
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Quelqu'un m'a dit

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
O México é aqui?

“Mexicanização”? É o nome que se deu no Brasil ao processo de institucionalização de uma “ditadura branca” (termo meio que controverso) no México durante mais de 60 anos com o PRI (Partido Revolucionário Institucional), que se manteve hegemônico no México dos anos 30 aos 2000. Assumindo um caráter de início extremamente popular, com o resgate de princípios da Revolução de 1910, tornou-se uma espécie de bloco hegemônico e considerado unipartidário (havia outros partidos, mas de tão pequena expressão que na prática apenas o PRI concorria). Por isso o aspecto de “ditadura”, pois as eleições livres estariam apenas dando uma carapuça democrática a um governo contínuo.
E o Brasil com isso? Já houve temores de coisas semelhante ocorrer por aqui antes (tanto que o termo já existia), por exemplo, na época das acachapantes vitorias da ARENA. Nunca se chegou ao ponto de um unipartidarismo mascarado por aqui. Porém, o que se anda dizendo é que caso o PSDB seja derrotado nas principais instâncias governamentais, não tenha forças para se reerguer como oposição nacional e abra caminho para um processo semelhante de erosão com uma hegemonia de centro-esquerda fundamentada no maquinário estatal e pessoal dos anos Lula.
A discussão sobre isso é complicada, mas tenhamos em mente, contudo e de maneira breve, que são situações bem diferentes, pois a oposição aqui, apesar de um pouco ineficiente nos últimos anos, ainda é bem organizada. Ademais, e principalmente, para algo assim dar certo, um eventual governo que mantenha as bases atuais dependeria de bons ventos internacionais para se sustentar, visto que é isso que mantém o sucesso do país hoje. Quando a economia internacional não estiver tão favorável, e isso vai acontecer cedo ou tarde, o Brasil enfrentará o rombo fiscal e um monte de outros problemas até agora contornados, o que contribuiria para uma provável perda de popularidade. Quando se trata de mudar de opinião, a economia geralmente se reflete imediatamente na opinião povo – Obama que o diga. Assim, o risco desse tipo de hegemonização seria relativamente improvável.
Um último ponto de reflexão: poderíamos pensar também em “mexicanização” com a escalada da violência? Nada é impossível, e claro que no Brasil a coisa está feia, mas ainda não está nos patamares catastróficos do México, com mais de 20 mil mortes, em pouco mais de 4 anos, diretamente ligadas ao narcotráfico. Se não acredito que vá haver essa mexicanização política, tampouco que haja um dia em que aconteçam por aqui e com regularidade massacres como o da semana passada. O México não é aqui, espero.
sábado, 28 de agosto de 2010
Somos populistas?

Uma frase é recorrente quando se fala em política na América Latina: isso é populismo ou esse líder é um populista. Em geral, sem querer qualquer tipo de julgamento, há uma tendência a enxergar paralelos entre líderes vinculados a esquerda (ou socialismo do século XXI) e políticas entendidas como populistas. Aí surge minha questão, afinal, somos ou não?
Primeiro, nos cabe um esclarecimento. São três os elementos base, de acordo com as análises sociológicas, para definir o que significa esse termo: massificação de camadas da sociedade e desvinculação das mesmas de seus grupos sociais; perda de representatividade da classe dirigente; e o aparecimento de um líder dotado de grande carisma. A primeira vista, portanto, não seria necessariamente fenômeno negativo, certo?
O sociólogo Jorge Ferreira vai além, ser considerado populista no Brasil do início do século XX era um elogio. Ao contrário do atual estigma, eram considerados amigos do povo, ou seja, ouviam suas aflições e atendiam seus anseios. Assim, a população encontra em certos líderes carismáticos uma saída ao processo político tradicional, em outras palavras, uma forma de ver suas demandas atendidas por seus representantes. Tal dinâmica nos leva a refletir sobre o seu contexto. Getúlio Vargas, o pai dos pobres, governou o Brasil quando nos transformávamos em um país baseado nas cidades, não mais no campo, ao passo que na economia vivíamos o período da substituição das importações. De certa forma, este é um processo geral latino-americano no período.
Mas então, por que o populismo (ou já um neo-populismo) tem sentido pejorativo no século XXI? Ainda de acordo com Ferreira, líderes da direita e da esquerda, identificaram uma tendência que funcionou como chave para tomar posse completa do Estado. Países varridos por uma desigualdade social endêmica, uma sociedade civil inativa e uma classe trabalhadora fraca; que logo se tornaram alvo fácil para manipulação e cooptação. Não bastassem as dificuldades sociais estruturais que a América Latina vivia, muitos países enfrentaram períodos de repressão comandados por militares. Uma vez retomada a democracia, os grupos tradicionais e conservadores viram suas lideranças não se renovarem, ainda fechadas como antigas oligarquias. Desta maneira, a América Latina foi “prato cheio” para lideranças carismáticas que ofereciam um caminho diferente dos conservadores, frente a um povo aflito e cansado de ser reprimido.
Depois desta breve digressão, voltamos a nossa pergunta. A partir dos critérios expostos por sociólogos, me parece plausível responder que sim. Mais que isso, este é um fenômeno relacionado à história da nossa região. Ainda que alguns defendam que os atuais líderes populistas são enganadores e demagogos que utilizam o povo ao invés de defender-lo, são escolhas, na maioria das vezes, da população de seus países. Entre o tradicional e o populista, ficamos com os populistas. Em que pese radicalismos – presentes em qualquer ideologia –, é um modelo efetivo de posicionar-se politicamente na América Latina, na qual o povo ainda tende a ver o governo como um “pai”. Para terminar deixo uma última questão, estão atendendo verdadeiramente aos anseios do povo ou a retórica e o discurso funcionam mais que a prática?
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Vivendo e dialogando
Se dizem por aí que a propaganda é a alma do negócio, pode-se sugerir que o diálogo é a alma das Relações Internacionais. Por ocasião desta semana, China e África do Sul deram mais um passo no sentido do aprofundamento de tal reflexão.A parceria estratégica entre estes dois Estados – anunciada como polivalente, já que compreende 28 áreas de cooperação – demonstra o diálogo político que chineses e sul-africanos pretendem estreitar nos próximos tempos.
A primeira visita de Jacob Zuma, presidente sul-africano, ao gigante asiático (juntamente com mais de trezentos homens de negócios), terminou ontem com um saldo positivo para ambos os lados – uma dúzia de contratos comerciais foram assinados em várias áreas, tais como defesa, cultura, transporte ou turismo, por exemplo.
Quando questionado a respeito do risco de continuidade do neocolonialismo na África por vias chinesas, o Ministro do Comércio da África do Sul sugeriu que a resposta ao Ocidente deveria ser: “olha quem está falando”...
O que pode ser chamado de "diálogo dos que chegaram depois" na verdade demonstra uma realidade cada dia mais presente no cenário internacional: o diálogo inter-estatal com vistas à cooperação estratégica. Vivendo e aprendendo, dialogando e crescendo, assim parece que segue a vida na Política Internacional, especialmente entre os países em desenvolvimento acelerado.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Conversando com a Teoria

quarta-feira, 25 de agosto de 2010
As misturas

terça-feira, 24 de agosto de 2010
Terror somali, terror africano

segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Dor maior

Ora, não é novidade que se a solução fosse fácil eles não estariam negociando há duas décadas. A diferença agora é que existe um catalisador improvável nessa equação agora, e adivinhem só... o Irã, de novo! No momento, Israel está com uma preocupação terrível quanto ao país de Ahmadinejad, e não surpreende que o anúncio da retomada de negociações tenha ocorrido quase que ao mesmo tempo que o anúncio da ativação do primeiro reator nuclear e da apresentação de um drone (avião de ataque não-tripulado) produzido totalmente no país, um dia depois. Israel já está com o dedo no gatilho para um ataque preventivo e só não o fez ainda pois os EUA estão livrando a cara do Irã (quem diria...) garantindo que não conseguiriam uma bomba em menos de um ano e dissuadindo Israel dessa ação desesperada.
Isso me lembra do famoso personagem de Luis Fernando Veríssimo, o Analista de Bagé – um nada ortodoxo psicólogo que tinha uma técnica diferente para curar seus pacientes, o “joelhaço”. Basicamente, desferia um belo golpe no estômago para fazer o paciente esquecer da dor ou dos problemas na cabeça com a dor física. Bem, Israel já te uma dor de cabeça tremenda com a questão Palestina. Mas comparar homens-bomba com armas nucleares é até injusto, e na sua visão já levou um “joelhaço” que até nome tem, Bushehr. Resta saber qual dor vai causar mais estrago, e provavelmente nem Israel tem ideia.
sábado, 21 de agosto de 2010
Ásia: a região do futuro?

Um dos principais elementos das Relações Internacionais, desde seus primórdios, é o poder. Não importa a forma – seja econômico, político ou militar – cada agente no Sistema Internacional, essencialmente me refiro a Estados, baseia suas escolhas nos principais pólos de poder. Neste contexto, qualquer estudante em sua vida escolar terá contato com a história de grandes Impérios (unipolaridade), a bipolaridade na Guerra Fria, ou mesmo a ascensão de uma possível ordem multipolar, na qual não haveria centros de poder absolutos.
Ser o agente mais poderoso em um momento não é garantia de proeminência permanente. Todo o Império que se preze um dia viu sua própria derrocada, por problemas internos ou pelo surgimento de agente com mais recursos e capacidade de gerar influência nos demais. Recém começado o século XX, é amplo o debate sobre um novo foco de poder, a China, e a débâcle do atual país de maior poder, os Estados Unidos. É inegável que nos últimos 30 anos, a Ásia – não somente a China, mas em especial este país – melhorou a qualidade de vida de sua população e atingiu um crescimento econômico constante e dinâmico, quando não acelerado.
O modelo de desenvolvimento da região foi enfocado em diversificar exportações e prover o mundo com uma imensa quantidade de produtos asiáticos, dos mais diversos. Grandes empresas multinacionais também identificaram uma grande oportunidade na região, estabelecendo bases de seus sistemas produtivos em países que ofereciam incentivos fiscais, legislação ambiental não rigorosa e uma mão-de-obra abundante e barata. Assim, a Ásia conseguiu talhar um novo posicionamento frente ao Sistema Internacional, e ver países como Japão, no final do século XX, mais China e Índia, atualmente, como agentes de decisão internacional, não mais meros expectadores nas instituições internacionais.
A nova Ásia para as próximas duas décadas, segundo Stephen Roach em um Podcast da consultoria McKinsey, estará muito mais baseado em desenvolvimento a partir de seu mercado interno do que no modelo utilizado nos últimos 30 anos, pautado em exportações. Uma região que produziria mais para seu próprio consumo que para o mundo. Sua grande fortaleza seria justamente os mais de três bilhões de pessoas que vivem na região. Roach ainda lança a possibilidade de formação de uma Pan-Ásia, integração centrada na China como promotora de desenvolvimento regional, com países como Coréia do Sul, Taiwan e Japão desenvolvendo o mercado chinês como prioridade, ante aos Estados Unidos e União Européia.
O desafio seria mudar a estrutura do foco atual – fortemente externo – para suas próprias fronteiras, levando a uma maior sinergia e consequentemente maior integração regional. Contudo nem tudo são flores. Primeiro, não se pode pensar Ásia unicamente com a China como porta de entrada, a região tem temáticas, prioridades tendências muito além das próprias chinesas. Há disputa territorial entre China e Índia; grande influência ocidental na Coréia do Sul, Vietnã e Japão; uma Índia cada vez mais dinâmica e influente, entre outros. A The Economist, inclusive defende que a disputa da China é antes com a Índia no plano regional do que com os Estados Unidos no plano global. Independente desta questão, a Ásia – ainda mais Índia e China – para ter ainda maior importância nas decisões internacionais, necessita conciliação e cooperação regional primeiro.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Estado laico. Ou nem tanto.
Não, Barack Hussein Obama não é muçulmano. E eis que a religião do atual presidente dos Estados Unidos tem sido discutida em manchetes internacionais.A questão é que foi divulgada ontem uma pesquisa do Pew Research Center demonstrando que 18% dos americanos acreditam que Obama é muçulmano, enquanto apenas um terço da população, 34%, sabe que ele, na verdade, professa a religião cristã.
E a pesquisa aconteceu antes de Obama apoiar publicamente o direito dos muçulmanos de construírem uma mesquita nas proximidades de onde se localizavam as torres gêmeas em Nova York, derrubadas nos atentados de 11 de setembro, assunto que está gerando bastante polêmica na terra do Tio Sam.
O que chama a atenção neste âmbito não é apenas o debate em torno da liberdade ou não de um templo muçulmano ser construído ao sul de Manhattan (muitos familiares de vítimas dos atentados terroristas consideraram um insulto tal possibilidade). O mais intrigante é a preocupação da Casa Branca em garantir (sim, este é o termo utilizado) que Obama é cristão.
A preocupação que o governo está demonstrando em configurar a imagem deste importante estadista ocidental como cristão que “reza todos os dias” pode gerar uma discussão muito mais ampla. É importante contextualizar que, nos EUA, a laicidade do Estado (ou seja, sua neutralidade religiosa) é datada do ano de 1787. Desta forma, se promove a separação entre Estado e Igreja, constituindo a religião uma opção livre dos cidadãos. Mas será que esse Estado é realmente tão laico assim?
Ao vislumbrar manchetes na mídia internacional com o foco em apresentar a cristandade da família Obama, parece que se desconfigura a atitude crítica que deveria desvincular a religião da vida pública na contemporaneidade. Por que as crenças religiosas (e pessoais) de Obama importam tanto?
Contestar uma decisão política polêmica é um aspecto a se discutir, porém manter um conservadorismo medieval que exige esclarecimentos acerca das preferências religiosas de um cidadão, seja ele o presidente dos Estados Unidos ou não, talvez demonstre que a modernidade ainda esbarra em preconceitos mais profundos do que podem parecer à primeira vista...
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Imagens

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terça-feira, 17 de agosto de 2010
É preciso palavras para construir o silêncio

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Há um ano...

sábado, 14 de agosto de 2010
Hasta la victoria, siempre?
Post rápido apenas para lembrar um fato marcante. Pelo menos para Cuba. Ontem foi aniversário de Fidel Castro. Sim, aos 84 anos de idade, eis que o líder cubano volta aos noticiários internacionais. Garantindo ser o mesmo revolucionário, a data foi festejada não-oficialmente. (Hugo Chávez o parabenizou via twitter... tempos modernos, não?!)Na verdade, o que chama a atenção é sua volta, há alguns dias, ao Parlamento cubano – discursando pela primeira vez desde que entregou a ditadura cubana a seu irmão, Raúl, há quatro anos por motivos de saúde. A comunidade internacional em geral não acreditava na possibilidade de volta de suas aparições públicas, mas o líder surpreendeu novamente.
Hasta la victoria, siempre? É, parece que Fidel segue seu lema ao pé-da-letra.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
A síndrome de Dom Quixote nas Relações Internacionais
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Conversando com a Teoria

quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Homossexualismo, religião, conservadores, liberais...
Praticamente todos aqueles que se consideram fora do campo conservador (algo completamente relativo ao ponto de vista) tem como passatempo avacalhar com qualquer proposição contrária, sem nunca de apoiar o Liberal Obama, é claro. Esse vídeo, resposta inteligente como refutação de argumento, terá efeito nulo naqueles que acham que o homossexualismo é doença. Por mais que se diga que tentaram de todas as maneiras convencer os outros de seu ponto de vista, não será tirando sarro que conseguirão algo de uma instituição tão antiga e "bem resolvida". Nessa falta de compreensão, acabamos por distanciar ainda mais os lados em questão e terminamos por ativamente buscar o retrocesso nas relações humanas.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Um desfecho sem final

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Lembranças

domingo, 8 de agosto de 2010
Pedras e bom coração
Ashtiani foi condenada em maio de 2006 por ter mantido uma "relação ilegal" com dois homens, a 99 chicotadas. A pena se cumpriu. Pouco tempo depois, a mãe de dois filhos foi novalemnte a julgamento por adultério, e dessa vez deu-se a sentença por apedrejamento. Ashtiani alega inocência. Depois de protestos em muitos países e organizações internacionais, no início de julho deste ano, chegou-se a anunciar que Ashtiani não seria morta por apedrejamento, e que a pena seria revista. Oficialmente, não há confirmação dessa informação, nem nenhuma garantia da mudança.
O Irã foi o segundo país que mais executou condenados à morte em 2009. Dados oficiais dizem que 388 pessoas foram executadas por ordem da Justiça no país, atrás apenas da China, que não divulga esse tipo de informação - sabe-se que a Justiça condena à morte mais pessoas que todos os outros países somados.

A pena de morte (ou pena capital) é ainda aplicada em muitos países (prevista em 58, aplicada em 18). Em geral, e sem discussão do poder que o Estado tem para tirar a vida de alguém, os métodos atualmente aplicados abrangem apedrejamento, câmara de gás, fuzilamento, injeção letal, forca, cadeira elétrica e decapitação. Para nos restringirmos ao caso da iraniana, a morte por apedrejamento é feita de maneira que o condenado seja amarrado e enterrado até a altura do peito, no caso das mulheres. O juiz inicia atirando uma pedra, seguido pelos jurados e pelo público, até que a pessoa morra por traumatismos, cerca de uma hora depois.
Voltado ao envolvimento do Brasil. A famosa carta secreta enviada dos EUA ao Brasil, que supostamente conteria instruções ao governo brasileiro sobre as preocupações norte-americanas quanto ao Irã, misteriosamente vazou para a mídia. Depois das atrapalhadas negociações com Irã e Turquia, e do apoio (nem sempre) velado a outros países violadores de direitos humanos, num terceiro-mundismo infundado, Lula teve uma sacada de mestre. O presidente afirmou que, "como cristão", não considera correto que um Estado condene uma pessoa à morte, mas é uma situação muito delicada pois envolve a soberania de um país... Que bom coração!
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sábado, 7 de agosto de 2010
Vinícius, eterno!
Quanto mais o tempo passa,
Mais me lembro de você."
Não apenas Tom Jobim, mas o Brasil inteiro se lembra. Há uma saudade cuja idade não falta a memória e o tempo não fenece: duas décadas sem a cultura, a música e a poesia do inesquecível Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes, ou simplesmente Vinícius de Moraes (confiram sua biografia).
Nascido em 1913, no Rio de Janeiro, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, Vínicius haveria de transcender com a beleza poética, transformada posteriormente em canções, à dureza da realidade: guerras, crises e tensões, externamente; lutas sociais e a ditadura, internamente. Poeta e diplomata, mas também boêmio. Uma boemia que lhe rendeu tanto críticas quanto uma criatividade extraordinária, inclusive para responder às críticas à altura e com elegância (como no episódio em que ele bradou os versos de Poética para os jovens salazaristas, ferrenhos à ditadura lusitana, e estes se curvaram ao gênio).
Pessoa de gostos simples, apaixonado pela carne seca desfiada da tia Beti (mulher de Pixiguinha), e requintados pela poesia francesa. Num país condenado por suas imperfeições, foi patriota como poucos, como expresso no poema Olha Aqui, Mr. Buster. Sofredor, como há de ser o grande poeta, perseguido pelo AI-5 e sempre saudoso do Brasil, quando no exterior. Em resposta à publicação do AI-5, Vinícius declamou Minha Pátria, juntando a perseguição e a saudade:
“Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!”
Só que a perseguição lhe custou a carreira diplomática, já tão contestada por ser incompatível com a de músico. Não bastasse aposentá-lo compulsoriamente do serviço público, em 1969, classificou-o entre os “bêbados, boêmios e homossexuais”. Classificações que seriam varridas junto com o regime autoritário, preservando a herança cultural e literária, antes confinada aos círculos elitistas, por toda a nação. Vinícius não assistiu à queda da ditadura, morreu em 1980, vítima de um edema pulmonar. Partiu sem pedir a benção e dizer adeus. Mas segue como um ícone raro de nossa história, capaz de unir a ação ao sentimento (embora ele tenha dito isso a Carlinhos Lyra), de demonstrar que as palavras se sobrepõem à força.
É, Vinícius, sem você, o Brasil emudeceu e ensurdeceu. Ainda assim, não o esqueceu. Exemplo disso é a sua elevação post mortem ao cargo de Ministro de Primeira Classe da Carreira de Diplomata (aqui), o mais alto cargo dessa carreira. Você foi eterno enquanto durou, e que assim permaneça quando não mais dura. A benção a nós que ficamos e o reconhecimento a você que partiu...
[Para quem tiver interesse, no YouTube está disponível uma sequência de vídeos sobre Vinícius de Moraes, no programa Mosaicos. Acesse aqui a parte 1, a parte 2, a parte 3, a parte 4 e a parte 5. Vale a pena!]
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Diamantes de sangue
E não é que Naomi Campbell se encontra mais uma vez nos tablóides internacionais? Só que dessa vez o assunto não são suas destemperadas reações que já renderam tantos escândalos. O caso atual é que a top model depôs ontem no Tribunal Especial de Haia destinado a julgar as acusações de crimes de guerra contra o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor.Arrolada entre as testemunhas do processo, Naomi confirmou ter recebido diamantes de presente no ano de 1997, por ocasião de um jantar de caridade na casa de Nelson Mandela, presidente sul-africano à época. Com essa informação, a promotoria pretende vincular Charles Taylor, também presente no dito jantar, aos diamantes – já que este foi visto conversando com a modelo durante o evento e demais testemunhas afirmaram ter escutado o então presidente da Libéria dizer que gostaria de presenteá-la com diamantes.
A grande polêmica não envolve o encantamento que a modelo pode ter motivado em Taylor, despertando-lhe a ânsia por agradá-la com mimos ou diamantes, os melhores amigos das mulheres, como se diz por aí. O que preocupa o Tribunal de Haia é a origem dos tais diamantes e a forma como estes podem ter financiado a guerra civil de Serra Leoa, país vizinho à Libéria.
O ex-presidente liberiano possui contra si 11 acusações de crimes de guerra e contra a humanidade que são relacionadas à sua possível influência na guerra civil de Serra Leoa (mais informações aqui). Taylor está sendo investigado por vender diamantes e comprar armas para a “Frente Revolucionária Unida de Serra Leoa”, grupo rebelde famoso por atrocidades (como amputar mãos e pernas de civis) durante a guerra civil que durou quase 10 anos no país, iniciada na década de 90. A instabilidade política de Serra Leoa – bem como da própria Libéria à época, articuladas com a venda de diamantes para o incremento dos armamentos utilizados no período de crise revolucionária, provocaram a morte e a mutilação de milhares de pessoas, chamando a atenção da mídia internacional e dos ativistas em defesa dos Direitos Humanos.
O início do julgamento internacional de Taylor deveria ter acontecido em 2007, mas seu primeiro depoimento aconteceu apenas ano passado e a previsão é de aproximados 18 meses de trâmites para a conclusão do processo para o qual tantos flashes se voltaram nessa semana de testemunho de Naomi Campbell.
Charles Taylor não é acusado por cometer os crimes pessoalmente, mas existe forma mais direta de cometer crimes do que apoiar, ordenar ou compactuar com estes atos? A polêmica envolvendo diamantes na África já foi tratada aqui no blog, e certamente se encontra na raiz das discussões em Relações Internacionais envolvendo os conflitos na Libéria e em Serra Leoa.
Resta apenas imaginar se Taylor um dia imaginou que um “inocente” agrado a uma mulher atraente renderia subsídios para reforçar uma acusação de crimes de guerra contra ele...
Os Regionalismos e as Relações Internacionais
O papel do MERCOSUL e os atores sub-nacionais no regionalismo continental. Arquiteturas sub-regionais de Defesa: o Conselho de Defesa Sul-Americano. A dimensão e os lugares da cultura nas Relações Internacionais: diplomacia cultural, mídia e processos de integração regional.Dentre vários temas, acima se encontram algumas das discussões que serão promovidas durante a próxima semana na cidade de Franca/SP, por ocasião da VIII Semana de Relações Internacionais da UNESP. Se você tem interesse no assunto e/ou disponibilidade para participar desse evento, não perca a oportunidade! As inscrições ainda estão abertas.
Acesse http://www.riunespfranca.com.br/semanaderi/ e conheça a programação e os detalhes do evento. Afinal, vale a pena discutir e repensar os “Regionalismos e as Relações Internacionais” em tempos de tantas agitações na América Latina, por exemplo (vide posts recentes, como este ou este).
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Conversando com a Teoria

quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Cedendo às pressões

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terça-feira, 3 de agosto de 2010
Os quatro elementos


