quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Uma nova geopolítica energética?

Todo mundo adora um pouco de futurologia. Tentar prever o que virá, como será e quando será, são questões que a maioria das pessoas já se perguntou em algum momento da vida. Se esse exercício é tão comum no campo individual, para os países e para a economia internacional é algo imprescindível. E o atual momento do mundo no concernente ao fornecimento de combustíveis é extremamente convidativo para esse tipo de reflexão.

Mais uma vez, o globo se encontra dividido. De um lado, os países do Oriente Médio, representando os atuais maiores fornecedores de petróleo e combustíveis do mundo. De outro, as Américas, que representam países que poderão tornar-se grandes potências nesse campo. A pergunta que atualmente tem se feito, é se estaria emergindo uma nova geopolítica energética. Estariam as novas tecnologias permitindo a expansão da exploração de petróleo e gás natural em níveis tais que possibilitasse que o continente americano se tornasse o novo centro mundial dos combustíveis?

Para refletirmos melhor sobre esse tema, aqui vão alguns dados. O país que foi capaz de levantar as estatísticas de reservas de petróleo da OPEP em 2009 foi a Venezuela. Estima-se que houve uma ampliação de aproximadamente 25% em suas reservas, enquanto que as da maior exportadora da OPEP, a Arábia Saudita, mantiveram-se estagnadas, em um valor bem abaixo do venezuelano. A produção de petróleo colombiana já se aproxima daquela da Argélia e, muito em breve, pode vir a superar às da Líbia antes de sua guerra. Para o Brasil, que já contém tecnologia suficiente para explorar a camada do pré-sal, acredita-se que, em alguns anos, poder-se-á atingir o volume considerável de 1 milhão de barris por dia.

Nem mesmo os Estados Unidos estão fora dessa bolada. Recentemente obteve-se a tecnologia para explorar as formações rochosas de xisto na região da Dakota do Norte, capaz de produzir um volume de 400.000 barris/dia de uma substância semelhante ao petróleo. Essas expressivas possibilidades aliadas as já altas produções de México e Canadá sugerem que os países da América estão passando a ocupar papéis mais significativos na produção energética mundial. Agora, seria suficiente para tornarem-se o principal pólo mundial?

Ora, há quem sugira que sim. E, para esses, a Primavera Árabe seria o principal evento catalisador dessa mudança. Se há muito, a Revolução Islâmica no Irã foi capaz de reduzir a produção de petróleo do páis de 6 milhões de barris/dia para os 4 milhões de hoje ou mesmo o Iraque obteve uma diminuição significativa de aproximadamente 33% quando Sadam Hussein assumiu o poder, por que a Primavera árabe não atuaria no mesmo sentido? Há também os pessimistas que apontam para o sentido oposto. Segundo eles, as revoluções citadas seguiram um período de isolamento, enquanto que a Primavera árabe traria os países da região para a teia de interdependência, ampliando ainda mais seu comércio.

Bom, em se tratando de futurologia, não é possível obter uma resposta clara. Todavia, somos capazes de dizer que a América está tornando-se um continente bem mais significativo na produção energética que, com certeza, influenciará mais essa balança dos petroleiros. E quanto ao futuro do continente no campo energético, só o tempo dirá...

3 comentários:

  1. Excelente o texto e talvez eu devesse comentar sobre seu conteudo, mas toda vez que leio a palavra futurologia me lembro de um conselho dado pelo velho mestre Yoda: "Difficult to see. Always in motion is the future."

    Diga-me se não é perfeito isso para nosso mundo de RI que é qualquer coisa menos ceteris paribus.

    Abs,

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  2. Raphael, seu texto é muito convidativo à reflexão sobre a questão energética futura, que não será preocupação exclusiva dos policymakers, senão também de todos nós, consumidores.

    Oferta e demanda sempre ditaram e sempre ditarão os preços no mercado. Sabemos que existem reservas de petróleo ainda inexplorada, mas, nos últimos tempos, tem-se assistido a diminuição da descoberta de novas reservas. Uma hora, inevitavelmente, ele vai acabar. É ingênuo pensar que em curto prazo, ou que haverá uma mudança de paradigma energético da noite para o dia, até porque, atualmente, 80% da energia mundial é gerada por hidrocarbonetos.

    O ideal é que não se viva o eterno deleite do petróleo. Concomitante a sua exploração, é preciso investir em inovação, em como gerar enegeria por meio de outras fontes, sobretudo, renováveis. Não é apenas uma questão ambiental, mas de sobrevivência. E quem se antecipar a isso, sairá ganhando. Esta é uma das razões por que eu acredito que o Brasil detém um potencial energético muito maior do que o pré-sal e por que deveria se antecipar a isso. Para se ter uma ideia, somos hoje um dos maiores (se não o maior) exportadores de hélices para geração de energia eólica e pouco aproveitamos este potencial no Ceará.

    Abraços.

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  3. Mario e Giovanni,

    Obrigado pelos comentários.

    De fato, o investimento em energias limpas é uma questão no qual os países precisam se preocupar tanto pela sobrevivência quanto pela questão ambiental.

    Todavia, concordo com você, Giovanni que é difícil acreditar que esse caminho será tomado tão brevemente, tendo em vista esse novo potencial energético para o petróleo da América.

    O maior problema é qual a vontade política para tanto nesses países e se de fato os políticos vão reconhecer essas oportunidades de energias limpas e renováveis como uma questão estratégica.

    No Brasil já estamos nos adiantando, lentamente, mas estamos. Mas será que esse "deleite do petróleo" não há de frear os outros potenciais energéticos?

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