
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Há um ano... (Um pouco de Quirguistão)

terça-feira, 28 de junho de 2011
Indicação de leitura

segunda-feira, 27 de junho de 2011
Um senhor respeitável

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sábado, 25 de junho de 2011
Existe chavismo sem Chávez?

Chávez, gostem ou não, raramente mantém grandes lapsos de silêncio. Suas aparições são variadas e contundentes, uma das fortalezas do regime por ele comandado. Aquele socialismo do século XXI, apregoada há tempos pelo mandatário venezuelano, fica melhor contextualizado para muitos por meio do termo “chavismo”. Sem ele, não haveria o movimento socialista repaginado tal qual conhecemos atualmente. Nesse sentido, a internação em uma clínica em Havana (Cuba) e os 12 dias em que o presidente se manteve longe da mídia bastaram para despertar novas discussões.
Pouco se sabe sobre o problema de saúde que o acomete, porém menos ainda se sabe sobre o que seria do regime frente possíveis limitações ao exercício de sua função. O chanceler Nicolas Maduro resume a preocupação: “A batalha que o presidente Chávez está enfrentando por sua saúde deve ser uma batalha de todos, uma batalha pela vida, pelo futuro imediato de nossa pátria”. Uma das características que sustenta governantes por todo nosso continente é justamente o viés personalista que adotam. No caso de Chávez, reformas constitucionais garantem o direito de re-eleições ilimitadas na Venezuela, sendo o atual presidente a grande – quando não única – aposta de seus seguidores.
Mesmo que a situação de Chávez não lhe imponha nenhuma limitação às suas funções e seu ativismo, ainda desperta uma velha pergunta intermitente. Existe “chavismo” sem Chávez? O dilema não é novo. Fidel Castro transferiu seus poder político e decisório em Cuba, seguindo um cronograma conservador como meio de garantir a aceitação popular e a legitimidade política de seu sucessor, Raul Castro. Em realidade, esse exemplo pouco nos serve. Chávez poderia escolher um sucessor dentro do partido, o(a) qual teria de enfrentar uma dura luta eleitoral. Assim, muito como Lula no Brasil, um dia o maior expoente do “chavismo” elegeria um(a) herdeiro(a) somente em seu partido. No melhor dos cenários, esse sucessor seguiria rumos similares e ficaria à sua disposição re-eleições ilimitadas.
O silêncio de Chávez, interrompido via rede social durante a manhã de hoje, preocupou seus partidários e abriu espaço para novas ondas de questionamento da oposição. Afinal, não foi empossado temporariamente o vice-presidente, tampouco houve transparência sobre o real quadro de saúde do presidente. 12 dias de um vazio político somado a problemas sérios na Venezuela. Talvez fosse a hora de Chávez começar a pensar no futuro de seu país desvinculado do seu, para o bem do acirradamente defendido projeto de “Revolução Bolivariana”. Muito se perderia caso não se construa essa diferenciação ou mesmo que os cidadãos não a reconheçam. Frente a uma nova eventualidade com a saúde de Chávez, há alguém que personifique a imagem de comandante? Muito poderia estar em jogo, possivelmente o “chavismo” em si.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Vem, vem, Croácia vem!
E não é que a Croácia será mesmo o próximo país a fazer parte da União Européia (UE)? Desta forma, o número de membros deste bloco de grande prestígio político-econômico no mundo sobe para 28, sendo a Croácia o segundo país formado após o desmembramento da antiga Iugoslávia a fazer parte dele (o primeiro foi a Eslovênia).A inclusão croata na UE foi anunciada hoje pela Comissão Européia – após anos de negociações, adaptações e reformas –, mas o tratado de adesão ainda precisa ser assinado e a entrada efetiva do país no bloco está prevista apenas para julho de 2013. Apesar disso, os principais passos já foram dados e espera-se que o governo croata mantenha as condições determinadas nos últimos anos como pressupostos para a aceitação do país na UE.
Detalhe que a admissão da Croácia vem ainda carregada de mais um significado: estímulo para que mais países do Sudeste da Europa se esforcem para cumprir as exigências e ingressar na UE, em que se destaque o caso da Sérvia.
Se, por um lado, a entrada da Croácia parece dar novo ânimo aos entusiastas da UE e enfatizar os benefícios de fazer parte do bloco (a despeito das contrapartidas exigidas em termos políticos, econômicos e sociais); por outro lado é inevitável reconhecer que, em geral, a Europa não passa por seu momento de mais pleno crescimento, em todos os sentidos. Pelo contrário. A trágica situação grega ou a revoltosa situação espanhola, por exemplo, constituem aspectos bastante midiatizados nos últimos tempos que deixam claras as crises internas dos países-membros da UE que, inevitavelmente, afetam de alguma forma todos os membros do bloco.
De fato, o conhecido ditado “Grandes poderes trazem consigo grandes responsabilidades” parece ser mais verdadeiro que nunca para a União Européia. Com a ampliação do bloco e a busca por seu fortalecimento, todos os países-membros assumem cada vez mais riscos e responsabilidades uns em relação aos outros. Ceder, de certa forma, parte de sua soberania para obter maiores benefícios conjuntamente em um bloco supranacional demonstra o interesse dos países europeus em se aliarem em prol de seu próprio crescimento nacional. E que venha a Croácia, então!
quinta-feira, 23 de junho de 2011
França, a prostituta europeia

Quem tomou a dianteira para bombardear a Líbia? E a Costa do Marfim? Quem agora quer, a todo custo, sancionar a Síria? Muitas vezes, a memória é mais fraca do que se pensa. Isso é também proposital. Há pouco tempo, Sarkozy dormia com Kadafi por causa do petróleo líbio e flertava com Al Assad, almejando influência no Oriente Médio. Agora não mais. O negócio é atacar, dissimular, ser grande... Então, chama as amiguinhas potências, fala uma coisa sensível sobre direitos humanos e as convoca para agir, sem medir a consequência dos atos. O importante é dizer: “Fomos nós, franceses, que tomamos a iniciativa!”
Aí vem a parte econômica. Tem um francesinho na diretoria-geral da OMC, Pascal Lamy, e querem outro no FMI, Cristine Lagarde. Aqui, os franceses optam por seduzir os países emergentes. Se concretizada a escolha, as negociações futuras estão condenadas a nascerem travadas, principalmente na questão agrícola e na política cambial e fiscal. Ora, deixar a principal instituição econômica e a principal instituição financeira justamente nas mãos de quem é autor da Política Agrícola Comum (PAC) europeia é pedir para esquecer grandes acordos em uma das áreas mais travadas ou repensar a atual crise sob o viés do dito mundo desenvolvido. Daí prevalece a França, que prefere ser tratada por Europa, só porque soa mais bonito: a vontade dos europeus está sendo bem representada.
Ah, sim. É impossível não lembrar que a Revolução Francesa trouxe novos ares para o mundo. Na época, as aspirações nacionais, encabeçadas pelos girondinos, deveriam se tornar aspirações universais: a libertação da França conduziria a libertação dos demais povos. E hoje? Já pensou se as fronteiras da exclusão, lançada contra imigrantes, notadamente muçulmanos, e ciganos virarem moda? Leis racistas, xenófobas, intolerantes, etc., emanadas do berço da liberdade contra a liberdade. É claro que isso não é importante, afinal, o governo francês luta pelos direitos humanos fora de casa, não é? Tadinho do sírio, do líbio... a maioria deles, muçulmanos!
Pois é, vale tudo para a França ter os seus orgasmos da grande potência que não foi e nem vai ser. Não adianta nem querer ressuscitar Napoleão III – em cujo período de governo o país gozou de maior influência na Europa – e restaurar o antigo Concerto Europeu. Fato é que esse sonho já descansa em paz faz muito tempo e seu comportamento em função dele a torna uma prostituta. França, a prostituta europeia.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Presentes de grego

terça-feira, 21 de junho de 2011
"Comer, comer...

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segunda-feira, 20 de junho de 2011
Socorram o Marrocos

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domingo, 19 de junho de 2011
Street Fighter dos Filósofos

Entretenimento para este domingo à noite. Uma ótima indicação do amigo Luiz Felipe Doles, mestrando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília.
sábado, 18 de junho de 2011
Esse ouro parece mais lata

Poucos são os temas que movem tanta emoção quanto os esportes. É amplamente reconhecido que os benefícios da escolha de nosso país para receber dois mega-eventos são imensuráveis. Fica fácil listar os pontos positivos: os investimentos estrangeiros, o crescimento do turismo, a evolução da infra-estrutura e o aumento do interesse internacional com relação ao Brasil. Para o bem ou para o mal, a imagem brasileira será muito pautada na qualidade da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.
O Brasil, aquele “país do futuro”, viu sua vez chegar. Uma economia estabilizada e em expansão, ancorada na evolução da renda de seus cidadãos. No âmbito internacional, nosso papel diplomático foi ampliado, tal qual nossa influência nas decisões mais relevantes junto à comunidade internacional. O maior exemplo do momento favorável que atravessamos é a oportunidade de coroar nossa entrada no rol dos grandes através de eventos esportivos que demonstrem uma capacidade política apoiada em uma boa capacidade administrativa.
A grandeza dos eventos, especialmente as Olimpíadas, ensejou grande expectativa. Contudo, pouco a pouco, os custos são reavaliados, os requisitos se tornam mais rígidos, assim como as obras mal começam e já estão atrasadas. Para simplificar, no dia que o Brasil foi outorgado o direito de sediar os Jogos Olímpicos, os investimentos estavam estimados em 25 bilhões de reais. Atualmente, menos de dois anos depois, a conta (também em estimativa) já atingiu 62,5 bilhões de reais. Passando para a Copa do Mundo, Brasília, Cuiabá, Manaus e Natal terão estádios (construídos ou reformados) para mais de 40.000 pessoas, ainda que não tenham nenhuma equipe na primeira divisão do futebol nacional. Em total, a Copa de 2014 terá 10 cidades-sede. Até a FIFA (entidade responsável pelo futebol a nível internacional) preferia um número menor de sedes com o intuito de gerar menos despesas. Qual será o destino desses estádios depois?
Seguimos com fatos novos. Primeiro, alguns aeroportos poderão ser privatizados, afinal os nossos não chegam perto do ideal nem para nossa demanda corrente. Imaginem para eventos internacionais. As licitações também poderão ser flexibilizadas como forma de agilizar as obras. Por fim, o Fielzão (estádio que o Corinthians está construindo em São Paulo) será financiado pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) e possivelmente terá isenção fiscal de até 420 milhões da Prefeitura de São Paulo. Ao contrário do prometido, o Corinthians construirá um estádio com dinheiro público para atender as demandas da FIFA. Se fosse um projeto desvinculado da Copa do Mundo, o próprio presidente do Corinthians já admitiu que a conta seria bem menor.
E agora? A Copa e as Olimpíadas vão representar “aquele país do futuro” ou “o país que viu seu futuro chegar”? Até o momento, os céticos parecem ver suas preocupações confirmadas. Mais que uma oportunidade para capitalizar nosso futuro, os mega-eventos podem enterrar de vez nossos planos de organizar eventos como uma grande potência. Ainda há tempo de ser diferente?
Lembram do meu ceticismo?
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Mulheres ao volante!
Você sabia que na Arábia Saudita as mulheres são impedidas de dirigir? Sim, apesar de parecer incabível para a realidade do século XXI (dito globalizado e igualitário), as cidadãs deste país árabe sofrem ainda hoje com uma proibição derivada da interpretação estrita do Islã – a qual determina a segregação de sexos em espaços públicos de diversas formas.Women2drive é o nome do movimento iniciado há dois meses pela internet (veja os perfis do Twitter e do Facebook) com o intuito principal de organizar um protesto neste dia 17 de junho. A forma do protesto? Simples: mobilizar mulheres ao volante pela Arábia Saudita em geral. No total, 42 mulheres aderiram individualmente ao protesto hoje e desafiaram o espírito conservador nacional ao se locomoverem na direção de automóveis pelas ruas do país.
Motivadas há anos pelo desejo de conquistarem um direito básico que lhes é negado não pela lei, mas pelo fundamentalismo religioso árabe, as mulheres árabes se mostram cada vez mais conectadas virtualmente para a articulação de movimentos neste sentido. Após a prisão da jovem Manal al Sharif (foto) - detida por duas semanas após publicar um vídeo no YouTube em que se encontrava ao volante -, o movimento parece ter se fortalecido ainda mais e, segundo sua descrição no Facebook, continuará até que as mulheres possam dirigir pelas ruas do país sem questionamentos.Efetivamente, discutir questões relativas à igualdade de gênero não é algo novo. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) criou recentemente uma entidade voltada especificamente para este fim, a ONU Mulheres, por meio da qual se busca proporcionar uma “voz poderosa a nível global, regional e local” às mulheres e meninas de todo o mundo que ainda são vítimas dos mais diversos tipos de preconceitos e desigualdades. Não tão recentes assim são os diversos tratados existentes que proclamam os Direitos Humanos das mulheres e que reafirmam a necessidade de promoção da dignidade humana independentemente do gênero.
Se, para Bobbio, conhecido filósofo político, “os direitos nascem quando devem ou podem nascer”, espera-se que o reconhecimento do direito de dirigir das mulheres na Arábia Saudita seja a primeira de muitas conquistas que ainda podem e devem nascer para as mulheres do mundo inteiro neste século. Apenas dessa forma a “igualdade de gênero” – tão comumente apregoada, apesar de constantemente desrespeitada – poderá, de fato, se consolidar.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Bolívia Motorizada

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terça-feira, 14 de junho de 2011
Será que eles aprenderam?

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segunda-feira, 13 de junho de 2011
20 anos com corpinho de 90...

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sexta-feira, 10 de junho de 2011
O xadrez particular da Turquia

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quarta-feira, 8 de junho de 2011
O terrorismo venceu?

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terça-feira, 7 de junho de 2011
O Brasil na inesgotável era do petróleo


segunda-feira, 6 de junho de 2011
Renovação

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sábado, 4 de junho de 2011
Personagens da história

Coronel Ryszard Jerzy Kukliński (1930 – 2004): o traidor herói
O que poderia levar um oficial do exército a cooperar com um inimigo? Existe algum contexto que transforme tal personagem em herói? Historicamente, governos utilizaram atividades de inteligência e contra-inteligência com o intuito de obter vantagens estratégicas frente a adversários em potencial. Nesse sentido, ter um informante próximo ao alto comando do outro lado representa um bilhete de ouro.
A Guerra Fria dividiu o mundo, todos os integrantes de comunidade internacional elegiam seu bloco político, econômico e ideológico. Outros países simplesmente se viram cooptados ou anexados por uma das grandes potências. A coexistência pacífica é um dos momentos mais obscuros da história, especialmente devido à garantia da mútua destruição em caso da eclosão de conflitos massivos entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia.
As alianças militares OTAN (Estados Unidos e aliados) e o Pacto de Varsóvia (União Soviética e aliados) traçavam planos para cenários de confrontação direta. Oficiais de ambas as partes destacavam a natureza eminentemente dissuasória e contra-ofensiva de suas estratégias. Historiadores e analistas contam em primazia com fatos históricos construídos a partir da veracidade de tais depoimentos. Houve, no entanto, quem desafiasse a ordem natural dos eventos.
O nosso personagem da história é o Coronel Ryszard Jerzy Kukliński (codinome Jack Black), oficial do exército polonês e participante de discussões sobre as próximas ações do Pacto de Varsóvia. A lembrança dos excessos cometidos na repressão aos protestos de 1970 na Polônia e a preparação para a invasão da Tchecoslováquia foram determinantes para a cooperação estabelecida pelo Coronel com oficiais norte-americano. O principal temor de Kukliński era a possível destruição ou sofrimento que o alto escalão do Pacto de Varsóvia não hesitaria em impor sobre o povo polonês caso o pior cenário de confrontação com a OTAN irrompesse.
Entre 1972 e 1981, o Coronel forneceu mais de 40.000 páginas de documentos secretos soviéticos aos norte-americanos, por intermédio de agentes da CIA presentes na Polônia. Kukliński e sua família foram removidos de Varsóvia e refugiados nos Estados Unidos. A cooperação ilegal do oficial com o governo americano foi julgada no início da década de 1980, culminando na sua sentença de morte. O colapso da União Soviética e a subseqüente libertação polonesa não foram suficientes para o cancelamento do julgamento de Kukliński. Somente em 1997 caiu sua sentença, possibilitando uma visita à terra natal.
O julgamento histórico ainda segue em construção. Contudo, o conhecimento prévio dos planos estratégicos soviéticos foi importante para a manutenção de estratégias, por parte da OTAN, voltadas para a dissuasão. A imprevisibilidade e a incerteza, as quais poderiam levar a ações mais extremas, foram suplantadas por informações-chave repassadas por um informante dentro do Pacto de Varsóvia. De uma forma ou de outra, Kukliński viu sua Polônia segura e finalmente livre, ainda que somente pela televisão.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Em terras holandesas...
Enquanto os jogadores de futebol da Holanda chegam ao Brasil e se ambientam sob muitos holofotes para o (aguardado) jogo amistoso contra a seleção brasileira amanhã, eis que, por sua vez, na Holanda desembarca (finalmente) Ratko Mladic para ser julgado pelo Tribunal de Haia por genocídio e crimes contra a humanidade. [O apelo futebolístico dominando, tal como usual, os noticiários nacionais ao mesmo tempo em que um marcante momento histórico é escrito internacionalmente no que se refere à justiça internacional.]Apenas para contextualizar, o ex-general sérvio Mladic era, desde 1995 e até poucos dias atrás, um dos criminosos de guerra mais procurados da Europa, com acusações dentre as quais se destacam o massacre de mais de 8 mil muçulmanos em Srebrenica e o cerco a Sarajevo, durante a Guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995. (Para mais informações, veja aqui e aqui.)
Tal como o colaborador Luis Kitamura apresentou há poucos dias em seu interessante post, fica no ar o questionamento acerca da existência de uma justiça internacional realmente efetiva, considerando – ainda hoje – a impunidade de tantos seres humanos que, no decorrer da história, espalharam o ódio e a desgraça nas mais variadas situações e deixaram mais do que clara sua falta de humanidade.
O próprio Mladic viveu 16 anos foragido, supõe-se que com ajuda da própria sérvia e mesmo de outros países. Após todo esse tempo, sua prisão traz à tona a reflexão acerca da importância da imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade: estes são imprescritíveis (ou seja, não possuem tempo limite para serem julgados) exatamente porque não se pode esperar que as pessoas que estão em um Estado em guerra (ou que compactuam com a situação dominante) julguem a si mesmos de forma idônea, especialmente em relação a crimes deste nível.
Desta forma, mesmo depois de tantos anos, espera-se que a justiça seja feita em Haia, na Holanda, e que as famílias das vítimas de Mladic possam sentir-se, no mínimo, “consoladas” de alguma forma diante do julgamento daquele que liderou tantas atrocidades em episódios que mancham de sangue a história européia recente.
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quarta-feira, 1 de junho de 2011
O novo Código Florestal: preservar para desmatar
