
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Post Especial [update]

Post Especial

quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Dois gigantes sem condomínio

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terça-feira, 28 de setembro de 2010
A Página Internacional vai virar livro!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010
É de matar...
Bem, se perguntássemos hoje a um cidadão qualquer nas ruas do Brasil, não seria difícil achar quem defendesse a pena capital no nosso país. O estado atual de coisas faz com que muitos não se façam de rogados ao defender um modo de lidar com criminosos que no Brasil é restrito a crimes de guerra e não é praticado como punição a crimes comuns desde a proclamação da república, nos idos de 1889. Provavelmente, nunca virá a ser adotado, mesmo por que a Constituição não permite. Agora, é de estranhar que um brasileiro médio coadune com um tipo de mentalidade que pode ser vista em regimes autoritários e violadores de direitos humanos – matar criminosos comuns não é a regra em países democráticos. No Equador, por exemplo, a pena de morte é prevista apenas para o crime de pirataria em alto-mar. Já na Ásia, por exemplo, a maioria dos crimes que resulta em pena de morte estão relacionados ao narcotráfico e essa política tem reflexos na saúde pública. Claro que há casos extremos como China e Cingapura, onde crimes como latrocínio e ofensas ao presidente (!) são passíveis de execução.
Mesmo nos EUA, país onde as execuções são mais famosas, a pena capital é reservada aos crimes mais hediondos, e tende-se a comutar a pena, exceto nos estados mais conservadores. Por isso causou muita repercussão (e acusações iranianas de hipocrisia) o caso de uma senhora executada há pouco tempo (ela, que sofreria de problemas mentais, foi morta como mentora do plano, enquanto os executores foram condenados à prisão). Não vamos entrar nos méritos de discutir o sistema penal dos EUA. A questão é encarar por que a pena de morte é tão bem vista em um país pacífico como o Brasil.
Esse tipo de medida daria certo aqui? No Japão, a pena de morte é prevista para casos simples de homicídio com agravantes – e plenamente apoiada pela maioria da população. Mas isso em um país onde a taxa de criminalidade é baixíssima, e nem vamos comparar indicadores sócio-educacionais. O apoio no Brasil teria como fonte essa indignação com o crime em si e seu efeito de “anormalidade social” ou com a simples ineficácia do sistema em manter a ordem? Me parece que a segunda opção é mais plausível – e por isso invalida essa simpatia pela pena de morte.
Por que aceitaríamos que um assassino fosse morto quando nos horrorizamos com a condenação da senhora iraniana? Pessoas são pessoas, e o fato é que a pena de morte é algo inaceitável, que não seja pela combalida defesa dos direitos humanos, seja pela possibilidade sempre presente da execução de um inocente ou pelo fato de que nunca diminuiu a violência onde é aplicada. Isso quando é aplicada com "justiça". Não vai ser tirando a vida de marginais que vamos resolver os problemas sociais do Brasil, a solução é muito mais complicada que isso. Deixemos essa medida extrema para aqueles da laia de Ahmadinejad.
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domingo, 26 de setembro de 2010
Divisão
sábado, 25 de setembro de 2010
Equador: a instabilidade política e suas lições
Em 2005, Lúcio Gutierrez tornou-se o terceiro presidente forçado a renunciar a seu posto em menos de oito anos. O então chefe de Estado era acusado de corrupção, culminando na sua tentativa de fuga em um helicóptero com destino ao aeroporto de Quito. Não chegou a seu destino final, terminando abrigado na Embaixada do Brasil, já que intensos protestos populares e movimentações de militares não permitiram que deixasse o país. Por fim, teve seu pedido de asilo político aprovado pelo governo brasileiro e deixou o Equador. Se algum dia qualquer pessoa não compreender o significado de instabilidade política, estudar a história recente do Equador será um exercício definitivo. Impossível não entender o conceito depois disso. Em grande parte, denúncias ou rumores de enriquecimento ilícito, uso da máquina pública em benefício próprio ou corrupção geraram grande revolta popular, provocando, em grande medida, as inúmeras reviravoltas políticas equatorianas.
Alberto Dahik, vice-presidente em 1995 e atualmente exilado na Costa Rica, evadiu do país antes que fosse submetido a julgamento em decorrência das denúncias de seu possível envolvimento em escândalos de corrupção. O acusado, em contrapartida, entrou com uma petição contra seu país na Corte Interamericana de Direitos Humanos, afirmando que teve seu direito de defesa cerceado pelo Estado equatoriano. Atualmente se discute a anistia de Dahik, a partir de uma iniciativa de Correa.
Em 2000, o então presidente Mahuad, frente à crise econômica que assolava o país, apresentou a proposta de dolarização da economia equatoriana, em outras palavras, extinguir a moeda nacional (o sucre) e adotar o dólar norte-americano em substituição. Viu o país tomado por protestos populares, unidos estavam indígenas, oposicionistas e sindicatos trabalhistas. Formou-se então uma Junta de Salvação Nacional, com participação militar, que dissolveu o Congresso (que já aprovara o plano de Mahuad), substituindo não só o presidente como todos os membros do legislativo. Como em um golpe do destino, o mesmo Gutierrez que esteve nos “braços do povo” – à medida que teve papel fundamental neste processo – teve um final ainda mais dramático.
Rafael Correa tomou posse em 2007 e ruma a completar seu quarto ano (consecutivo) no poder. Um grande feito na história dos últimos anos de seu país. Na mais recente pesquisa, Correa atingiu 73% de aprovação popular, suficiente na visão de analistas para alavancar tal apoio na forma de nova vitória política – caso proponha um referendo que lhe permita um novo mandato presidencial. Seu governo tem paralelos com o modelo implementado por Lula no Brasil. O equatoriano, no entanto, assumiu o comando do país em um momento de maior instabilidade e fragilidade política em relação ao brasileiro, tendo consolidado uma Revolução Cidadã plenamente respaldada pelos setores populares.
Durante este período de instabilidade, o povo equatoriano não se escondeu. Poderia ter escolhido a passividade, a descrença ou o desengajamento político. Não obstante, preferiu expulsar “na marra” políticos que julgou como traidores da nação. Identificou em Rafael Correa, com seus méritos e defeitos, um via alternativa aos anseios populares, tão reprimidos e esquecidos por governantes anteriores. A democracia equatoriana, cerca de 10 anos mais velha que a brasileira, deixa o exemplo da mobilização popular efetiva contra a corrupção ou políticas que atentem contra seus direitos.
Faltam menos 10 dias para as eleições no Brasil. Mais do que um exercício cívico, tornou-se um verdadeiro martírio. Sobram acusações e candidatos pouco gabaritados, faltam debate e candidatos 100% “ficha limpa”. Caso, por exemplo, Gutierrez e Dahik fosse brasileiros, teriam sua vida política finita ou estariam vivendo um período de férias e reflexão antes das próximas eleições? Não poderiam logo ser nomeados ministros ou trabalhar na elaboração de leis no Congresso Nacional com o Tiririca? Afinal, “pior do que está não fica”.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Biodiversidade em questão

Esta idéia, amplamente divulgada e compreendida sob diversos aspectos no mundo, tem representado o foco midiático da Organização das Nações Unidas (ONU) neste ano: 2010 foi proclamado o “Ano Internacional da Biodiversidade” por esta instituição para chamar a atenção aos problemas e desafios existentes neste sentido – seja no mundo, no ambiente interno de cada país, ou em nossas próprias residências.
Discutir questões ambientais nas Relações Internacionais certamente constitui um dos aspectos que, apesar de – teoricamente – representarem práticas consensuais de ação, na prática demonstram a urgência da demanda por ações coordenadas para proposições efetivas. Tal como os problemas, também as soluções ambientais devem ser transfronteiriças.
A proposta de promulgar “anos internacionais” constitui uma interessante estratégia da ONU para midiatizar questões específicas de forma a enriquecer a visibilidade e mobilizar os diferentes setores da sociedade em prol de uma causa específica. E, apesar de não parecer, vale ressaltar que a taxa de perda de espécies chega a cem vezes à da extinção natural e cresce exponencialmente...
No ano de 2002, houve uma Conferência das Partes (COP) para estabelecer metas a serem alcançadas em 2010. Oito anos se passaram e haverá mais uma COP da Biodiversidade no próximo mês para avaliar os resultados e entender o contexto atual nesta esfera. Diante de frustrações como aquela vivenciada por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ao final do ano passado, talvez otimismo não seja exatamente o tom da discussão da realidade.
Quiçá será um dia. Ou assim esperemos, trabalhando para visualizar este futuro sobre o qual não podemos apenas teorizar, mas que deve ser construído diariamente em termos de sustentabilidade por meio de ações conjuntas no mundo. Ações estas que começam, é claro, pela mudança em nossos próprios quintais.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Podcast #19 - Brasil e Direitos Humanos

Nesta oportunidade, gravada por ocasião da VIII Semana de Relações Internacionais da UNESP ocorrida entre os dias 09 e 13 de agosto na cidade de Franca/SP, tivemos a oportunidade de entrevistar o Prof. Dr. José Blanes Sala, graduado em Direito pela Universidade de São Paulo e doutorado em Direito Internacional pela mesma instituição. Atualmente é pesquisador vinculado a projeto temático do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (CEDEC) e professor da “Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) – Campus Marília.
O tema da entrevista é a questão dos Direitos Humanos na América Latina e a posição desempenhada atualmente pelo Brasil neste âmbito. O professor nos apresenta uma visão bastante interessante neste sentido, vale a pena conferir!
Agradecimentos especiais devem ser destinados ao Pedro Henrique de Carvalho Costa, membro do Centro Acadêmico de Relações Internacionais “João Cabral de Melo Neto” da UNESP – Campus Franca, que nos ofereceu importante apoio para a realização deste podcast.
Aproveitem a discussão e sintam-se à vontade para comentar a respeito!
Faça o download aqui.
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Há um ano...


terça-feira, 21 de setembro de 2010
65ª Assembléia Geral da ONU: entrada para raros, saída para raridades

Post Especial

segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Laços de petróleo


sábado, 18 de setembro de 2010
Papai mandou

quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Conversando com a Teoria

quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Há um ano... especial!
Há um ano, o blog exalava a boa e velha Segurança e Defesa. Tínhamos textos sobre a repercussão da Estratégia Nacional de Defesa (que até hoje não mostrou muito a que veio...) e o lançamento da Estratégia Nacional de Inteligência dos EUA (sempre focado no uso da força contra insurgentes e que tanto resultado demonstrou no Iraque e no Afeganistão...). Mas o que mais teria repercussão hoje seria, provavelmente, o interessante texto acerca da aproximação da OTAN com a Rússia, por meio de seu secretário-geral. Como se sabe, a Rússia não faz parte da OTAN, mas afirmava-se que essa conexão seria muito importante para evitar conflitos e problemas diversos no barril de pólvora chamado Oriente Médio, além das crises pontuais de sempre como a da Coréia do Norte e do Irã.Hoje? Essa aproximação não parece ter frutificado tanto (ou mesmo ocorrido). Isso é visível por exemplo no caso do Quirguistão, em que há elementos da busca russa por uma esfera de influência regional que inflamaram a discórdia no país e, sob o pano de fundo da rivalidade de bases militares com os EUA. Obviamente, a Rússia não vê com bons olhos a atuação da OTAN na região, e a formação de uma nova arquitetura de segurança na região não me parece viável em curto prazo.
Por último, mas não menos importante, há pouco mais de um ano a Página Internacional era laureada com o Prêmio de Melhor Blog de Política na categoria blog pessoal pelo Júri Acadêmico do Top Blog!
O prêmio reflete a filosofia da equipe de sempre buscar a análise de maior qualidade, mas com um espírito acessível e dinâmico. Relembramos este feito que contou com a participação e dedicação dos membros pioneiros, e os parabenizamos. E fica o convite aos estimados leitores para a votação deste ano, que continua até outubro!
É isso aí. Postando, relembrando, e votando pessoal!
terça-feira, 14 de setembro de 2010
A fênix cubana

segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Tempo presente

Certamente, a maioria dos leitores se recordam com alguma clareza do que estavam fazendo no dia fatídico, até mesmo no momento em que foram surpreendidos com as imagens chocantes pela televisão ou internet. Isso comprova a natureza atípica daquela manhã de 2001 – muitos podem até nem ter ideia da importância desse fato, mas mesmo inconscientemente têm a noção de que presenciaram algo sem precedentes na história da humanidade. E foi algo tão importante que suas conseqüências estão indefinidas até hoje.
A primeira e mais imediata foi a guerra ao terror. Os EUA invadiram o Afeganistão e o Iraque, derrubaram regimes que “financiavam o terrorismo” e estão com dois abacaxis nas mãos. Estão prestes a deixar o Iraque, em frangalhos, e a solução do Afeganistão não tem nem previsão tão cedo. Outros resultados diretos do 11/09 incluíram a paranóia da segurança que fez os norte-americanos terem medo até da própria sombra, e o aumento do preço do petróleo que repercute até hoje. Todos esses são problemas que não têm consequências previsíveis em curto prazo. Há até mesmo obscuros problemas de saúde que estariam afetando as vítimas e os voluntários que aspiraram a poeira tóxica e mortal dos escombros. Quase uma década depois, essa “doença” tem seus efeitos desconhecidos. Malformações fetais? Câncer? É uma incógnita e os estudos são inconclusivos.
E quanto à História em si? Se o 11/09 afetou tantos as Relações Internacionais quanto a História, seria um daqueles pontos de inflexão como a queda de Roma ou a Revolução Francesa? Existe algo que assombra a historiografia, e é a chamada “história do tempo presente”: seria algo impossível de estudar, pois a falta de distanciamento do historiador do objeto de pesquisa e a falta de percepção de resultados em longo prazo (veja mais sobre o assunto aqui).
Por isso mesmo a angústia do 11/09: não sabemos seus resultados profundos que não sejam prospecção de cenários, mas temos a percepção de que foi uma inflexão – talvez até mesmo um novo marco na historiografia? O início de uma nova Idade, digamos, Pós-Contemporânea? São apenas divagações, mas não impossíveis. Seus efeitos ainda vão reverberar por muito tempo, e podem vir de maneiras que jamais imaginaríamos – como um clérigo exaltado que ameaçou por o mundo islâmico em ebulição com sua fogueira de livros sagrados. O importante é saber que neste momento ainda estamos vivendo os efeitos desse marco, que continua a se construir dia-a-dia. Onde vai parar? Mistério. Pelo menos até as gerações futuras receberem esse legado do presente.
sábado, 11 de setembro de 2010
[2050] Brasil visionário: nosso papel no Oriente Médio

[Como em um filme, avancemos algumas décadas – hipoteticamente, claro]
Tratar o Oriente Médio como uma área para onde os ideários ocidentais deveriam se expandir, propondo uma forma de colonização para nações e Estados vivendo ainda sob formas primitivas, foi talvez o primeiro erro conceitual e estratégico das grandes potências com relação a esta região. Retomando exemplos do início do século, as missões norte-americana no Iraque e Afeganistão pouco ou nenhum efeito tiveram no processo de “libertação” ou “democratização”, muito menos funcionaram como “spill over effect” para outros países. O presidente Obama, eleito como a nova cara para o “American way”, seguia arraigado na abordagem de sempre para o Oriente Médio. Foi justamente o Brasil que conseguiu abrir caminhos e traçar uma nova estratégia e parcerias na região, Obama sem Lula (o primeiro presidente brasileiro a propor a estratégia) seria um fracasso nessa questão.
O que muitos não queriam admitir ou reconhecer, o Brasil apregoou e perseverou até obter o reconhecimento e congratulações da comunidade internacional. O principal ator internacional para o Oriente Médio no início do século XXI seguia sendo os Estados Unidos. No entanto, a visão americana seguia fortemente vinculada a uma lógica ainda presa a Guerra Fria que, por conseguinte, impedia seus líderes e diplomadas de propor negociações e promover acordos que levassem a consubstanciação de interesses estratégicos (não só americanos) nesta parte do globo. Enquanto muitos países exigiam diversas precondições para sentar-se a uma mesa com um diplomata iraniano, o Brasil desde o governo Lula tomou este país como um aliado estratégico, tecendo um emaranho de tratados bilaterais de cooperação. Defendendo, inclusive, a ampliação das negociações quando a seu programa nuclear. Por fim, o triângulo de poder conformado por Estados Unidos, Irã e Turquia, conseguiu estabelecer equilíbrio na região, algo pouco provável 40 anos atrás. O Brasil provou que sua estratégia era efetiva para construir melhores relações entre o Ocidente e o Oriente Médio. O mundo não seria o que é atualmente sem o esse Brasil visionário.
[Termino a ficção (ou devaneio) para tratar da realidade em 2010]
Caro leitor, não estou louco ou tenho bola de cristal. O meu texto não é uma previsão, mas sim um possível cenário traçado a partir das idéias de Stephen Kinzer. O autor descreve a política dos Estados Unidos para o Oriente Médio como uma insanidade, no sentido de sempre repetir o mesmo procedimento e esperar resultados diferentes em relação ao passado, e que ao contrário de sua visão o país fomentou na região conflitos, ódio e um sentimento antiamericano. Pensar o futuro do Oriente Médio, ainda de acordo com Kinzer, exige um exercício de criatividade, começar do zero. Analisando a sociedade americana, quais seriam os aliados que os Estados Unidos buscam para fugir do atual paradigma? O americano responde que: Irã e Turquia. Parece loucura, mas sua convicção é que estes países têm interesses no longo prazo e valores – nos quais suas sociedades estão baseadas – próximos aos americanos. Assim, a escolha de Israel, Arábia Saudita e Paquistão como aliados seria um dos principais erros da Política Externa atual sob a tutela de Hilary Clinton.
A partir desta premissa inicial, surgiria um novo triângulo de poder: Estados Unidos, Turquia e Irã. São países que possuem um forte viés democrático junto a seus cidadãos (não necessariamente na prática) e serviriam de como uma forma sustentação à nova abordagem para o Oriente Médio. A Turquia como um parceiro para abrir caminhos em termos de negociações diplomáticas e o Irã como um possível estabilizador do Iraque e Afeganistão. Além disso, o Irã teria um segundo benefício: o de ser um grande inimigo do extremismo sunita, que tem como expoentes o Talibã e a Al-Qaeda. Kinzer, levando em conta este fatores, defende que os atuais aliados dos Estados Unidos para o Oriente Médio não seriam o caminho mais efetivo pensando em seus interesses, mais estratégico seriam aproximar-se do Irã e Turquia. O Paquistão e a Arábia Saudita ficariam no meio do caminho, servindo como suporte ao Talibã ao mesmo tempo em que cooperam com os americanos. Para concluir com sua teoria, é evidente que tal estratégia não virá dos setores ligados a diplomacia ou do “establishment” de Washington, ainda presa a aliança com o Israel.
Chego também a minha conclusão e a explicação para o devaneio do início. O Brasil, involuntariamente, parece seguir em certo sentido essa premissa. Sem os vínculos excludentes dos Estados Unidos, a diplomacia brasileira tenta costurar acordos sobre o programa nuclear iraniano, com o auxílio da Turquia. Já entregou avanços, um começo, que poderia servir de base para uma nova rodada de negociação entre os norte-americanos e os iranianos. No entanto, tal mediação foi prontamente rejeitada pela Casa Branca. O mundo teve que aceitar eventualmente a China, antes reconhecida como o antro comunista e que hoje é talvez a futura principal potência mundial. Em algumas décadas é possível que o mesmo processo aconteça com o Irã e o Oriente Médio como um todo, pensar novo (apesar das extensas críticas e contra-argumentos) passaria pela inclusão do Brasil na vanguarda de uma estratégia nova e que poderia tornar-se realidade no futuro, queiramos ou não.
[O Irã já foi assunto muitas vezes na Página Internacional: 1 - 2 - 3 - 4 - 5]
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Primeiro passo?
“Hoje a realidade é certamente cruel. Não se consegue passar quatro anos sem guerras nos Bálcãs. E o pior de tudo é que ninguém prevê quando os conflitos irão cessar...” (Hugo Roth – in Kosovo Origins, 1998)Hoje, doze anos após os dizeres acima serem proclamados, talvez a previsão de arrefecimento dos conflitos nos Bálcãs já possa ser visualizada (ainda que em seu primeiro passo) no cenário internacional. Sob o olhar preocupado de Fatmir Sejdiu, presidente de Kosovo (foto), eis que a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou ontem uma resolução pedindo diálogo entre Sérvia e Kosovo.
Historicamente, a província de Kosovo sempre pertenceu à Sérvia e é uma área sagrada para a fé cristã-ortodoxa iugoslava. Acontece que, com o desmantelamento da Iugoslávia comunista (1989), a população majoritariamente albanesa de Kosovo resolveu também se proclamar independente. Contudo, ao não ser reconhecido na Europa, Kosovo entrou em guerra civil, sendo a população albanesa fortemente reprimida pelos sérvios nos anos seguintes (detalhamento das informações históricas aqui).
Kosovo se declarou independente da Sérvia em fevereiro de 2008, mas a Sérvia se recusou desde então a reconhecer a separação. O lema é que “enquanto o povo sérvio existir, Kosovo será a Sérvia”...
Desta forma, a resolução conjunta apresentada ontem à Assembléia Geral da ONU constitui um avanço notável nas conversações, já que esta foi construída de forma conjunta entre a Sérvia a União Européia e indica a possibilidade de diálogo, apesar de a Sérvia ainda não reconhecer a independência de Kosovo.
Preservando-se os interesses soberanos dos sérvios, o documento demonstra, todavia, certa flexibilidadee esclarece a cooperação da Sérvia com a União Européia neste sentido. As dificuldades são latentes e muitos ainda serão os desafios envolvendo a consolidação da paz nos Bálcãs, com certeza.
Entretanto, se um longo caminho começa com um primeiro passo, pode-se dizer que o provérbio chinês certamente ronda as responsabilidades dos governantes de Sérvia e Kosovo diante de um dos maiores desafios no meio das Relações Internacionais atuais...
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Conversando com a Teoria

quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Radicalizando

terça-feira, 7 de setembro de 2010
Independência, é sorte!

Existe certo consenso entre o pessoal da área quanto à continuidade e ao pragmatismo nas políticas do Itamaraty. As grandes sacadas do Barão do Rio Branco, nos idos do início do século XX, foram entender que o Brasil precisava se aproximar dos EUA para não ser fagocitado pela potência emergente, assim como formar um corpo diplomático altamente capacitado e, principalmente, alheio na medida do possível a inflexões na política interna. Isso se tornou perceptível na diferença entre as chamadas políticas de Estado e de governo.
Claro que em determinados momentos havia congruências entre ambas as vertentes, devido a conjunturas específicas – como, por exemplo, a Política Externa Independente (PEI) dos governos Quadros e Goulart, que encontrou terreno fértil no arrefecimento da Guerra Fria. Pois este é um tema recorrente à PEB – justamente a questão da independência já prevista pelo patrono da diplomacia brasileira, e que encontrou ecos até mesmo no pragmatismo responsável do governo militar em Geisel. Basicamente, o Brasil sempre teve como meta essa busca pela autonomia – em graus variados, ao sabor da conjuntura internacional – e garantida pela “independência” do Itamaraty, que pôde manter políticas de longo prazo sem ingerência de aspectos específicos de cada governo.
E hoje? Há quem diga que os recentes desdobramentos dos rumos que nosso pais anda tomando no exterior estariam coadunando-se com determinados aspectos de viés ideológico ou partidário do governo, o que seria nocivo à política do Estado. Nesse espírito inédito de diversificação, fala-se até em uma aparente contradição quanto à defesa de regimes internacionais, dada a aproximação com Estados não muito bem quistos na comunidade internacional. Por outro lado, é justamente esse um aspecto primordial do pragmatismo. Parafraseando o presidente, nunca antes na história desse país houve tanta autonomia para o Brasil. O resultado de mais de 100 anos de PEB visando a essa independência? Talvez. Mas resta saber como, nos próximos anos vamos lidar com o pragmatismo, em especial comercial, contraposto a uma crescente importância política e o chamado ao cumprimento das obrigações internacionais do Brasil.
A independência é um aspecto primordial da nossa política externa. Mas, se vamos saber arcar com o seu peso, cabe ao futuro dizer.



