
quinta-feira, 31 de março de 2011
Conversando com a Teoria

quarta-feira, 30 de março de 2011
And the Oscar goes to...Chávez?

terça-feira, 29 de março de 2011
A princípio, uma guerra...


segunda-feira, 28 de março de 2011
Dança portuguesa

No fim das contas, é mais uma vez o lance da crise financeira e os PIIGS, fazendo mais uma vítima. Enquanto por esses lados o Brasil é aclamado como modelo de condução econômica, na Europa os efeitos da crise ainda vão perdurar. É a vez de Portugal pagar o pato, pois nenhum político quer aceitar o ônus de fazer o pedido da ajuda européia antes das eleições previstas para o meio do ano (e convocadas justamente pela saída de José Sócrates). Afinal, se a maior parte das pessoas fica encabulada ao pedir dinheiro, quanto mais um empréstimo da ordem de 75 bilhões de euros, e que implicaria em medidas pouco populares como os cortes de gastos e enxugamento do setor público.
É um remédio amargo e necessário, mas que está sendo postergado para evitar o dano político – ou, ao menos, deixar que ocorra após as eleições. Enquanto isso, as finanças portuguesas se debilitam (e o país é rebaixado em notas de risco) e já ameaçam contaminar a ainda cambaleante Espanha – e, por extensão, a Europa como um todo. Em um exemplo de como política interna pode afetar de maneira decisiva a arena externa, Portugal dança ao som de um triste fado.
sábado, 26 de março de 2011
Há um ano

O desastre ambiental no Japão somado as danos ocasionados à usina nuclear de Fukushima criaram um grande debate com relação aos riscos da energia nuclear. De um lado, existem aqueles que defendem a ampliação do uso de fontes renováveis na matriz energética internacional, o que diminuiria o risco da utilização de mecanismos que possam lesar o meio ambiente ou a saúde humana. No lado oposto estão os especialistas que defendem a manutenção da diversidade de fontes energéticas, incluindo a nuclear. Afinal, o que aconteceria nos dias em que o vento não sopre como o usual? De acordo com as estimativas deste grupo, as fontes renováveis podem representar entre 20% e 30% da matriz energética internacional, o que as deixaria longe de ser a solução perfeita.
Contudo, há outro debate com relação ao uso da energia nuclear: as armas que se podem produzir a partir da mesma. Raphael tratava em seu post das negociações entre Estados Unidos e Rússia para a redução de seus arsenais nucleares. Na verdade, foi a renovação de um tratado firmado na década de 1990. Em abril de 2010, Obama e Medvedev confirmaram a expectativa e acertaram os últimos detalhes do acordo. Para Obama, as duas maiores potências nucleares (detentoras de 95% da totalidade de tais armamentos) sinalizavam a intenção de liderar pelo exemplo em temas de desarmamento, ao mesmo tempo em que representava um argumento incisivo para pressionar outros países a repensarem suas ambições nucleares.
Uma das razões que levaram Obama a ser laureado com o Nobel da Paz foi justamente o seu compromisso de diminuir os estoques de armamento nuclear e atuar no sentido de fortalecer as perspectivas de paz mundial. Nada além de um compromisso, não necessariamente seguido por ações efetivas neste sentido. Ainda temos um longo caminho a seguir, críticos questionam os reais números da redução que são apregoados pelas potências mundiais. Mesmo uma significativa diminuição deve representar pouco, uma vez que as ogivas restantes são mais que suficientes para a aniquilação do mundo. Será que existe algum país altruísta a ponto de abrir mão de seu arsenal nuclear? Como parece que não, países como Irã e Coréia do Norte seguem com o discurso “se eles têm, por que eu não posso ter”?
Poucos são os indícios que os novos acordos firmados possam aproximar o mundo do objetivo final. Como afirma o Giovanni em seu último post: “se a política internacional fosse a arena do altruísmo, o mundo seria perfeito”. O mesmo vale para o armamento nuclear. O perigo imanente da energia nuclear deixa uma mensagem importante. Se um mero acidente em uma usina pode gerar tanto receio e perigo em uma comunidade, imaginem um ataque nuclear preparado por uma potência detentora de tal tecnologia. Um marco simbólico do poder norte-americano foi o ataque final ao Japão na Segunda Guerra Mundial através das bombas nucleares lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Desde então, não foram mais vistos ataques desta natureza. Que caminho seguimos, um mundo sem armas nucleares ou a destruição total? Será suficiente o precedente do acidente em Fukushima para os líderes mundiais abrirem mão de seus arsenais nucleares? Tudo indica que não, afinal a política internacional ainda não se tornou a arena do altruísmo.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Tibete sem Dalai?
É possível imaginar o Tibete (“o teto do mundo”) sem a liderança de Dalai Lama (“o oceano de sabedoria”)? Em termos espirituais, efetivamente não. Porém, esta é a situação atual em termos políticos: a solicitação de Tenzin Gyatso para retirar-se das funções políticas do Tibet foi aceita hoje por seu Parlamento, em Dharamsala, local do exílio tibetano na Índia.Tenzin Gyatso é o 14º Dalai Lama da História, denominação concedida à principal autoridade do budismo tibetano (visto como a própria reencarnação de Buda). Líder espiritual e político, sua luta pela autonomia do Tibete o tornou conhecido pela comunidade internacional e lhe rendeu inclusive o Prêmio Nobel da Paz, em 1989. Envolvido politicamente nas questões do Tibete há mais de 60 anos, seu afastamento deve ser visto como um marco histórico. Uma nova era de lutas deve se iniciar sob uma nova liderança política.
O Tibete constitui um dos principais impasses territoriais das Relações Internacionais modernas, envolvendo o gigante chinês. A disputa histórica pela região tibetana remonta ao início do século XX, sendo que sua independência nunca foi reconhecida pela China. Os interesses na região são de caráter geopolítico e estratégico, envolvendo desde as riquezas naturais locais até as ambições imperiais seculares chinesas.
Há anos que a independência efetiva da localidade não tem sido cogitada (apesar de sempre sonhada) pelos tibetanos e por Dalai Lama, sendo que as pacíficas reivindicações têm se voltado principalmente para a busca de maior autonomia religiosa e cultural. Aspectos que as autoridades chinesas se recusam a aceitar minimamente. Existe a estimativa de que o número aproximado de tibetanos mortos durante as décadas de conflitos com o governo chinês chegue a 1 milhão, sendo que o auge dos protestos ocorreu no ano de 1959 e foi relembrado em 2008.
Em 1959, Dalai Lama e a maior parte dos tibetanos foram forçados a deixar a região, exilando-se no norte da Índia, em Dharamsala. E foi lá que Dalai hoje renunciou às suas funções políticas ao alegar preocupação a longo prazo com o Tibete, considerando que as responsabilidades oficiais devam ser transmitidas a um novo primeiro-ministro eleito diretamente e com poderes mais amplos.
Foi divulgado que o Parlamento tibetano hesitou em aceitar tal renúncia, temendo o enfraquecimento da causa tibetana. Contudo, certamente o Tibete ficará apenas sem o político Dalai, mas não sem seu grande e carismático líder Dalai, símbolo da busca pela paz na região e por melhores condições de vida ao povo tibetano. Motivação para que o Tibete seja ouvido em seus anseios. Símbolo da busca efetiva por ser a mudança que se quer (e se espera) ver no mundo...
quinta-feira, 24 de março de 2011
Conversando com a Teoria

terça-feira, 22 de março de 2011
Em cima do muro

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segunda-feira, 21 de março de 2011
O preço da liberdade?
Ora, chegamos ao ponto principal dessa revolta – e de todas as que andam acontecendo na região: são marcadas pela participação popular, de variados modos, mas o que se pode esperar de suas conseqüências para o povo? Afinal, mais do que derrubar ditadores e instaurar a democracia, os seus protagonistas estarão sendo contemplados?
No Egito e Tunísia, onde o furor já passou, a coisa não parece muito melhor – o Egito tem um momentâneo (e, quem sabe, contínuo?) poder castrense, enquanto na Tunísia houve uma divisão de poder entre partidos incluindo antigos aliados do ditador deposto. Já na Líbia, apesar do que possa parecer, os países aliados não estão atacando para derrubar Kadafi ou coisa parecida – e nem podem fazer isso! Apenas estão cumprido uma vaga resolução da ONU para proteger a população de seu próprio governante. Ou seja, estão dizendo que quem deve fazer o trabalho são os próprios líbios. Se vai dar certo ou não? Mistério. O que importa é que líbios continuam morrendo diariamente (pelas tropas de Kadafi? Ou mesmo pelas bombas ocidentais?).
A coisa está pior em outros países da região, como no Iêmen. Lá, o presidente teve de destituir partes do governo e perdeu apoio de generais e outros políticos após o massacre de civis em protestos. Se a perda de vidas nesses processos de democratização acaba sendo inevitável nesse contexto de choque, o problema é não ter a certeza de que o resultado final atingirá os objetivos esperados pelo povo.
Os protestos continuam, na Síria, Iêmen, Bahrein e outros países. A violência, também. Com a incerteza dos resultados nos casos de "sucesso" e a aparente falta de evolução nos que estão ocorrendo agora, o futuro dessas revoluções é, no mínimo, nebuloso, e não se tem nem democracia, nem melhora de condições em um horizonte próximo para esses povos. Seria exagero se pergutar se não seria um preço muito alto pela democracia?
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domingo, 20 de março de 2011
Presidente Obama no Brasil

Um dos exemplos mais emblemáticos do conceito “Soft Power” é o presidente Obama. Os Estados Unidos tem as forças armadas mais poderosas do mundo, investe anualmente 700 bilhões de dólares em defesa (o que equivale a três vezes o PIB do Egito), além de manter dois conflitos armados externos. Contudo, quando se pensa em Obama, qual palavra vem imediatamente a sua cabeça? Aposto que ninguém, ou quase ninguém, pensa em guerra ou associa sua imagem ao tradicional unilateralismo norte-americano. Ao invés disso, Obama significa mudança, multilateralismo, o fato novo; uma espécie retorno aos ideários dos fundadores de sua nação. Muito do que menciono obviamente não funciona na prática, mas traz uma forte carga retórica associada.
De que outra maneira se poderia explicar o seu poder de mobilizar pessoas? Obama parece ter claro que o seu principal campo de atuação para 2011 é a arena internacional. Em âmbito interno, sua “política da esperança” tem enfrentado desafios extremos e críticos vorazes. Frente a indícios cada vez mais evidentes que a política em seu país não mudará no curto prazo, talvez deixar sua marca na política internacional seja algo mais plausível. Obama não cumpriu a totalidade de suas promessas, o que terminou gerando oportunidades de críticas por vezes ácidas. Nada, no entanto, que tenha corroído sua imagem. Todos querem tirar um foto com ele, ouvir seus discursos ou ler seus livros. Que levante a mão que gostaria de tirar uma foto com George W. Bush.
Essa ambivalência que representa Obama é algo notável. Por um lado, pouco fez de diferente do establishment político internacional. Por outro, é uma das figuras mais admiradas internacionalmente. Seus discursos arrastaram multidões. Talvez sua popularidade seja maior fora de seu próprio país. Mais popular que ele somente Michelle Obama, a primeira dama. Sua visita ao Brasil foi cercada de imensa expectativa, especialmente quanto à possibilidade que incluísse um pronunciamento contundente sobre a importância do Brasil no sistema internacional. Tal fato somado a cooperação econômica e científica entre os dois países, seria o roteiro que todos gostaríamos de ver. O que podemos realmente esperar? Um efeito meramente midiático ou realmente uma renovada aliança entre Brasil e Estados Unidos?
Passamos para o ato principal: o pronunciamento no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. De acordo com o previsto, Obama enfocou seu discurso na parceria entre Estados Unidos e Brasil. Mais além da cooperação entre governos, uma aliança entre os cidadãos, entre as nações. Entre os pontos mais importantes, o presidente norte-americano destacou a fundo histórico comum, ambos como parte de um “Novo Mundo” dominado por metrópoles, que logo conseguiram conquistar suas independências. Além disso, a democracia representou para ambos os países um caminho para liberdade, crescimento econômico e prosperidade. O país do futuro, ainda nas palavras de Obama, viu sua vez chegar. O Brasil é um exemplo do que a democracia pode gerar. Nesse sentido, nossa aliança, que se funda em valores e exemplos comuns, poderia ser intensificada em diversos setores.
Caminha para o fim a tão esperada visita do presidente norte-americano. Fica a esperança que essa aliança entre nossos países torne-se efetivamente discussões de igual para igual, como apregoou Obama. Para um país que busca o palco principal no sistema internacional, a abertura e o reconhecimento da (ainda) maior potência mundial pode ser um caminho profícuo. Para os que esperavam uma declaração ainda mais contundente, apoiando aspirações brasileiras nas Nações Unidas, talvez fique uma sensação de decepção. Resta, independente do ponto de vista, a oportunidade de capitalizar em nossa reafirmada parceria.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Energia nuclear em questão
“A energia nuclear é uma forma boa, limpa e segura de se gerar energia, e pode ser usada em larga escala”. Esta é a opinião do cientista James Lovelock, famoso por polemizar em seu meio a respeito da geração de energia a partir de fontes nucleares. Em certa medida, seus argumentos são válidos e defendidos por muitos, já que a energia nuclear efetivamente não gera gases de efeito estufa, não compromete áreas de reservas naturais e demonstra um potencial financeiro e científico elevado para que o enriquecimento de urânio ocorra.Contudo, esta discussão vem à tona no momento em que um dos principais efeitos negativos da geração de energia nuclear é visível após os desastres naturais que assolaram o Japão: a contaminação radioativa. Os níveis de radiação estão comprovadamente altos em um raio de 30 quilômetros da usina de Fukushima Daiichi, no Japão. O terremoto da semana passada danificou os reatores dessa usina, cuja responsabilidade é da empresa Tokyo Electric Power Co.
A situação, que já constitui um cenário de crise nuclear, se encontra no nível cinco de uma escala internacional de risco (o nível sete é o máximo, alcançado no caso de Chernobyl, em 1986). Jatos d’água estão sendo lançados nos reatores para resfriá-los, evitando que a disseminação das partículas radioativas se intensifique na localidade; porém, a opção de enterrar esses reatores está sendo cogitada pela primeira vez, demonstrando a gravidade da situação.
Este contexto remonta a um questionamento básico: a geração de energia nuclear compensa os riscos de sua implementação? Sabe-se, por meio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) – órgão da ONU que fiscaliza questões relativas à tecnologia nuclear – que aproximadamente 14% da energia gerada no mundo é nuclear, constituindo-se esta na terceira maior fonte energética existente (e o Japão é um dos países que possui o maior número de reatores, depois dos Estados Unidos e da França).
Além da preocupação com a produtividade energética em si, pode-se argumentar que, muitas vezes, os Estados prezam pela energia nuclear (a despeito de outros tipos renováveis/não-poluentes de geração de energia) ao avaliarem aspectos político-estratégicos nas Relações Internacionais. Com vistas à ampliação de seu poder relativo e ao seu crescimento em termos de influência no cenário inter-estatal, investimentos financeiros altíssimos são direcionados à tecnologia nuclear.
Entretanto, desastres do porte deste ocorrido no Japão reforçam a necessidade de cautela e promovem o debate a respeito, sendo que a Europa já repensa investimentos nessa área – especialmente considerando a baixa aceitação da sociedade civil em geral neste âmbito. Assim, não fica tão difícil perceber o porquê de Lovelock ser considerado polêmico em sua acalorada defesa da geração de energia nuclear que, se por um lado pode ser “boa, limpa e segura”, por outro pode ser extremamente danosa em vários sentidos.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Há (quase) um ano

Parece muito apropriado trazer essa questão novamente com o drama do Japão. No caso, poderíamos traçar um paralelo quanto à reação dos cidadãos face à tragédia – talvez não caiba comparar a escala dos desastres, mas algumas de suas implicações. No Chile, houve muito caos, saques e crimes. No Japão, até onde se sabe, parece estar havendo mais organização e um admirável auto-controle de seu povo. A tristeza é contida, mas o pânico parece ser mais por conta dos estrangeiros. Talvez por causa dos japoneses estarem “acostumados” às tragédias assim (lembrem-se que mesmo a contaminação nuclear eles já conhecem muito bem...), somando-se à sua costumeira disciplina, enquanto no Chile o pânico era fruto da escala inédita do desastre. No Japão, o temor do desabastecimento faz os produtos sumirem das prateleiras – mas não há saques; são todos comprados, e parece que se tenta seguir um rumo comum da vida, o quanto antes, em meio à devastação.
Por outro lado, há coisas que não mudam. Nem vamos entrar nos méritos da questão líbia, em que a esperança de uma revolução legítima contra o ditador Kadafi parece cada vez mais fadada ao destino da guerra civil e sem prazo pra ser resolvida. Outros casos dramáticos estão se desenvolvendo à sombra da tragédia nipônica – especialmente na Costa do Marfim e no Sudão. O primeiro está à beira de uma sangrenta guerra civil, com protestos pacíficos sendo reprimidos e operações militares sendo realizadas contra o presidente que não que largar o osso Gbagbo. Já no segundo, o processo de independência do sul parece cada vez mais atrapalhado e conturbado por escaramuças, problemas na província de Abyei (cujo plebiscito de intgração ao sul ou ao norte está suspenso indefinidamente) e o eterno caos de Darfur. Na África, a política dificultada por questões tribais e étnicas e temperada pela ganância internacional parece seguir um rumo pré-definido, em que sempre ficam em desvantagem a segurança e a paz de seus habitantes.
Se no ano passado podíamos afirmar que em termos de governabilidade o inesperado pode surgir de tragédias, os fatos recentes mostram que, via de regra, as conseqüências podem ser bastante previsíveis, para o bem ou para o mal...
quarta-feira, 16 de março de 2011
Salas de recepção

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terça-feira, 15 de março de 2011
Declinismo norte-americano?

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sábado, 12 de março de 2011
Irã(fobia)?

O Irã já foi assunto diversas vezes na Página Internacional. Muito já foi dito e analisado com relação ao país, sendo o programa nuclear iraniano um tema recorrente. Por um lado, as principais potências temem a possibilidade do desenvolvimento de armas nucleares, por outro os iranianos questionam a legitimidade da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Tal qual no recente caso da Líbia, são poucas as vozes que se levantam com o objetivo de defender as escolhas do Irã.
Mahmoud Ahmadinejad é uma das figuras mais controversas do sistema internacional. Entre suas declarações estão a negação ao Holocausto e a afirmação que não existe homossexualismo no Irã. Uma das principais críticas a recente política externa brasileira vinculava-se justamente a aliança com o Irã, o que incluía um apoio velado no campo dos Direitos Humanos. Em palestra do cônsul iraniano no Equador, tive a oportunidade de escutar argumentos sobre as mais variadas temáticas. Justo de um argumento do diplomata vem minha pergunta, existe uma fobia ao Irã?
O cônsul apresentou os princípios norteadores da República Islâmica do Irã, defendeu alguns eventos como formadores do atual contexto no Oriente Médio, comentou sobre a constante tentativa das grandes potências em influenciar o destino regional, entre outros. Contudo, o ponto alto na sua exposição foi a defesa da existência de uma campanha midiática com o intuito de prejudicar o país, que termina por ensejar uma espécie de aversão aos iranianos por parte dos ocidentais. Tomando o exemplo recente da primevera árabe, mencionou a tentativa de comparar as revoltas em tais países com os movimentos da oposição iraniana após as eleições de 2009. Em sua visão, há na verdade uma clara semelhança com a revolução islâmica de 1979. Contudo, a primeira comparação tem o intuito de gerar mais pontos de vista negativos quanto ao Irã.
Passando para uma análise dos principais países do sistema internacional, o cônsul trouxe várias questões. Qual o interesse das grandes potências no Oriente Médio? Que governos ocidentais estavam apoiando estes mesmos governos árabes que agora são apontados como autoritários e corruptos? Quem apoiava Saddam Hussein? Para que uma intervenção militar no Oriente Médio? Isso já foi também mencionado aqui no blog, realmente são poucos os países que tem a consciência limpa para falar de seu papel no Oriente Médio. Além disso, o representante do governo iraniano ainda vê uma grande disparidade entre a opinião das ruas e o noticiário ocidental. Em sua visão, os árabes aprecia o posicionamento confrontivo do Irã para as grandes potências. Por último, re-afirmou os intuitos pacíficos do programa nuclear de seus país, tal direito nunca se negociará, em suas próprias palavras. As preocupações de parte a parte nesta temática poderão estar na pauta de uma negociação. Terminou sua defesa com uma nova pergunta. Houve esforço significativo para a redução de armamento junto aos países que dominam a tecnologia nuclear?
Uma boa parte dos argumentos que vi apresentados agrega ao debate. Também enxergo uma dualidade das grandes potências na atual crise no mundo árabe, as políticas que tiveram apoio dos países centrais na região terminaram por alimentar regimes lesivos ao povo. Os mesmos que agora caem e deixam os líderes mundiais sem tantos argumentos para defender condutas anteriores. A lembrança da revolução islâmica de 1979 tenta refrescar a memória de todos, no sentido de criar um paralelo com as atuais movimentações em diversos países. Um resultado similar ao do Irã para a primavera árabe provavelmente não está nem nos piores pesadelos das grandes potências, o que seria da região e do mundo se regimes não alinhados ao Ocidente se espalhassem por meio de revoltas populares? Voltando a pergunta inicial, é difícil cravar que existe essa tal fobia ao Irã. A cobertura midiática não é favorável ao país, porém é alimentada por fatos e pronunciamentos de suas autoridades. Mais que isso, a falta de transparência e as constantes críticas a AIEA nunca vão gerar um opinião pública ocidental favorável ao Irã. Ambos os lados (Irã e Ocidente) tem seus pontos negativos, não se pode pautar sua defesa simplesmente na acentuação das falhas do outro lado.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Jishin, Kaminari, Kaji, Oyaji
Segundo o provérbio japonês, quatro são as coisas que um japonês deve temer: “Jishin, Kaminari, Kaji, Oyaji” (tradução literal: Terremoto, Trovão, Incêndio e Pai). Apesar de a sociedade japonesa não se caracterizar mais pelo patriarcalismo, de certa forma (e infelizmente) o provérbio se confirmou hoje: o Japão enfrentou o maior terremoto já ocorrido no país (e um dos maiores ocorridos no mundo desde 1900), seguido de um tsunami com proporções trágicas.Abalos sísmicos menores foram registrados posteriormente em conseqüência do terremoto na região e grandes ondas no Pacífico chegaram também à América, mas sem maiores danos. No Japão, as mortes decorrentes desta tragédia somam centenas, com prejuízos a milhares. Mensagens de lamento e apoio, bem como ações de assistência humanitária do mundo inteiro começam a chegar ao governo japonês, desde os grandes aliados norte-americanos – que possuem mais de 50 mil homens por lá –, até o governo brasileiro – país onde a colônia japonesa é bastante expressiva.
Este acontecimento nos leva a reflexões diversas, na medida em que os desastres naturais de grandes proporções têm se mostrado freqüentes no contexto atual e demonstram a urgência das discussões de caráter ambiental e humanitário: a mobilização internacional neste sentido é a única forma de serem alocados recursos e esforços para a prevenção e, se necessário, o socorro em situações de crise tal como esta. Contudo, aguardar avanços das cúpulas internacionais neste âmbito não parece uma perspectiva muito animadora...
Ainda uma outra reflexão é pertinente: a possível relação entre os regimes políticos e os desastres naturais e suas conseqüências. Em artigo da Foreign Affairs disponível aqui (sugestão do colaborador Giovanni Okado), o autor afirma que os governos não podem evitar o acontecimento de desastres naturais, mas podem sim se preparar para estes e minimizar seus efeitos para a população. Diante dos recentes terremotos no Haiti e no Chile, são perceptíveis grandes discrepâncias em que o argumento supracitado se aplica de forma coerente, relacionando os regimes políticos de cada um dos países e seus investimentos sociais.
Sabe-se que o Japão é um país rico e que tem implementado políticas preventivas no que tange a tragédias humanitárias e ambientais, possuindo os meios para minimizar as (inevitáveis) conseqüências sociais de desastres naturais como o de hoje. Resta-nos, desta forma, oferecer o apoio necessário em âmbito governamental para que a tragédia no país seja superada e, então, buscar a promoção de meios para que as reflexões expostas sejam aprofundadas a cada dia no cenário internacional.
Afinal, se o provérbio japonês inicialmente apresentado no post fosse atualizado diante do contexto mundial da atualidade, certamente a lista de “coisas a serem temidas” aumentaria de forma considerável...
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quinta-feira, 10 de março de 2011
Conversando com a Teoria

quarta-feira, 9 de março de 2011
Há um ano...

terça-feira, 8 de março de 2011
Às mulheres

segunda-feira, 7 de março de 2011
Dor de cabeça de Carnaval

Para variar, o tema do momento, as revoltas árabes. A França, que sempre esteve muito envolvida na política do norte da África, mesmo após a descolonização, está intimamente envolvida com seus desdobramentos. E isso, via de regra, está trazendo dores de cabeça para a França, graças a suas relações no mínimo “amistosas” com ditadores da região. É o tipo de relação que falei em meu último post: um ditador pode ser tolerável desde que útil, e os interesses empresariais e militares dos franceses caíam como uma luva nos favores prestados à trupe de Kadafi e companhia. Isso já causou até uma baixa política na França, quando a ministra das Relações Exteriores se demitiu por ligações com o regime de Bem Ali, da Tunísia. E lembram do Rafale, o elefante branco voador que a França tenta vender a todo custo e que, ao que parece, nem o Brasil dá mais garantia de compra? Pois é, a Líbia já havia encomendado um lote em acordo de defesa bilionário, mas parece que nunca serão entregues. Ops. Com essas revoltas, por um lado, a França é obrigada a rever seus posicionamentos e por vezes ter sua imagem “arranhada”; por outro, perde influência com o surgimento de novos atores na região.
O maior culpado por essa crise política, segundo os franceses, é o próprio presidente Sarkozy. Considerado impulsivo e orgulhoso, coleciona problemas econômicos, equívocos em negociações e gafes diplomáticas, além de ter que lidar com a acidez da opinião pública. A decisão de deportar os ciganos, por exemplo, trouxe indignação internacional e críticas internas (até mesmo dos favoráveis à ideia). O país se recupera relativamente bem da crise econômica, mas persiste o drama da previdência e a inflação sobe a galope, puxando a da União Europeia junto. Por fim, há uma crise moral na política francesa – para se ter uma ideia, o caso mais alarmante é o julgamento do ex-presidente Chirac, acusado de corrupção na prefeitura de Paris (vejam que chique, funcionários fantasmas com sotaque francês!).
O governo é quem pagará o preço por tudo isso – e pesquisas já apontam um crescimento da extrema-direita (aquela que sempre ressurge das cinzas quando há crise e se precisa agarrar à solidez de instituições mais tradicionais). A filha de Jean-Marie Le Pen (lembram dele?) já poderia beliscar o primeiro turno nas eleições de 2012. Nada definitivo, claro, mas fica o alerta. Um desenvolvimento desses poderia ter suas implicações desde o processo de democratização norte-africano às políticas agrícolas europeias. É bom prestar atenção nessa França cheia de problemas...
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sábado, 5 de março de 2011
Líbia: cooperação e/ou Direitos Humanos?

A cobertura sobre os recentes eventos na Líbia são praticamente uníssonas. É ponto comum nas discussões internacionais que a violência no país é absolutamente inaceitável. Ghadafi, na imensa maioria das vezes, é descrito como ditador, sanguinário, assassino, entre outras tantas alcunhas. Nada que seja novidade, não? Afinal, trata-se da mesma pessoa que comanda o país há mais de 40 anos. Reprimir adversários, enfraquecer rivais e preparar o caminho da sucessão para o seu filho; estavam entre suas últimas prioridades. Até o início da insurreição nos países árabes, a Líbia seguia relativamente estável, prova disso foi o fim das sanções internacionais que ajudaram a impulsionar sua economia nos últimos anos.
Apesar da ampla cobertura pela mídia internacional, ninguém realmente pode afirmar com propriedade o que acontece no país. O acesso a informação in loco é limitado, quase inexistente. Em sua grande maioria, analistas e jornalistas defendem que Ghadafi está levando seu país à guerra civil através de ataques sistemáticos contra rebeldes e a população civil seja por militares ou mercenários. Neste cenário, haveria um grave precedente que exigiria uma ação energética da comunidade internacional. Por outro lado, Ghadafi, e mais recentemente seus aliados diplomáticos, afirmam que a mídia e as grandes potências ocidentais tentam tomar a situação como uma oportunidade para re-colonizar a Líbia para assim se apoderarem de seu petróleo. Ainda sob este ponto de vista, são forças externas que deram impulso as revoltas populares. Ghadafi chegou a mencionar o Al-Qaeda entre tais forças.
Voltemos nossa atenção para os latino-americanos. A reação dos representantes diplomáticos regionais foi em termos gerais low-profile. O Peru tomou a reação mais radical, rompendo as relações diplomáticas com a Líbia. Não que faça tanta diferença para os peruanos, uma vez que os dois mantinham poucos laços econômicos. Além disso, Chávez (presidente venezuelano), Ortega (presidente nicaragüense) e até Fidel (o líder cubano) também se pronunciaram em defesa do mandatário líbio. As outras nações latino-americanas tentaram manter distância, por vezes afirmando seu desagrado pelo sofrimento civil e reafirmando seu apreço pelos Direitos Humanos, sem tampouco tomar atitudes mais extremas.
Qual o limite para a cooperação econômica? Para que servem os Direitos Humanos? De alguma maneira se chocam em algum momento?
Existe um ponto de colisão. No campo empresarial, o conceito de Responsabilidade Social promove o entendimento que escolher aliados éticos e que respeitem direitos estabelecidos é uma das vertentes da construção de uma gestão pensando na sustentabilidade e no desenvolvimento econômico aliado ao social. Seria o mesmo na comunidade internacional ou não se aplica o conceito? O silencio e a moderação de muitos tem forte ligação o modo que a comunidade internacional resolveu lidar com a Líbia. Somente o Brasil tem negócios estimados em 120 bilhões neste país. A Líbia viu as sanções que limitam sua economia serem levantadas e investidores internacionais chegarem ao país. Todos já sabiam desse líder autoritário e de caráter extremamente controvertido, contudo muitos decidiram cooperar com o mesmo.
Quem tem razão? O chanceler venezuelano Nicolas Maduro que via uma Líbia no caminho do progresso e questiona os países (governos do ocidente) que bombardeiam Paquistão, Afeganistão e Iraque, incluindo inocentes, mas nunca são castigados e agora voltam sua atenção para a Líbia? Nas palavras de Maduro “são igualmente assassinos”. Ou todas as outras vozes que vêm um sério problema na liderança de Ghadafi ante suas reações à crise atual?
Evidentemente que toda notícia é alvo de certa interpretação de acordo com a leitura editorial do veículo e por vezes do autor, o que nos gera certo receio para afirmar sobre algo que não vimos com nossos próprios olhos. Podemos, no entanto, discutir as reações diplomáticas. A defesa de Maduro parece sair pela culatra, a partir do momento que assume tal regime como assassino. Como alguém, ainda mais em um posto diplomático, pode tentar defender um aliado que assume como assassino? A meu ver, antes tivesse ficado calado, tal qual os diplomatas brasileiros. Afinal, em nosso caso, não há defesa possível a partir do momento que estabelecemos grandes laços econômicos com a Líbia a partir de decisões de Estado. Assim nossa manobra máxima neste campo é garantir a segurança de nossos cidadãos na Líbia e condenar (ainda que timidamente) a violência. Melhor começarmos a escolher melhor nossos parceiros, no cenário atual simplesmente enfrentamos as conseqüências de cooperar com um líder que outrora fora visto como patrocinador de atividades terroristas; passou a ser aceito pela a comunidade internacional e tudo indica que terminará no ostracismo.
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sexta-feira, 4 de março de 2011
E a Costa do Marfim?
Enquanto os holofotes internacionais se voltam para o Egito, a Líbia e, enfim, o Oriente Médio em geral revoltado com a permanência de ditadores no poder mesmo diante da insatisfação popular, pouca atenção tem sido direcionada à Costa do Marfim – país africano que enfrenta situação trágica e que, em muitos aspectos, se assemelha ao contexto árabe atual de reivindicação pelos próprios direitos.No final de novembro de 2010, foram realizadas eleições presidenciais no país, momento a partir do qual Alassane Ouattara foi eleito e reconhecido como legítimo chefe de Estado pela comunidade internacional. Contudo, o antigo presidente, Laurent Gbagbo, se recusou a deixar o poder. Comportamento tipicamente ditatorial e em conseqüência do qual ocorrem muitas mortes.
Até agora, estima-se que o número de pessoas mortas – decorrentes dos conflitos existentes entre os apoiadores do presidente eleito e os defensores do antigo presidente (hoje “presidente de fato”, apesar da ilegitimidade social) – some aproximadamente 500, sendo que mais de 200 mil pessoas já fugiram do país em busca de paz nas redondezas. As forças de paz da ONU afirmam não possuírem condições de proteger toda a população e a perspectiva de uma nova guerra civil é notável.
O Conselho de Segurança da ONU já se pronunciou, assim como os Estados Unidos e a comunidade internacional em geral. Entretanto, o que pode se esperar de uma situação assim? A embaixadora do Brasil em Abidjã, cidade mais populosa do país, chegou a afirmar ontem que “a situação é tão ruim, tão ruim, que não tem como ficar pior. Esperamos por uma solução nos próximos dias. [...]”. No mínimo complicado, não?
O que fazer diante de um contexto como este? Certamente a organização civil é imprescindível, mas exigir tal articulação de um povo que sofre de carências extremas e luta diariamente pela própria sobrevivência em condições adversas é algo que parece exigir um estudo de caso mais aprofundado – e não uma mera comparação com a situação dos países árabes bem-sucedidos em seus intentos reivindicatórios nas últimas semanas. Enquanto isso, sabe-se apenas que mulheres, crianças e cidadãos em geral morrem diante dos desejos de um ditador insatisfeito com o vislumbre da perda de poder...
quinta-feira, 3 de março de 2011
Conversando com a Teoria
quarta-feira, 2 de março de 2011
Libertos e libertadores

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