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UPDATE: Como algumas pessoas não conseguiram acessar pelo link disponibilizado anteriormente, outro link para o podcast está aqui.

Já está no ar o Podcast dessa semana!

Uma edição especial, em que alguns dos colaboradores deste blog debateram a tão comentada questão da expansão do Plano Colômbia com novas bases e presença adicional de 800 soldados, como já tratado nesse post, e aqui. E como sempre, trazendo novas perspectivas de importantes temáticas.

O link do podcast dessa semana está aqui ou aqui.

E não deixem de comentar!

Eleições no Japão: entre a tradição e a tal ‘ruptura’

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http://i1.ce.cn/english/World/Asia-Pacific/200905/28/W020090528494198950825.jpg

Update: 00h15 de segunda (horário do Japão)- apuração dos votos até agora
287 deputados do PD
94 deputados do PLD
33 deputados de outros partidos
66 votos a decidir
Ou seja, como previsto, o PD vence por uma maioria esmagadora.

Por sugestão do Alcir, eis uma matéria sobre as eleições no Japão!


Para quem não tem a menor idéia do que está acontecendo, clique aqui e aqui para saber mais. Há inúmeras notícias a respeito, mas tudo pode ser resumido em uma única frase: a oposição, representada por Hatoyama Yukio(Partido Democrata) é a grande favorita para acabar com a hegemonia de mais de 50 anos do conservador Partido Liberal Democrata, atualmente sob a liderança de Aso Taro.


Para saber como funcionam as eleições legislativas no Japão, clique
aqui.


Algumas impressões de vossa correspondente internacional…


Sobre as propostas dos candidatos, acesse os links do
Partido Liberal Democrata (Jimintō) e do Partido Democrata (Shumintō) (infelizmente, as informações não se encontram disponíveis em inglês). Quem puder acessar e entender, verá que quase 50% da página do PDL destina-se a atacar Hatoyama e o PD. Eu acredito que alguma alfinetadas no partido adversário são até saudáveis, mas quando não se consegue sustentar-se com a própria campanha e se passa a adotar a famosa “estratégia do desespero”, em que a campanha se restringe a ataques e críticas ao opositor, é porque as coisas não andam bem… Aqui no Japão não é diferente. E, como estamos no país dos mangás e animes, nada mais natural que usar deste artifício. Posto dois links destes vídeos em formato de anime:


Este
vídeo faz uma comparação entre promessas políticas e de amor. O
Don Juan – que não por acaso assemelha-se à Hatoyama – promete um mar de rosas à moça se ela ficar com ele. Ele promete cuidar de todas as despesas com filhos, educação, aposentadoria, cuidados médicos e rodovias gratuitas (sem pedágios). Quando ela pergunta sobre o dinheiro para realizar tudo isso, ele responde: “Esses detalhes eu penso depois que nos casarmos”. Por fim, o announcer indaga aos eleitores se se pode confiar em algo que não tem bases sólidas.


Neste outro
vídeo, o personagem de Hatoyama aparece novamente, dessa vez oferecendo o prato da casa, o “
Lamen Manifesto” (que nome infame e indigesto, heim!). Entretanto, a cada reclamação dos clientes, ele vai mudando a receita original para agradar até que, por fim, a moça pergunta se a tal gororoba não está totalmente diferente do começo, ao que ele responde “Não, desde o começo era pra ser assim.” E o announcer entra: “Não dá pra fazer ninguém feliz só se adaptando ao outro. PLD. Políticas Sólidas.”


Uma certa
inexperiencia de Hatoyama é previsível, e pode-se dizer que “elegê-lo é optar pela mudança tendo em mente até onde se está disposto a ‘aguentar’ por tal mudança…”, nas palavras de Mikuriya Takashi, um cientista político japonês. Mas diante de tantos escândalos do PLD nos últimos anos, a vontade de mudar e de arriscar é visível entre os eleitores. Decerto a mudança não será algo tão visível, mas a promessa dos Democratas é de tornar a administração mais horizontal e humana.

Chega a ser grosseiro fazer uma comparação de Hatoyama com Lula ou Obama, mas a imagem de “mudança” que ele representa, é de certo modo semelhante: os opositores insistem que a mudança trará instabilidade, enquanto os “representantes da nova era” prometem humanizar a política e realizar reformas um tanto radicais – que configuram-se muitas vezes difíceis, senão impossíveis de se implementar, uma vez no poder.


Mas, afinal de contas, qual é o tipo de promessa que os políticos japoneses fazem à população? Quais são os temas recorrentes nas promessas de campanha? Bom, o sistema de saúde funciona e é ótimo (não chega a ser gratuito, mas acho que se paga um preço justo por aqui), o serviço, nem se fala! O acesso à educação não chega a ser um problema no que concerne ao ensino compulsório, mas complica quando se faça em ensino superior. Segurança interna? Exceto alguns casos isolados, não é um assunto que merece tanta atenção. Já a Coréia do Norte…


O que gera polêmica mesmo são os temas relativos à
seguridade social (um sistema que já causou e ainda causa muita confusão e revolta), auxílio para a criação de filhos (sem impactar os casais sem filhos) e geração de empregos (juntamente com as polítcias de superação dos efeitos da crise econômica).


Aso fixa sua proposta de governo em 3 pontos: 1. Melhorar a economia (acabar com a crise econômica em um plano trienal, investir em atividades “primárias” que sofre com a falta de pessoal e estimular a economia regional); 2. tornar realidade uma sociedade em que se possa viver tranquilo/seguro (no que concerne questões de educação, criação de filhos, seguro social e medidas contra o desemprego); e 3. “Responsabilidade”, um leque variadíssimo, que abrange desde reformas administrativas, fiscais e políticas, à questão ambiental e energética, diplomacia e segurança internacional). Em geral, ele conta com o apoio dos idosos, das grandes empresas, alguns agricultores e a camada mais abastada.


Já o plano de Hatoyama – mais conhecido como Manifesto – consiste de 5 pontos: 1. Acabar com o desperdício dos impostos (= fazer melhor uso do dinheiro público); 2. Oferecer auxílios financeiros e bolsas de estudos às crianças e aos estudantes em geral (mais de US$ 3000,oo por cabeça, até o Ensino Ginasial), para aumentar o acesso à educação e facilitar a criação dos filhos; 3. Reformar o sistema de Seguridade Social e Seguro de Saúde; 4. Descentralizar o poder e dar mais autonomia regional; 5. Diminuir impostos e apoiar as pequenas e microempresas. Jovens, mães, recém-casados, desempregados e a outra metade dos agricultores tendem a votar nele.


Não detalharei mais os pontos da proposta de cada um, pois já recebi reclamações sobre a extensão dos meus posts… Sou da opinião de que o PLD apresenta propostas mais racionais e realistas, bem como críticas plausíveis em relação ao PD, entretanto tenho fé de que a eleição de Hatoyama possa dar uma refrescada e uma cara mais jovial (mas nem tanto) à política japonesa… Mas a tal mudança drástica e a ‘ruptura’ de fato que todos esperam… é algo a não se esperar muito…

É esperar os resultados de hoje confirmarem as expectativas (ou não, quem – remotamente – sabe?) e torcer para que as novas políticas do PD um tanto irrealísticas, em minha visão, possam ser milagrosamente implementadas…


Categorias: Ásia e Oceania, Política e Política Externa


A reunião de cúpula da UNASUL

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Reunidos hoje em Bariloche, os 12 presidentes da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) colocaram em pauta a principal querela regional das últimas semanas: as bases americanas na Colômbia – na verdade a extensão de seu efetivo militar e a liberação do uso de sete bases em território colombiano. A distensão, apregoada por Marco Antônio Garcia, assessor para assuntos internacionais de Lula, não foi a tônica do encontro. Chavez bradou, como de praxe, sua discordância em relação ao acordo militar entre Colômbia-EUA, afirmando que esta levaria a um aumento da mobilidade norte-americana no continente, fato este agravado pela reativação da Quarta Frota americana.

Apesar dos esforços, como do presidente brasileiro, no sentido de abrandar as discussões, enfocando o rearmamento do continente como um todo (incluindo aí a própria intenção brasileira), o foco não saiu de Álvaro Uribe. O presidente colombiano defendeu que o acordo com os EUA não afeta a soberania de seu país, nem tampouco representa um risco ao continente, pedindo ainda a condenação das atividades da guerrilha e paramilitares. A reboque de Chavez, vieram Rafael Correa, presidente do Equador, e Evo Morales, presidente da Bolívia, que criticaram veementemente o governo colombiano. A cúpula ocorreu em clima de tensão, mesmo ante tentativas da anfitriã Cristina Kirchner e de Lula de apaziguar os ânimos.

De concreto mesmo ficou a declaração da cúpula, que pede ao Conselho de Defesa da UNASUL para elaborar mecanismos que ensejem confiança e segurança na região, garantindo o irrestrito respeito à soberania, integridade e inviolabilidade territorial na América do Sul. Estas medidas incluem o combate ao narcotráfico, ao contrabando de armas e ao terrorismo. Além disso, durante as discussões, Lula e Cristina Kirchner exigiram garantias que a expansão do acordo militar colombiano não implicará em ingerências em terceiros países. Fora os três líderes amplamente contrários as existências de bases norte-americanas no continente, Chavez, Morales e Correa, os demais países encontraram como ponto de convergência a necessidade de maior transparência, incluindo conversações com Obama a respeito dos objetivos e papel de seu governo no continente.

O governo Bush foi um grande impulso para a expansão do anti-americanismo no continente. O diretor da revista americana Foreign Policy chegou cravar que a América Latina é um continente perdido para os norte-americanos. Obama não sinaliza uma mudança significativa; seguindo a mesma política do seu antecessor, qual seja, ampliação do Plano Colômbia e da vigilância sobre o nosso continente. A prática não é exclusividade para os latinos-americanos, mas está espalhada pelo mundo. O fato é que, apesar de não defender publicamente ações deste gênero, tal qual Bush, Obama escolheu o silêncio desta vez. Enquanto isso, os governos latinos se armam para uma (real ou imaginária) guerra assimétrica. É pouco provável que os EUA levem a cabo uma ação militar contra o continente, mas a sabedoria popular ensina que cautela nunca faz mal a ninguém. O Brasil, tal como exposto na Estratégia de Defesa Nacional, está se preparando para ambos os cenários, seja a paz ou seja o conflito – não necessariamento com os norte-americanos.

Será que Obama cumprirá sua promessa e construirá um novo paradigma para o relacionamento entre EUA e os países latino-americanos?

Veja os vídeos da cúpula aqui.

E um infográfico sobre as bases norte-americanas na América Latina aqui.


Categorias: Estados Unidos, Organizações Internacionais


Dilema americano

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Sim, ele fez. Escondeu a tortura

O mais novo velho dilema do Obama está dando o que falar nos EUA. Recentemente, o Attorney General de lá (algo como nosso Procurador Geral), decidiu abrir um inquérito para investigar as denúncias de tortura nos EUA. E aí ele meteu a mão num vespeiro sem tamanho. Só que quem vai acabar mordido pelas vespas vai acabar sendo o presidente Obama.

Quando assumiu o mandato, não era novidade pra ninguém que a CIA e as outras agências de inteligência dos EUA cometiam todo tipo de tortura contra os presos políticos. Inclusive o tão discutido waterboarding, que tomou conta dos jornais e noticiários durante muito tempo (veja aqui uma ‘lista’ dos métodos utilizados pelos EUA).

No entanto, por mais que se questione, os métodos eram parte de uma política contra ataques terroristas. Afinal, não é no bate papo no botequim com Skol que desce redondo que se consegue a confissão de um terrorista extremista.

Mas os abusos existiram. E aí? O que fazer? Investigar, encontrar e punir os agentes culpados ou esquecer essa história e tentar mudar um pouco os métodos? Obama optou pela segunda opção.

Só que quando todos estavam no meio da discussão sobre a reforma do sistema de saúde, eis que aparecem novos ‘causos’, como por exemplo, a terceirização da captura e interrogatório de membros da Al Qaeda… Nem o mais neoliberal do mundo pensou nisso, tenho certeza! Além disso, ‘surgiu’ a informação de que a CIA havia ameaçado matar os filhos de um suposto extremista e estuprar a mãe de outro durante interrogatórios.

E, com certeza, também há muitos outros interesses políticos e econômicos envolvidos na exumação de um assunto já sepultado pelo presidente Obama. Inclusive a ‘mudança’ do rumo das conversas por lá sobre a universalização da saúde.

E isso trará conseqüências para o presidente, inclusive num momento de popularidade baixíssima. E isso que muita gente quer mesmo.

E aí? Investigar os casos e mexer com agentes da CIA e outras agências responsáveis pela inteligência e segurança nacional dos EUA ou deixar o assunto de lado e enfurecer a mídia, as agências humanitárias e muitos eleitores?

Leia mais aqui.


Categorias: Estados Unidos, Política e Política Externa


Aventuras no Mar Cáspio

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É curioso como o medo de incomodar a Rússia e a China faz as pessoas não quererem interferir em questões urgentes do internacional.

Essa região, de baixo IDH e pequena participação na economia mundial foi palco de uma série de conflitos e polêmicas nos últimos anos, mas como fica entre a Rússia e China, todas as ações internacionais realizadas nessa região são consideradas por essas duas potências como “infrações externas na estabilidade regional”.

As tentativas separatistas da Ossétia do Sul, atentados terroristas, sumiço de navios, e até mesmo as revoltas em Xinjang, cuja etnia majoritária possui maiores semelhanças étnico-culturais com o Kazaquistão do que com a China, são situadas e/ou relacionadas com essa região.

Para aumentar os problemas, essa região é uma das mais importantes rotas de narcóticos do mundo, principalmente de ópio e heroína. Sucessivas tentativas de estabelecimentos de missões militares, bases internacionais e outras medidas coercitivas de controle do tráfico de drogas foram propostas, mas apenas as paliativas ou figurativas foram aceitas pelos grandes vizinhos da região. Afinal, essas são “questões de competência regional”, argumento utilizado nos vetos do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como com o Sudão, Mianmar, Tibet, entre outros países que não aceitam “ingerência externa” e aparecem esporadicamente nas notícias para desaparecerem logo em seguida…


Categorias: Política e Política Externa


Ao vencedor…

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A contagem dos cerca de 5 milhões de votos para presidente no Afeganistão (1/6 da população total e 1/3 da população em condições de votar) está prevista para acabar apenas em 3 de setembro (ou 17, não há um alinhamento). Contudo, tanto Karzai (atual presidente) quanto Abdullah (ex-chanceler) já declaram vitória apesar de apenas 10% dos votos estarem apurados. Seria cômico, digno do mural de bizarrices da política internacional, se não fosse tão sério.

Em junho o nível de ataques de insurgentes atingiu recorde: 400 em apenas uma semana. O presidente aprovou uma lei que permite aos maridos não alimentar suas esposas caso as mesmas se recusem a ter relações sexuais. Durante as eleições, militantes do Taleban impediram a votação em vários pontos do país (sobretudo no sul). Obama e vários líderes ocidentais já elogiaram as eleições, e a “determinação do povo afegão para construir a democracia”….

Tá, mas quem são esses senhores? Karzai já apoiou o Taleban, mas abandonou o barco quando eles caíram. Aclamado presidente interino em 2001 e eleito em 2004, é acusado de corrupção no governo, desenvolvimento vagaroso e morte de civis em ataques estrangeiros provocaram uma queda em sua popularidade. Negociações de paz com Taleban são prioridades se reeleito. Por outro lado, Abdullah tem passagem livre pela OTAN. Nomeado chanceler no governo interino de Karzai. É médico e promete combater a corrupção.

É possível uma eleição reta em um cenário tão turbulento? Há chances de que um segundo turno ocorra. São 30 candidatos ao pleito, e corre um burburinho de fraude.

Repeteco iraniano. Dessa vez, segundo jornalistas da BBC, milhares de cédulas foram vendidas em Kabul. Um funcionário afirmou ter recebido ofertas de várias cédulas, que estavam sendo vendidas a menos de US$ 10 cada.

A OTAN já está mandando mais contingente para a região. O fato é que, por estar sob tutela da Aliança, as lideranças ocidentais não vão admitir tão cedo que falharam em construir a democracia lá. Prova disso é que já se precipitaram em congratular o processo. Sim, a OTAN falhou no mais importante: deixaram de lado a sedimentação de um processo de desenvolvimento econômico e abriram mais brechas para a atuação do Taleban. A pobreza abre espaço para que o Afeganistão permaneça na idade média, e isso não tem nada a ver com islamismo. A situação extrema em que o país se encontra propicia o fanatismo, não apenas no Afeganistão mas no Paquistão também, e em tantos outros cantos do mundo.

Quem quer um doce?

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UPDATE: Sobre este tema, leiam aqui uma matéria que saiu na “The Economist” dessa semana.

Essa imagem aí em cima tem aparecido com freqüência nos Estados Unidos. O motivo? Acusam o Obama de ser SOCIALISTA. Isso mesmo. O presidente dos EUA um adepto das teorias marxistas…

É claro que quem acusa não tem o mínimo de credibilidade. Aliás, a maioria dos americanos com certeza acha isso uma palhaçada, assim como nós, embora a popularidade do presidente ande muito baixa. Comparar o Obama com o comunismo, socialismo, ou qualquer coisa do gênero só mostra o quão estúpido pode ser um ser humano, além, é claro, de evidenciar a total falta de conhecimento do que é o socialismo.

Basicamente, o tumulto tem acontecido por conta dos projetos de implementação de um sistema de saúde público. Nos Estados Unidos, o que há de público em termos de saúde é o mínimo possível. Quem quer ter algum tipo de atendimento médico deve ter planos privados.

Acontece que a oposição por lá (que é formada de políticos da mesma forma que aqui no Brasil) está aproveitando as polêmicas e a falta de um plano específico do governo para sentar o sarrafo no Obama. Aliás, os republicanos nos EUA andam meio sem líder. Quem está fazendo esse papel é um fanático que tem um programa de rádio xexelento e que coopta os conservadores que mal sabem onde fica a Europa no mapa para pressionar o governo e veicular esse tipo de propaganda que se tem visto. O tal radialista atende pelo nome de Rush Limbaugh.

Tem até uma conversa de que o Obama na verdade é queniano e que seu registro de nascimento do Havaí é falso e que, por isso, deveria ter o mandato de presidente cassado… Francamente!


Mas o pior de tudo, certamente, é a comparação de Obama com Hitler! Sem comentários. Dizem que, assim como o líder nazista, Obama foi eleito para ‘mudanças’. Mais uma vez, poupo-me de comentar as diferenças entre o regime nazista, desde sua ideologia, métodos, etc. e o presidente dos Estados Unidos. Imagino que os leitores deste blog, ao contrário da ‘direita lunática’ dos EUA, nas palavras de Luís Fernando Veríssimo (que escreveu uma excelente crônica sobre este tema), é suficientemente entendido pra não cair nessa conversa idiota. A lei de Godwin deve estar é certa!

Quem adivinhar quem está por trás disso tudo ganha um doce!

Lobbies pesadíssimos da indústria farmacêutica, dos planos de saúde, das empresas que não querem ter mais custos, enfim… Não se trata de conspiração. Mas nos Estados Unidos lobby é coisa séria, legalizada, levada a cabo pelas empresas (que inclusive têm escritórios de representação dentro do congresso). E não é nada tão escondido como acontece no Brasil, embora, neste caso específico, não esteja acontecendo às claras.

O mais provável é que não se consiga aprovar nada. Ou então, algo que não mude coisa nenhuma.

O mais engraçado, no entanto, é que os mesmos americanos que votaram e apoiaram o presidente por esse começo de mandato são os que agora o rejeitam (caso contário sua popularidade não estaria tão baixa). Os que antes clamavam por um sistema universal de saúde e agora o atacam!

Eu acho que o Obama devia é implementar um plano de reestruturação da educação, e não da saúde dos americanos… Duvida, clique aqui.


Categorias: Estados Unidos


Amazônia: o Destino Manifesto brasileiro

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[O título desta postagem faz alusão a uma afirmação do General Zenildo Lucena]

A Amazônia é uma área que desperta grande interesse (nacional e internacional). Permanece ainda, no entanto, um imenso desconhecido, de imagens exóticas e ao mesmo tempo temíveis. Atualmente, representa 60% do território do Brasil, 5% do PIB nacional, além de 12% de nossa população total. É evidente, neste sentido, a disparidade frente às demais regiões do país. Sua riqueza é incalculável e o crescimento dos investimentos em pesquisas aplicadas aquela região pode aumentar ainda mais o inventário de riquezas da Amazônia brasileira.

Desde o período da Coroa portuguesa, a história da Amazônia permeou-se pela temática da defesa, ocupação territorial e manutenção de suas fronteiras. Assim, uma política central sob o Marquês de Pombal foi o estabelecimento de núcleos de povoamento. Estes centros demográficos, durante o século XVII, tiveram função estratégica de defesa frente às ameaças internacionais.

A referência histórica faz-se premente, tendo em conta a manutenção da mesma lógica durante o século XX, em especial durante o regime militar. A década de 1970 representou, em grande medida, o ressurgimento dos defensores da cobiça internacional sobre a Amazônia brasileira. Após a Conferência das Nações Unidas para o Meio-Ambiente de Estocolmo, em 1972, ampliaram-se as iniciativas, dando ensejo a uma onda de grandes projetos (Transamazônica e Zona Franca de Manaus, por exemplo). Foi esta a forma que o governo militar encontrou de responder as crescentes demandas universalistas no bojo da comunidade internacional, de onde surgiram ainda princípios de soberania relativa sobre os recursos considerados como da Humanidade.

Outro ponto importante foi o fim do contencioso com a Argentina no Cone-Sul, relativas a divergências históricas, como a construção da barragem de Itaipu. A redução das tensões no Atlântico Sul permitiu a transferência dos esforços nacionais, em especial os militares, para a Amazônia. Foco essencial para a defesa daquela região é a manutenção de boas relações com os países do Cone-Sul, foco de grande tensão estratégica e política, assim como com os países andinos.

Atualmente são diversos os projetos que impactam direta ou indiretamente a Amazônia, como o SIVAM (vigilância), PCN (desenvolvimento regional), Plano Amazônia Sustentável (2008). A defesa amazônica não é assunto simples e os riscos não são explícitos. O reaparelhamento das Forças Armadas é vital, e o ressurgimento dos debates sobre defesa é um bom sinal; o Brasil está sim atento às ameaças internacionais. A questão indígena e a presença americana no continente são preocupantes, não acredito em ameaças no curto prazo, mas tendo em vista exemplos históricos de intervenção internacional com motivações duvidosas, cabe ao Brasil estar preparado. Condição sine qua non para defender nosso território é a presença militar como elemento de dissuasão, mesmo contrariando os elementos ambientalistas.

Quer saber mais: clique aqui, aqui e aqui.


Categorias: Brasil, Política e Política Externa


As culturas evoluem!

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Primeiramente, gostaria de reiterar os agradecimentos do Alcir e também parabenizá-lo, caro leitor, visto que foi essa parceria de sucesso que colocou a Pagina Internacional entre os 100 blogs mais votados no concurso Top Blog.

Gostaria de retomar um assunto que abordamos semana passada e que, embora não seja um tema estritamente de Relações Internacionais está sob o guardachuvas dessa disciplina. Estou falando as diferentes culturas que existem, e que direta ou indiretamente, muitas vezes são determinantes no estabelecimento de relações entre países.

Lendo a Folha de São Paulo hoje (sem querer fazer propaganda…), na seção de notícias internacionais, deparei-me com uma matéria sobre o novo modo de jovens afegãos e paquistaneses “paquerarem”. Acredito que seja de conhecimento geral, que esses países possuem tradições rígidas no que diz respeito a namoros, virgindade, sexo, casamento. Pois é.

Os jovens desses países, muito criativamente, e com a ajuda da tecnologia, até pouco tempo impensada na região (os celulares chegaram por essas bandas somente em 2006), estão “inovando” o modo de se conhecerem e namorarem.

A troca de torpedos via celeular é a mais nova forma de marcar encontros e enviar juras de amor. Por meio de tal conduta, tem sido possível diblar os olhares vigilantes dos pais e se arriscar em aventuras amorosas. Os jovens estão rompendo com os laços opressivos de sua própria cultura.

Penso que essa é uma prova inegável de que as culturas evoluem de uma forma ou de outra. Seja porque percebe-se que seus valores não têm mais lugar em um mundo em constante mutação, seja porque há o desejo de viver melhor e usufruir dos avanços desse mundo.

Mas, para que essa evolução cultural ocorra de forma legítima, ela tem que encontrar motivações intrínsecas. Imposições culturais são necessariamente contra ao que o mundo ocidental entende como democracia, cujo principal valor é a liberdade. Tais imposições são uma contradição em termos.

Hoje o post para reflexão é curto, afinal é sábado. E ficar pensando nas mazelas ou virtudes desse mundo louco no fim de semana ninguém merece.

Até a próxima!


Categorias: Cultura, Política e Política Externa


Valeu!

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Pois, é. galera, e não é que chegamos à final do concurso Top Blog?!

Graças aos votos de todos que nos acompanham, estamos entre os 100 blogs mais votados da categoria ‘política’ e seguimos à final do concurso, que será a análise técnica do blog de acordo com os critérios estabelecidos pelo regulamento.

Agradecimento a todos os colaboradores, que estiveram aqui firmes e fortes durante as férias da faculdade postando todas as semanas e não deixando a Página Internacional parar!

Graças a qualidade dos posts, chegamos lá!

PARABÉNS A TODOS!

Dia 31 sai o resultado final! Estamos no páreo!



Categorias: Post Especial