
Dambisa Moyo, acadêmica nascida na Zâmbia, ousou combater o modelo de desenvolvimento criado pela ajuda internacional remetida aos países africanos anualmente há décadas. Em sua opinião, este fenômeno criou uma África dependente de outros países, governos pouco envolvidos na resolução de suas próprias temáticas, máquinas estatais pouco efetivas e um modelo de desenvolvimento totalmente diferente do resto do mundo. A tendência natural, a partir disso, é contar com o dinheiro fácil e de fluxo constante, ao invés de criar ambiente favorável ao nascimento de novos negócios, crescimento de investimentos e um sistema de taxação à população que gere serviços básicos como contrapartida. Deve-se, no entanto, excluir-se dessa análise duas modalidades de ajuda internacional: as relacionadas a desastres humanitários e ao trabalho desenvolvido por ONGs.
Os focos dos investimentos já foram os mais diversos, passando por infra-estrutura, pobreza, entre outros e atingindo o início do século XXI com poucos resultados efetivos. Existiria algum país com um modelo similar que tenha, eventualmente, melhorado a qualidade de vida de sua população e alcançado uma economia estável? Pensemos um exemplo bem simples: os países em desenvolvimento da moda (Brasil, China e Índia). Qual a base utilizada por cada um deles? Generalizando, podemos levantar alguns pontos primordiais como: planejamento econômico de longo prazo com o objetivo de atingir estabilidade entre níveis de crescimento, controle do valor de suas moedas e inflação; investimentos maciços em infra-estrutura e tecnologia; criação as políticas de desenvolvimento a partir de pontos de vistas nacionais; foco no desenvolvimento de novas políticas de comércio, enfocando suas relações com outros países neste ponto específico ao passo que diminuíam as influências externas nos seus processos de decisão.
A lição de Moyo é que crescimento reduz pobreza e investimento gera crescimento. Lógica que se pode observar nos países citados acima, mas que no caso africano não foi seguida. A abordagem é mais no sentido de aliviar a pobreza, que não se reverte em formas de crescimento, uma vez que não é acompanhada outras políticas pelos governos africanos. Ajuda financeira internacional não é em si uma idéia ruim. Porém, na África gerou, segunda a autora, mais malefícios que benefícios, na forma de corrupção, inflação, excessiva valorização das moedas locais devido ao ingresso de moedas internacionais mais valorizadas e da não existência de serviços providos pelo setor estatal. Em conclusão, fatores estes que trouxeram uma grande vulnerabilidade ao continente. Imaginem o dia que estes atuais doadores não mais tenham condições de fazê-lo ou mesmo que percam o interesse por outros motivos?
Apesar de o debate estar circunscrito a questão meramente desenvolvimentista, pensar a questão africana vai muito além de se analisar a utilização da ajuda financeira no continente. A falta de estrutura e desenvolvimento do país tem sua raiz central neste ponto específico? Em verdade, não acredito que se possa justificar questões de política interna a fatores externos ao país, claro que podem ser parte do quadro maior, mas não a maior justificativa. Muito mais que isso, faltou a muitos países africanos pensar modelos de desenvolvimento adaptados a realidade local, superar rivalidades étnicas e históricas, além de construir uma estrutura estatal efetiva. De certa maneira, no entanto, tal fato também encontra ressonância na agenda criada, seja pelos países desenvolvidos e doadores famosos internacionais. Uma espécie de agenda negativa, que pouco agregou ao desenvolvimento africano.
Os elementos gerais que aponto para China, Brasil e Índia são pontos centrais somente. Cada país encontrou um caminha único, prioridades e o que ter como enfoque em cada momento. Uma premissa central de Moyo me parece lógica: África não pode construir políticas nacionais dependentes de financiamento externo, desta maneira perde até a principal característica de um Estado soberano. No entanto, há outros fatores também para pensar esta análise. Fato é que é premente encontrar um novo modelo de desenvolvimento para África, de preferência sem as interferências de atores que vivem a o glamour da televisão, do show-business ou de cadeiras bem acolchoadas dos escritórios de edifícios elegantes, todos dispostos a continuar participando do atual modelo de desenvolvimento africana, claramente falho.








19 de julho, Segunda - Já no Iraque, um homem-bomba matou 45 pessoas na base militar de Radwaniya. A maioria era integrante da milícia sunita Sahwa, grupo armado pró-governo que renunciou à Al-Qaeda e para combatê-la a partir de 2006. Em março, nas eleições, não houve a formação de um governo de coalizão já que os dois primeiro-ministros (atual e anterior) disputam a chefia do governo. Em 2012, os EUA devem retirar suas tropas do local.
20 de julho, Terça - Na Espanha, alguns ex-presos políticos cubanos, soltos graças ao acordo entre Cuba, Vaticano e Espanha, divulgaram um comunicado demandando que a União Européia não amenizem sua posição no que tange a ilha de Fidel. O problema é que a Espanha realiza o acordo com o objetivo de que a UE reformule seu direcionamento para Cuba, que atualmente só aceita aproximação caso haja mais abertura no regime comunista. Parece que não vai ser dessa vez.















