Uma guerra de gerações, um
conflito claro entre pontos de vista fundamentalmente opostos? Certamente. Mais
do que isto, foi um debate divertido. O embate teve tons acalorados, pouco
fugindo do tradicional embate entre democratas e republicanos. A principal
questão levantada após o debate foi a postura do vice-presidente, que a todo o
momento interrompia seu oponente e zombava de seus comentários. Pois bem, foi
justamente a postura de Biden que possibilitou um debate tão interessante,
apesar dos encontros entre candidatos a vice-presidente terem tido pouca
importância ao longo da história das eleições nos Estados Unidos.
Ambos declaram vitória, com certa
razão. Afinal, Biden e Ryan fizeram o que esperavam fazer. Pelo lado democrata,
fazia-se necessário demonstrar mais energia na defesa de suas escolhas como
governo e na proposição de uma agenda para os próximos quatro anos. Biden
seguiu o plano com maestria, contrastando com o Obama do primeiro debate
presidencial. Já Ryan precisava mostrar se é ou não uma alternativa viável e se
possui a experiência necessária para assumir um posto de grande relevância. Assim
como seu rival, o republicano cumpriu seu papel, demonstrando segurança e não
arrefecendo diante da agressividade de Biden.
Todos os principais assuntos
foram tratados, desde temas da política interna, como crescimento econômico,
criação de empregos, sistema de saúde e corte de impostos; até temas da
política externa, como Irã e Líbia. De certa forma, muito do que foi discutido
representou uma repetição das tradicionais discordâncias entre os dois
partidos. Mais do mesmo. Por um lado, Ryan alarmava sobre as escolhas de Obama,
as quais, segundo ele, haviam tornado o mundo mais caótico e eles
(norte-americanos) menos seguros. Biden, por outro, afirmava que Ryan ajudara a
cortar 300 milhões do orçamento de defesa das embaixadas e consulados,
rebatendo críticas contra a ação do governo no episódio do ataque à
representação diplomática norte-americana na Líbia.
O ponto alto de Ryan foi um
ataque direto à Biden: “as palavras nem
sempre saem da sua boca da forma correta”, em referência as recorrentes
gafes do vice de Obama. Além disto, na política internacional, o republicano
criticou duramente a forma que o tema Irã vem sendo tratado. Já o ponto alto de
Biden foi: “vocês (republicanos)
colocaram duas guerras no cartão de crédito e ofereceram 1 trilhão de dólares
em corte de impostos para os mais ricos. Eu estava no Congresso, votei contra. E agora, de repente, estes caras estão preocupados com a dívida que eles mesmos criaram”.
Definitivamente foi um belo
aquecimento para o próximo debate entre Obama e Romney. As posições em termos
de política exterior, sistema de saúde, crescimento econômico e impostos seguem
em direções opostas. Foi o primeiro e último debate entre os candidatos à
vice-presidência, a corrida seguirá na mão dos protagonistas. Os democratas e republicanos
terão novas oportunidades de discutir seus programas de governo, a próxima será
na semana que vem. A candidatura republicana cresceu após o primeiro debate
entre os presidenciáveis, Biden tratou de colocar fim a queda através de uma
postura mais enérgica. Ryan não comprometeu e demonstrou ter segurança. E agora
Obama e Romney?


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