Há um ano...

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Nesse primeiro “há um ano” de 2013, temos os assuntos que eram a coisa quente do momento em 2012, mas que pelo jeito não eram tão novidade assim já na sua época– e continuam em pauta até hoje. 

Peguem o caso da postagem de 2 de fevereiro, sobre as manobras do Irã para fechar o estreito de Ormuz. A ameaça era a de fechar uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo e navios de todas as partes estavam rumando para lá. O temor era de uma guerra, mas felizmente, como se previa, não rolou nada, e ficou no blefe essa manobra para defender o programa nuclear de Teerã. Na verdade, rolou, a continuidade dos exercícios militares e movimentação naval na região ao longo de todo o ano de 2012, e que são noticia até os dias de hoje, como vimos na última sexta-feira. 

E o que poderia ser mais atual que a controvérsia das Falklands? No dia 06, postagem da Bianca relembrava o tema, de um ponto de vista teórico, no contexto do apoio regional à reivindicação argentina. Em 2012 o assunto esquentou novamente, com a presidente Kirchner trazendo a discussão de novo à tona (segundo os mais maldosos para desviar a atenção dos problemas internos, mas isso é outra história…) e que quase levou Argentina e Inglaterra às vias de fato de novo. Nessa semana a coisa pegou fogo, com a guerra de palavras entre Kirchner, que mandou uma carta direta a Cameron exigindo a negociação das ilhas, e tabloides ingleses, que fizeram o que sabem melhor, causar polêmica, com provocativos anúncios mandando a Argentina “tirar as mãos” das ilhas. Que vão continuar como Falkland por um bom tempo, do jeito que a coisa anda. 

Por fim, no dia 07, a bola da vez era a indecisão do Partido Republicano sobre quem escolheria para enfrentar Obama. Romney ainda era o mais indicado, mas havia a possibilidade de surpresas, tanto na escolha do partido como na própria eleição, que de fato se mostraria bem acirrada. Não que isso tenha mudado muita coisa no final, como vimos em outubro, mas fazer o quê… Dá o que imaginar se os republicanos tivessem escolhido Ron Paul ou Santorum. Mas isso fica pra especulação, por hoje é dia de recordação. Isso aí pessoal, postando e relembrando…


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Queima de fogos

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O ano novo já passou mas tem gente soltando rojão até hoje. E do jeito que as coisas estão, vamos ter uns fogos de artifício bem assustadores no Oriente Médio. Foi noticiado que os EUA e aliados da OTAN começaram a mandar mísseis para instalar na Turquia, sua aliada, em resposta a possíveis agressões da Síria (que continua na mesma matança de sempre). 

A história não é nova. Muita gente não sabe, mas quando a União Soviética mandou os mísseis nucleares para Cuba em 1962 (e deu no que deu), não foi uma “agressão” gratuita, mas sim uma resposta à instalação de mísseis norte-americanos em vários países, incluindo a Turquia. Não é nenhuma novidade. Mais do que proteger um coleguinha da OTAN, a mensagem parece clara para os países da região: após a catástrofe na Líbia, a palavra de ordem é “sosseguem o facho”, e os EUA parecem não querer que as coisas saiam do controle como no norte da África. Como dissemos em outras postagens, o perigo de a crise síria se espalhar é muito grande e seria danoso para muita gente, especialmente os EUA, que se veriam na urgência de acudir aliados como Turquia e Israel. 

O principal destinatário desse recado, mais do que Assad, parece ser Ahmadinejad. O Irã está prestes a entrar em negociações com seis potências (EUA, Rússia, França, Grã-Bretanha, Alemanha e China) acerca de seu programa nuclear, ao mesmo tempo em que realizou testes de lançamento de mísseis avançados nos últimos dias. É aquela velha conversa de morder a assoprar, e o governo de Washington parece estar farto. Isso pra não entrar na questão do apoio velado do Irã aos palestinos de Gaza, que uma hora vai trazer Israel pro bolo e não demora nada para os fogos começarem a estourar. Para os EUA é muito mais interessante (tentar) mostrar quem manda do que ter apagar um rastro de pólvora em um barril que já explodiu. 

Os EUA podem ter perdido influência e até mesmo o posto de ter o seu presidente como o homem mais poderoso do mundo (honraria que a Foreign Policy deu ao presidente russo Vladmir Putin, na falta de um ocupante para o primeiro lugar), mas com essa atitude preventiva mostram que não largam o osso tão cedo naquela região. Ainda valem as duas faces da política externa de Aron, com as figuras do diplomata e do soldado, e os EUA mostram que ainda tem muito gás em qualquer uma delas.


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Depardieu… russo?

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E 2013 começa com uma ampla discussão internacional no que se refere ao domínio fiscal – os tão temidos impostos. Nas últimas semanas, o ator francês Gérard Depardieu causou polêmica ao protestar contra o aumento dos impostos aos franceses mais ricos. Comprou uma casa na Bélgica (região fronteiriça, veja notícia divertida aqui) e foi acusado de antipatriótico pelo primeiro-ministro francês.

Antipatriótico ou não, fato é que o ator – como muitos outros franceses, aliás – fugiu de um aumento de 75% em taxas sobre rendimentos superiores a 1 milhão de euros (!). Alguns poucos quilômetros além da fronteira, já no lado belga, a mesma taxa para os milionários se reduz para 50%.

No final do ano, o presidente russo Putin entrou na discussão ao propor que, para resolver a questão, o eterno Obélix poderia obter a nacionalidade russa. Na Rússia, a tributação é de apenas 13%, independentemente da renda de seus cidadãos. A princípio levado na brincadeira pela mídia internacional, hoje foi obtida a confirmação de que Putin estava falando sério: Depardieu possui, a partir de agora, também a cidadania russa!

Em carta publicada hoje pela mídia russa, Depardieu afirma que o país também faz parte de sua cultura, já que um dia seu pai foi comunista e ouvia a Rádio Moscou (?!). O comentário alimenta de uma forma talvez jocosa este sério debate sobre a tributação aos mais ricos nos diferentes países do mundo, bem como suas consequências.

Nos Estados Unidos, o reeleito Obama acaba de promulgar (no meio de suas férias) uma lei exatamente sobre a tributação àqueles com renda superior a 400 mil dólares/ano, evitando o chamado “abismo fiscal”. Neste caso, a taxa de imposto de renda sobe de 35% para aproximados 40%, em uma votação agitada que evitou o aumento de impostos a quase todos os contribuintes e fez jus (pelo menos por enquanto) às promessas de Obama de privilegiar a predominante classe média nacional.

Seguindo a lógica de que quem mais ganha mais deve pagar ao Estado, o debate atual sobre austeridade e tributação traz à tona elementos interessantes – dentre os quais um Depardieu russo parece ser o mais inesperado possível…


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