiretos”. A mensagem é clara – de um jeito ou de outro, alguém vai pagar. Quem quiser enfrentar o mundo e revelar segredos dos países vai ter que ser muito liso e torcer pra que não envolvam suas famílias ou coisa do tipo no meio. E isso pra não contar quando existe o peso da lei – como o caso do soldado Manning, envolvido com os vazamentos do Wikileaks lá em 2010, que acaba de ter a sentença anunciada e conseguiu escapar de 90 anos na prisão para “apenas” 35

Mas é, estamos falando de conspirações ou suposições com base em fortes suspeitas… mas o que temos de concreto? Na semana passada o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, já tinha “puxado a orelha” do Secretário de Estado dos EUA sobre a vigilância. O caso de Miranda foi a gota d’água, e o Brasil condenou veementemente (e de um jeito até atípico) a atitude da Grã-Bretanha. Por muito menos que isso já rompemos relações com eles (nos bons tempos do Império), mas não deve ser para tanto. Talvez isso mostre o maior dano que os envolvidos na espionagem tenham: o diplomático. Esse demora para ser consertado, e a “punição exemplar” acaba tendo um efeito muito pior do que o dano que tenta evitar…


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Imagem da Semana

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A Imagem da Semana mais uma vez vem do Egito. Milhares saem às ruas com a imagem do ex-presidente Morsi. País com forte instabilidade política desde a Primavera Árabe, tem vivido um momento de forte pessimismo, após ser retratado a poucos meses atrás como o grande exemplo de luta de uma população contra uma ditadura. Mubarak já se foi e o governo interino do exército também. Já tivemos a deposição do presidente eleito Morsi e agora voltamos a ter outra interferência de militares, que voltaram a governar.

Os problemas no Egito já pareciam claros desde as primeiras revoltas noticiadas. O medo de uma ditadura militar se confundiu ao medo da chegada ao poder da Irmandade Muçulmana, grupo acusado de radicalismo. Foi exatamente o que ocorreu com a vitória de Morsi nas eleições, um ano após o inicio dos protestos. Agora, após o golpe que selou o destino de seu governo, a própria Irmandade Muçulmana se coloca nas ruas junto a grande parte da população, em protesto ao que chamam de golpe. Enquanto isso, são alvos de uma forte repressão, que matou mais de 500 pessoas apenas no primeiro dia de protestos. 

O clima no Egito é cada dia pior, o que levou aos EUA e a União Europeia a tomarem medidas que visam forçar o governo a diminuir a violência contra os manifestantes, e que acalme a fúria das ruas.Foram batizadas de “medidas de aceleração da democracia”. Infelizmente, a democracia e a estabilidade política egípcia parecem longe de serem alcançadas.


Vamos falar sobre os Ciganos

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“A globalização aproximou todas as culturas”. Essa é uma das frases mais comuns que ouvimos em conversas descompromissadas do dia a dia. Em parte uma afirmação correta. Longe de imaginar o desconhecido de novos lugares, do “descobrimento de novas Terras e povos”, tudo se parece igual. Então começamos a pensar que o restou da diversidade de povos no mundo foram pequenas diferenças, o restante de singularidades que ainda os caracterizam. 

Como bons ocidentais, esquecemos populações inteiras, completamente distintas de nós. Esquecemos a África, minimizamos as superpopulações dos países asiáticos, reduzindo aos poucos imigrantes que conhecemos. Talvez tenhamos pontos em comum aos europeus. Copiamos em parte o modo de vida americano. Mas não temos ideia de quem é o camponês chinês, que representa cerca de 10% da população mundial. Como não o conhecemos e não fazem parte do nosso raciocínio de globalização, os esquecemos.

Mas não precisaríamos cruzar o mundo em busca de populações exóticas ou excluídas para encontrar exemplos desse tipo de esquecimento moderno. Poderíamos usar como exemplo o Brasil. E não falo de tribos indígenas ou povoados distantes, sem fácil conexão com a “civilização”. Fazemos o mesmo com quem vive em nossas cidades, por vezes são nossos vizinhos de bairro ou até mesmo de rua: os Ciganos. Uma junção de diversos povos nômades, compartilhando da mesma língua, o Romaní. 

Os ciganos são bastante peculiares. A maior parte da sua historia é baseada na exclusão de qualquer território pisado. E os territórios são muitos. Talvez os Ciganos tenham sido o primeiro exemplo de estereotipo da ficção literária e do imaginário popular. O grande retrato de um povo inferiorizado. Muito antes dos Nazistas publicarem em suas revistas caricaturas pejorativas de judeus, os Ciganos cumpriam papéis nessas publicações de assassinos, artistas de circo, piratas, farsantes, cartomantes, charlatões. Sempre pessoas a serem evitadas ou eliminadas. Diz-se que o ser humano, diante do medo do desconhecido, tende a cobrir o outro de véus. Uma boa metáfora aos muçulmanos, já literalmente vestidos da forma como os imaginamos ou desconhecemos. Melhor ainda para representar os ciganos. 

Interessante que intactos aos diversos ataques que sofreram de todos os Estados em que viveram, permaneceram em comunidades bastante exclusivas, bem cristalizadas, defendendo a sua cultura e crenças. E durante décadas passaram distantes de obrigações impostas. Não como os Amishes ou índios, reconhecidos juridicamente como donos de terras, de uma própria lei, da liberdade e reconhecimento. Os Ciganos se mantiveram unidos sob fortes ameaças, entre a cruz e a espada.

 No Brasil, entre as antigas discussões que negaram a legitimidade do povo cigano, estava a afirmação de que “não eram um povo em si, mas sim várias populações que compartilhavam ‘apenas’ da mesma língua”. Que grande surpresa isso não representar um povo para as autoridades brasileiras, assim como de muitos outros países. Afinal, não seria o Brasil o maior exemplo de torre de Babel em que diversas culturas compartilham  a mesma língua, e apenas por esse motivo se formaram como sociedade?  

Assim, os ciganos foram lançados ao maior abismo possível da exclusão. Maior que o do ódio, como sofreram os judeus. Foram jogados ao esquecimento, à falta de identidade. Invisíveis, seguiram como alvos de todas as barbáries possíveis. Estiveram nos massacres das guerras desde o século X, nos êxodos de populações, na Segunda Guerra Mundial, sofrendo um holocausto tão terrível quanto qualquer outro povo odiado pelos alemães. Mas um holocausto esquecido, nunca noticiado. 

Sempre comparado a ratos, como uma população de uma raça ou cultura inferior. Sem uma Terra, sem lobby político, sem órgãos de Direitos Humanos atentos, sem defensores. Massacrados pela Direita, pela Esquerda, pelo Centro e por Comunistas. Também por Ditaduras e Regimes Democráticos. Vezes mais, vezes menos. Vezes sem direito à dignidade, vezes sem direito à vida.

Mesmo diante de uma situação bastante negativa, o que é interessante é que os ciganos por muitas vezes deram as costas a qualquer tipo de oportunidade de se misturar às populações dos países em que viveram. Não deixaram suas crenças e muito menos se prepararam para o mundo globalizado. A falta de escolaridade é uma das provas dessa afirmação. O analfabetismo veio bater forte no modo de vida cigana no mundo capitalista, jogando a população ainda mais na pobreza. O seu maior líder, autointitulado “rei dos ciganos”, Florín Cioaba, foi um dos primeiro a tentar modificar essa rebeldia contra qualquer tipo de instituição do Estado. Também aboliu o casamento de pessoas menores de 15 anos, muito comum em sua cultura. Pensou assim diminuir a exclusão Cigana no mundo moderno, a diminuição do preconceito contra seu povo. Esqueceu que não é nada moderna a segregação Cigana. 

A cultura, conhecida como anacrônica ao mundo atual e a obscuridade do modo de vida cigano fizeram com que se construísse a ideia de um povo negativo, mais uma vez. Logo, o cigano ganhou o papel moderno de único portador de fé em crendices, da ignorância, aquele retrato da mulher que faz leitura de mãos no centro decadente da grande metrópole. O que realçou ainda mais a visão de povo a ser ignorado. Diante de tantas populações nada esclarecidas, como a do Brasil, que desafiam o bom senso com discursos religiosos contrários ao relacionamento homoafetivo e mais recentemente, de forma absurda, contrários ao direito ao aborto em casos de estupro, o Cigano ainda se tornou a “antiguidade indesejada”, o bode expiatório do desejo progressista.

Distante da modernidade, do Estado, das elites e até dos “descolados”, os Ciganos permanecem esquecidos. Sofrendo massacres em parte da Ásia e leste europeu, excluídos no restante da Europa e nas Américas. Não saem em jornais, não há pesquisas acadêmicas sobre eles, nem história de seu povo. Não são incluídos em estudos nas escolas sobre migrações, muito menos lembrados em sua existência. Permanecem apenas no imaginário do artista de circo, da cartomante, da dançarina exótica.

Mas os Ciganos desafiam o silêncio e continuam a ser uma comunidade bastante restrita, mantendo laços de proximidade que protegem a sua cultura até mesmo da igualdade globalizante. E seguem às sombras, compondo o mais curioso retrato de povo do mundo globalizado.

Deixo alguns links para quem se interessou sobre o tema:

Embaixada Cigana no Brasil e um pouco de história desse povo.

Construção de muros anti-ciganos na Europa, exemplo muito comum da exclusão atual.

O Holocausto Cigano, ocorrido junto ao judeu pelos Nazistas, mas pouco noticiado.

Discussão sobre a exclusão Cigana da sociedade, dos noticiários e das pesquisas sociais e históricas.

O Cigano no mundo globalizado.


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Um elogio e duas matérias

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Pois bem, eu estava sem ideias para escrever até receber minha Revista “Pesquisa” da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). É um dos melhores periódicos do Brasil, sem dúvida alguma. A FAPESP é referência em pesquisas científicas e acadêmicas e ela tenta passar um pouco do conhecimento produzido em seus projetos nessa revista. Para quem não conhece, fica a dica. É só clicar nesse link aqui

Foi daí que comecei a dar uma lida na edição de Agosto (n. 210) e logo na capa vi o título “A era dos extremos”. Logo pensei na célebre obra de Eric Hobsbawm sobre o seu breve século XX. Abri e vi que o escritor pontuou o livro em questão no primeiro parágrafo e meu interesse aumentou. A matéria é sobre mudanças climáticas aqui no Brasil e atesta que até 2100 a temperatura em todo país aumentará entre 3º a 6ºC. Ainda assim, as chuvas tenderão a aumentar 30% no Sul-Sudeste e diminuir até 40% no Norte-Nordeste. 

O projeto financiado pela fundação tem como título “Brazilian Model of the Global Climate System” e está sob coordenação de Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Bem verdade, representa uma extensa rede de pesquisas nacional. São vários pesquisadores e instituições envolvidas, sendo que se destaca o fato do Brasil ser o único país do hemisfério sul a possuir seu sistema próprio de monitoramento do clima. Para se ter uma breve noção da complexidade disso tudo, foram analisados até o tamanho das gotas de chuva para saber se haverá mais ou menos precipitações. Os dados desse primeiro relatório indicam com maior importância que a temperatura aumentará em todas as latitudes brasileiras. Ou seja, aquela história do aquecimento global ser mito é pura mentira. A reportagem completa pode ser acessada aqui

E não menos importante, já mudando de assunto, essa mesma edição da Revista “Pesquisa” da FAPESP trouxe outra matéria intitulada “Gosto pela Diplomacia”. Como resultado do projeto “Brasil, as Américas e o Mundo – política externa e opinião pública”, coordenado pela Professora Maria Hermínia de Almeida do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, fora observado que cada vez mais a política externa brasileira entra no interesse nacional, contrariando a tendência de tempos passados. De fato, brasileiros nunca se interessaram muito por política interna e menos ainda pela externa ou Internacional. 

Fonte: Revista Pesquisa (FAPESP) – n. 210, Agosto/2013

Mas essa constatação mudou nos últimos anos. Além da política externa estar presente no dia-a-dia da população, progressivamente há a negação de que o Itamaraty é “um caso bem sucedido de insulamento burocrático”. A maioria dos entrevistados acredita que o Brasil terá grande peso nas Relações Internacionais daqui pra frente e afirma que aos BRICS pertencerá o futuro. Dos resultados mais surpreendentes destaca-se um: houve um consenso entre a opinião do público em geral e dos especialistas! Será que isso denota uma gradual ruptura no Ministério das Relações Exteriores (MRE) no sentido de que, ao contrário do que muitos imaginavam, a população sabe o que está dizendo sobre nossa política externa? Para a leitura completa da publicação, clique aqui

Ficam aqui registrado meu elogio à FAPESP e minha menção às duas reportagens. Se tiver interesse, leia, pois são muito boas e apresentam uma discussão bem mais profunda e especializada comparado com o que escrevi de forma resumida acima.


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