Talvez um dos capítulos mais
perversos da história possa ser ligeiramente retificado. A Igreja Católica,
baseada no Vaticano, escolheu um posicionamento oficial de neutralidade frente às
inúmeras violações ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial. Tal escolha desencadeou
uma série de críticas, na medida em que a instituição era uma das únicas
capazes de fazer-se ouvir naquele contexto. Contudo, não o fez.
Em censo realizado em 1925, descobriu-se
que a população católica na Alemanha chegava a 21 milhões, cerca de um terço da
população do país. Apesar do regime nazista, a princípio, parecer tolerar a
autonomia das organizações religiosas católicas, logo ficou evidente que estas só
manteriam certa liberdade caso se alinhassem aos objetivos traçados pelos
nazistas. Um acordo entre as partes consubstanciou a coexistência entre a prática
da fé católica e o governo sob o comando nazista.
Apesar da divulgação de uma
encíclica, uma espécie de carta elaborada pelo Vaticano, lida em todas as
igrejas da Alemanha em 1937, poucas foram as manifestações oficiais em
referência ao que ocorria no período. A encíclica destacou o cerceamento da
liberdade e as inúmeras prisões nos quatro anos anteriores. Foi uma crítica
aberta ao regime, a qual ensejou diversas represálias e perseguições. O
documento representou um contraponto à concordata, uma ação perspicaz e
coordenada para criticar a ação de Hitler na Alemanha.
Para historiadores, a morte do Papa
Pio XI possibilitou o abrandamento da posição do Vaticano. O documento escrito
pelo sumo pontífice no seu leito de morte, conhecido com “a encíclica escondida de Pio XI”, poderia trazer novos elementos
para corroborar a tese de que a política de confrontação teria sido sustentada.
Seu sucessor Pio XII, por outro lado, poucos indícios têm a seu favor. Para a
história, ficou marcado com uma figura omissa frente às violações e conivente com
o rumo política traçado por regimes totalitários daqueles tempos.
Por enquanto, a Igreja Católica
ainda silenciou diante das atrocidades nazistas. Como opção própria, escolheu
preservar-se como instituição através de um acordo formal com Hitler. Não fica
claro se a posterior encíclica contrária ao regime representa de fato uma
resposta moral (pautada nas violações em si) ou política (baseada nas violações
ao estabelecido na concordata). No entanto, o silêncio de Pio XII ainda segue
inexplicável. A abertura de novos documentos no Vaticano podem nos ajudar a
emendar a história ou simplesmente fortalecer as teses atuais.

Em um momento muito delicado é difícil avaliar uma decisão que poderia muito bem significar a sobrevivência da mensagem ultima da Igreja que é o evangelho. Muitos são rápidos no julgamento e exigem da Santa Sé o que não se exigiu de várias outras organizações até religiosas.
ResponderExcluirOlá Mário,
ResponderExcluirEm primeiro lugar, muito obrigado por novamente nos brindar com um comentário aqui na Página Internacional.
O intuito do post foi levantar o tema para debate, uma vez que se trata de uma questão delicada. Há um julgamento histórico do papel da Igreja como instituição no evento histórico, apesar de ainda existir espaço para novas evidências apontarem para direções diferentes. Concordo com relação a julgamentos, talvez em um futuro próximo tenhamos mais elementos para aclarar a questão em definitivo.
Um abraço,